quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

1° DEGRAU - Chamado à vida → Eu o Senhor, te chamei. Is 42,1


Instituto Secular Pequena Família Franciscana

DIA
MEMÓRIA AGRADECIDA... POIS DEUS É PAI DAS MISERICÓRDIAS
Recepção
Encaminhamento e organização do Retiro
1° Degrau
Chamado à vida → Eu o Senhor, te chamei. Is 42,1
2° Degrau
Chamado à fé → Vem e segue-me. Mt 19,21
3°Degrau
Chamado ao Absoluto de Deus → Só Deus é Bom.
4° Degrau
Deus na minha história → O Senhor está realmente neste lugar e eu não sabia! Gn 28,16
5° Degrau
Recriar a história → Comecemos de novo... e deixar Deus conduzir
6° Degrau
Deixar Deus conduzir → Senhor que queres que eu faça? Atos 22,10

“Não perca de vista seu ponto de partida [...]” (Santa Clara; Ap 2,5).

“Irmãos, vamos recomeçar, pois até agora pouco ou nada fizemos...” (S. Fco).

Orientações Gerais:

1.    Disposição interior de sinceridade em fazer o retiro;

2.    Colaborar com o clima do retiro para todas;

3.    Participar dos compromissos pessoais e comunitários;

4.    Respeitar os momentos de silêncio para si e para as outras;

5.    Organizar momentos de oração-contemplação durante o dia;

6.    Na oração pessoal rezar também pelas Irmãs, Instituto, Igreja, Mundo, por todas as pessoas que já entraram em minha vida, sobretudo as mais significativas, e por todas as pessoas para as quais somos ou seremos pessoalmente significativas.



Altíssimo, glorioso Deus, iluminai as trevas do meu coração, dai-me uma fé reta, uma esperança certa e caridade perfeita, sensibilidade e conhecimento, ó Senhor, a fim de que eu cumpra o vosso santo e veraz mandamento. Amém!



Louvores a serem ditos em todas as horas
Onipotente, santíssimo, altíssimo e sumo Deus, todo o bem, sumo bem, bem total, que unicamente sois bom, nós vos rendemos todo louvor, toda glória, toda graça, toda honra, toda bênção e todos os bens. Assim seja. Assim seja. Amém.



Antífona à Virgem...
Santa Virgem Maria, entre as mulheres do mundo, não nasceu nenhuma semelhante a ti, ó filha e serva do altíssimo e sumo Rei e Pai celeste, mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo: roga por nós, com São Miguel Arcanjo e com todas as virtudes dos céus e com todos os santos, junto a teu santíssimo e dileto Filho, Senhor e Mestre. Glória ao Pai... Assim como era..


PRIMEIRO DEGRAU

Ø  LINHA TEMÁTICA

Chamado à vida... Pois Deus é Amor / Misericórdia →. Eu, o Senhor, te chamei.

   IDÉIAS MESTRAS

ü  Eu existo eternamente na mente de Deus. Ele me amou primeiro;

ü  A existência não é uma escolha e nem uma decisão minha;

ü  Cada ser humano é uma escolha pessoal de Deus: um gesto de amor;

ü  Saí da mente de Deus para a existência em vista de uma missão;

ü  A vida como dom, benevolência, gratuidade, providência. Ele cuida de mim;

ü  Sou eu e não outra, eu com meus pais, familiares, tempo, cultura, época;

ü  Sou única e irrepetível; livre, valente e responsável;

ü  Deus sabia de minha possível infidelidade;

ü  Preferiu a minha existência, embora pecadora, garantindo sua misericórdia.



Ø  TEXTOS ILUMINATIVOS

1o. MOMENTO: Ef 1,3-14

É um texto litúrgico, no qual se bendiz a Deus agradecendo as “bênçãos” recebidas. É um texto trinitário. No princípio Deus, identificado com o “Pai de Jesus Cristo” (v.3) e nosso pela adoção (v.5); ele é o agente de tudo “segundo seu desígnio e decisão” (vv. 5.9.11). Realiza tudo “por meio de Cristo” (vv.3.5.10.12). Termina o parágrafo com a referência ao Espírito, “selo e garantia” (vv.13.14).

ü  Reze várias vezes este hino;

ü  Permaneça no que toca, deixe que entre no coração, na inteligência, na vontade, na existência;

ü  Acolha as bênçãos do Pai.



2o. MOMENTO: Is 42,1-9


ü  Reze este texto. Escute a fala do Senhor para você: “... Eu chamei você... Tomei-a pela mão... Lhe dei forma... coloquei-a como aliança... Luz!

ü  Admita-se esse servo, inserido em sua fraternidade/comunidade/povo e contexto existencial, sustentado pelo Senhor. Uma serva que não grita... não quebra a cana rachada... não apaga o pavio que fumega;

ü  Faça memória dos momentos nos quais você teve/tem as atitudes do Servo, de modo bem concreto, no seu dia-a-dia.

  

3o. MOMENTO: Is 43,1-7

“O Senhor fez uma aliança com seu povo, e dela jamais abrirá mão: está disposto a trocar tudo para libertá-lo e reuni-lo.”

“Não tenha medo, porque a redimi e a chamei pelo nome; você é minha”.

ü  Faça memória dos momentos onde você sentiu a mão do Senhor a conduzi-la na família, comunidade, Instituto, Igreja...

ü  Deixe Deus mostrar-lhe no que você é preciosa para Ele e às pessoas.



4º MOMENTO: FRANCISCO E CLARA-TestCl 2-3.

 “Entre outros benefícios que temos recebido e ainda recebemos diariamente da generosidade do Pai de toda misericórdia e pelos quais temos de agradecer ao glorioso Pai de Cristo, está a nossa vocação que, quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida” (TestCl 2-3).

ü  Reze este texto de Clara.

ü  Entoe seu hino de louvor a Deus pela sua existência, pela existência de todas as criaturas, pela existência de Deus! Escreva-o! Cante-o! Dance-o!

TEMAS para os retiros mensais – 2020


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Evangelho (Lc 13,22-30):


Dia Litúrgico: Quarta-feira da 30ª semana do Tempo Comum
  Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Ele respondeu: ”Esforçai-vos por entrar pela porta estreita. Pois eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta! ’. Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’. Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos na tua presença, e tu ensinaste em nossas praças! ’. 
Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim, todos vós que praticais a iniqüidade! ’ E ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas, no Reino de Deus, enquanto vós mesmos sereis lançados fora. Virão muitos do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão último».

Pensamentos e orações Vincenza Stropa

Muito a Jesus que tanto nos ama, e não só, mas nos ama com um amor especial. Jamais desistamos de oferecer-lhe nosso coração, nossa alma, todas as nossas forças. Ele, que já habita em nós com o Pai e o Espírito Santo, quer estabelecer-se como no céu. Deve-se chegar ao perfeito amor passando pela perfeita fé; Ele nada mais deseja senão esquecer tudo, antes, esqueceu tudo e não deseja outra coisa que formar a íntima união que o faz estar na nossa alma como no vivo céu do seu amor. O ato de todo abandono, como o da criança, é difícil, embora seja muito belo; no entanto; é necessária uma fé firme, pois tudo já é realidade divina. É a grandeza da alma que tem toda a confiança nele, a ponto de ter certeza de que ele a levará ao mais alto grau de união com ele... É o seu caminho.

Se as almas soubessem e conhecessem o que é a oração e quanto vale, fariam todos os esforços para corresponder à graça que a isso as chama.
Empregariam com esforço e constância de amor todos os meios aptos a conquista-la. A oração é a base e a totalidade da nossa regra, e as almas que a abraçam são chamadas ao excelente, amoroso trabalho de conquista-la. Sem reparar os defeitos, as misérias e as quedas, pois a oração vencerá tudo, e elas chegarão a união que Deus quer. De nós, Deus quer a união. E porque a oração é o caminho, a porta e a raiz de tal fruto, não devemos ocupar-nos de outra coisa a não ser dela.
Não é correto pensar que para haver oração é preciso tempo e solidão. Certamente devemos procurar, enquanto nos for possível, a solidão e praticar o silencio, mais não são sempre necessário, pois o Senhor mesmo forma a solidão em nós, a mais bela e excelente, a verdadeira solidão no interior de nossa alma, onde podemos esperar por ele no meio de qualquer ocupação e compromisso. Importante é que a alma procure a oração com sinceridade, esforço e constância. Esta é a vida na regra que o Senhor nos deu. E então é preciso agir de forma que as almas que a abraçam saibam e conheçam bem a vida de oração e os meios para adquiri-la e assim chegar ao precioso fruto da união com Deus.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Encontros mensais de da PFF - 2018

Introdução:

“Adora, Ama, vive na dulcíssima Trindade que habita no céu do teu coração”.

            O tema do Amor é objeto de reflexão, estudo e oração de toda atividade formativa para o ano de 2017/2018: os dias de Encontros devem ser momentos de síntese e olhar juntos na dimensão “amorosa” da nossa vida ou, para dizê-la com palavras do Evangelho, sobre a qualidade do nosso ser sal, fermento e luz no interno da nossa consagração secular.

            Amar (...) é a fadiga de uma vida inteira. É o mais belo dever que nos seja pedido desenvolver. É - o sabemos bem – o primeiro e maior mandamento, mas com frequência vivemos como desmemoriados, como se isto fosse um subentendido banal: o sabem todos, mas nenhum o pratica a sério! (...) Contudo é justamente o amor que define a pessoa em relação, é justamente o amora identidade de Deus, é justamente o amor o fundamento da Trindade! Somos felizes plenamente somente quando estamos realmente enamorados, apaixonados por alguma coisa, por alguém. O sabemos. Mas fazemos de conta que não sabemos. Conhecemos de cor a primeira carta da João e a citamos com frequência, mas quanto, de que modo e até a que ponto deixamos que esta verdade permeie a nossa existência? De verdade, é verdadeiro (!): quem não ama, não conhece a Deus e está morto! Então? Isto escancara um segundo e apaixonante desafio diante de nós: o cuidado com as relações, todas as relações, aquela com a Trindade que habita em mim, aquela comigo mesmo, aquela com as irmãs, aquela com as coisas, o tempo, o trabalho, a cidade secular, o criado. Um desafio e uma possibilidade enorme, mas não impossível de que somos habilitados a viver em plenitude; diante a tudo isto não nos resta senão reconhecer a nossa necessidade de cura. Temos necessidade de aprender a amar e de que alguém finalmente nos ensine a via do amor evangélico; temos necessidade de aprender a nos perdoar e a reconciliar aquilo que está dividido em nós e entre nós; temos necessidade, em somente uma palavra, de formação constante, séria e permanente, (...) Maravilhosa é a meta: aprender a amar Como Ele nos amou. Não se pode ignorar este 2º percurso da revitalização se queremos de verdade  desenhar de novo um futuro para o nosso Instituto.

(Da relação da Assembléia Central 2015)

Obviamente dizer: “AMA” chama em causa as nossas relações humanas, ad intra e ad extra do Instituto, e a nossa contemporânea capacidade de ousar o futuro.

Meditar e rezar sobre um “amor que se leva a cura das relações curando-as”, implica o desejo de reler até o moto clássico que deu origem ao nosso carisma, atualizando-o: “Viver a união com Deus na cela da alma no meio aos homens deste mundo”.  Está bem perguntar-se quais são as implicações desta frase assim tão cara ao Instituto, uma vez lida e vivida na ótica do amar evangélico. Mas está bem colocar-se súbito as perguntas de fundo.

São João nos lembra continuamente que não podemos dizer amar a Deus se depois ignoramos, desprezamos ou ... odiamos o irmão/a irmã que os nossos olhos de carne vêm. A forma mais alta e mais essencial do amor evangélico é a intimidade amorosa com o Deus trinitário que tem a sua nova prova existencial no “gastar-se” para “as viúvas, os órfãos e os estrangeiros” de todo tempo. No seu tempo, Francisco e Clara reconheceram nos leprosos os mais pobres entre os pobres. A nós cabe o desafio de reconhecer e permanecer ao lado daqueles que, empobrecidos, a Providência coloca no nosso caminho.

A intimidade amorosa não é intimismo ou pior ainda “espiritualismo devocional” que se nutre apenas de formulas, retiros repetidos cansativos, correr atrás de revelações privadas como se fossem o Quinto evangelho ... mas um real envolvimento pessoal com todo tipo de “periferia” existencial que nos chama para servir e para amar os “descartados” do sistema iníquo da sociedade ocidental pós-moderna. Os nossos grupos testemunham esta paixão? 

A primeira carta de João insiste muitíssimo sobre o valor da “comunhão” real, concreta, vitalmente e espiritualmente partilhada. A fraternidade, as “sororitas”, a comunhão fraterna, o estimar-se e o querer bem são o grito que percorre todas as cartas de Vincenza ao Instituto: este é o sinal mais evidente que a partilha e o ser “todas por uma e uma por todas” não é opcional, uma oportunidade, mas a chave preciosa para entrar e permanecer no amor que Deus derramou no nosso coração. Contar a vida, narrar umas às outras as fadigas e as alegrias da pertença ao Instituto, ocupam a melhor parte dos nossos encontros fraternos?

“A Secularidade essencial” de que nos fala Vincenza não se traduz na prática individualista do nosso agir e operar, onde a “sororitas” é apenas um opcional, a Fraternidade, o Grupo e o Conselho Central evitar ou olhar com suspeita ou medo. Ser consagradas seculares não significa “faço aquilo que quero, como e quando quero” independente da ligação que me une à minha realidade local. Consagrar-se a Deus e aos irmãos é tomar cuidado, não fechar-se no próprio individualismo referencial e para acrescentar ... “julgador e murmurador”. Estamos certos de ter ideias claras a propósito e de viver o nosso senso de pertença ao Instituto e à Igreja com o coração de Vincenza?

Deus nos amou por primeiro e é maior do que o nosso coração. Este conhecimento é o motor sempre aceso da nossa urgência de percorrer a estrada da história ... “O amor de Cristo nos impele” ... Evangelizar, testemunhar com o exemplo da vida, colaborando com a Igreja local, ter no coração o próprio percurso de fé e partilha-lo, são os traços peculiares de uma autêntica consagração secular e eclesial. Como podemos melhorar e melhorar-nos?

“Evangelizar é uma urgência do amor” nos lembra Vincenza: Sentimo-nos de verdade dentro de uma adulta relação de amor com Deus Trindade para amar “no” mundo, o mundo? Sentimo-nos “empenhadas” a viver a nossa autoformação ao amor evangélico deixando-nos guiar por pessoas sábias e voltadas para Deus? (Sacramento da reconciliação e acompanhamento espiritual constante?).

“Permanecei em mim e eu em vós... sem mim nada podeis fazer.” Escolher isto “estar em” é o desafio e o risco maior porque implica confiança absoluta. Abrir-se ao inédito e ao novo de relações deveras HUMANAS, inaugura uma nova estação cultural, contribui para permanecer atentos à voz do Espírito, garante a serenidade e a imprevisibilidade de uma autêntica escolha de vida secular. Quem prefere o “status quo” à imprevisibilidade do Deus que vem e que faz sempre coisas novas para nós, é já “atormentado”, e não de certo a sentinela que perscruta o horizonte!

O amor, o amar, implica sempre um risco e um desafio: somos capazes de “ousar” o inédito, o novo, ou preferimos fazer e repetir aquilo que temos feito sempre e, no mesmo modo? Com frequência não “temos a liberdade interior” nem mesmo de mudar o modo e os tempos dos encontros mensais ou o esquema da jornada fraterna, em muitos casos nem mesmo se celebra separadamente; estamos seguros nesta estrada justa para responder ao apelo do amor de Deus, hoje?

                                               Frei Marino

1. O Discípulo amado - Textos Bíblicos para refletir:


1 João, 1,1-10;  1 João, 2,1-29; 1Jo, 3,1-24; 1Jo 4,1-21; 1Jo 5,1-21
Primeira carta de João
1- Para que a vossa alegria seja plena   (março)
1Aquilo que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que nossas mãos apalparam: falamos da Palavra, que é a Vida – 2 Porque a Vida manifestou-se, nós vimo-la, damos testemunho dela, e vos anunciamos a Vida Eterna (Ela estava voltada para o Pai e manifestou-se a nós). 3 O que vimos e ouvimos, isso agora vos anunciamos, para que estejais em comunhão conosco. A nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo. (1 Jo 1,1-4). 4Escrevemos-vos estas coisas, para que a vossa alegria seja completa.
·      Para que a Comunhão seja plena
·      O Logos da Vida – O Verbo da Vida
·      O sentido da experiência de Deus
·      Uma tríplice comunhão (entre os que escutam o anúncio; entre os crentes, na comunidade cristã; entre os que anunciam a mensagem e aqueles que a recebem (João 1,3).
Temos 3 níveis de comunhão, que não são separáveis, mas vivem um dentro do outro. Podemos defini-los assim:
1) Comunhão sincrônica e horizontal que diz respeito a cada Comunidade cristã, no aqui e agora, (no hoje da história) chamada a tornar-se verdadeira comunhão entre os irmãos, distinguida pelo amor mútuo, um tema em que a Carta retorna continuamente. Exemplos: V. Jo 3,14;  3,23; 4,7.11. Ainda assim, podemos dizer, a alegria da vida eterna, de uma vida que está em comunhão com Deus e entre nós.
2) Diacrônica - atravessa os tempos e nos coloca em comunhão com todos os que nos precederam, dando-nos o testemunho de sua fé em Jesus Cristo, filho de Deus, revelação do amor do Pai no dom do seu Espírito. Esta comunhão chega às testemunhas oculares e ao autor da carta. Trata-se de uma comunhão tornada possível, compartilhando a mesma fé, também pela mediação do texto escrito. O que é escrito permanece e torna possível a comunhão também através do tempo e da sucessão das diferentes gerações. O autor da carta está bem ciente disso e explica no prólogo: "o que vimos e ouvimos, também o anunciamos, para que vocês também estejam em comunhão.". Este anúncio é feito não apenas em forma oral, mas em forma escrita. Anúncio que pode ser ouvido não só dos discípulos contemporâneos ao autor, mas de todo crente das gerações seguintes, que podem ler e retornar, através da carta, para ouvir o kerygma apostólico: "essas coisas eu as escrevo, para que a vossa alegria seja perfeita ". Não é apenas uma alegria sobre a qual estamos falando, mas é a alegria da comunhão, entre nós, aqui e agora, e através dos tempos. Esta comunhão torna-se então um sinal de comunhão com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo.
3)    Comunhão Trinitária, entre o Pai e o Filho no Espírito Santo. Uma comunhão que não permanece fechada em si mesma, mas abre, dá-se a todos. Esta comunhão torna-se perfeita precisamente porque se torna comunhão de Deus em nós, um dom de amor que se abre e se comunica para nos tornar capazes de amar como somos amados. Voltemos para 1Jo 4,7: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama  nasceu de Deus e conhece Deus". Nosso amor, em particular o amor mútuo e a comunhão que se estabelece entre os irmãos e as irmãs da comunidade cristã, é sinal da nossa comunhão com Deus: do nosso ser gerado por ele e do nosso restante em comunhão com o Pai e o Pai Filho e Espírito Santo.
Para continuar a reflexão:
Que significa para nós  Escutar, Ver, Contemplar, Tocar o Verbo da Vida? Esses verbos tem sentido concreto em nossa vida quotidiana?
A Palavra de Deus que escutamos e meditamos é capaz de produzir em nós e entre nós, um espírito de comunhão?   Quais os obstáculos que encontramos ou quais resistências nós colocamos à lógica e dinâmica da comunhão?
Experimentamos a alegria em crer em Deus, em sentir-nos amados e de poder amar? Quais são os gestos concretos desta alegria?

2 - Deus é Luz - 1Jo1,5-2,6


5 É esta a mensagem que ouvimos d’Ele e que agora vos anunciamos: Deus é luz e n’Ele não há trevas. 6Se dizemos que estamos em comunhão com Deus e caminhamos nas trevas, mentimos e não praticamos a Verdade. 7 Mas, se caminhamos na luz, como Deus está na luz, estamos em comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, o Filho de Deus, purifica-nos de todo o pecado. 8Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. 9Se reconhecermos os nossos pecados, Deus que é fiel e justo perdoará os nossos pecados e nos purificará de toda a injustiça. 10 Se dissermos que nunca pecamos, afirmamos que Deus é mentiroso, e a Sua palavra não está em nós.

2 .1 Meus filhinhos, escrevo-vos estas coisas para que não pequeis. Entretanto, se alguém pecou, temos um advogado junto do Pai: Jesus Cristo, o justo. 2Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados; e não só os nossos, mas também os pecados do mundo inteiro.3 Para sabermos se conhecemos a Deus, basta ver se cumprimos os Seus mandamentos. 4Quem diz que conhece a Deus, mas não cumpre Seus mandamentos, é um mentiroso, e a verdade não está nele. Por outro lado, o amor de Deus realiza-se de fato em quem observa a Palavra de Deus. É assim que reconhecemos que estamos com Ele: 6 quem diz que está com Deus deve comportar-se como Jesus Se comportou. (1Jo 1,5 - 2,6).

Mensagem que ouvimos de João – Ele se refere à experiência do Discípulo amado chamado a uma íntima participação dos mistérios do Salvador (Jo 13,25)? Esta perícope certamente fala de um “retorno ao coração”, aquele lugar de escuta interior onde jorram as águas prometidas por Jesus no último dia da festa das cabanas (Jo 7,39). Águas interiores (vivas) que fluirão do Espírito, águas que correm lentamente como as "águas de Siloé": pacientemente (ver Is 8,6).

Na pintura, vemos um jovem sacerdote fulvo, como o rei-pastor David, que se aproxima da cabana de um orto (Getsemani talvez): um casebre humilde perto de uma lagoa, que também lembra a choupana de Francisco em Rivotorto. A porta é bloqueada por plantas selvagens: a arvore, o coentro, o cominho, a erva selvagem (ver Mt 23,23). O rei está na porta e bate, pousa os pés descalços sobre as últimas maçãs caídas nas noites geladas do Advento. Em sua mão segura uma lâmpada decorada com estrelas e seu brilho se reflete no hábito do sacerdote; O rosto também está iluminado, mas esta segunda luz não vem da lâmpada, ela se irradia de dentro. À sua chegada, a noite faz-se clara, as estrelas exultam em seu posto de guarda (ver Gb 38,7) e o amanhecer é anunciado sobre os juncos da lagoa (ver Ml 14,30). Ele bate. Convida para sair. É preciso liberar a porta dos arbustos espinhosos...
a.  Deus é luz, Nele não há trevas (Jo 1,5)
Na passagem da carta de João, portanto, ao tema da luz segue o da purificação do pecado e das falsas observâncias (1Jo1,8). Como em um caminho consecutivo, da revelação vemos:
1Jo 1,5: “A mensagem que dele ouvimos e vos anunciamos é esta: Deus é luz e nele não há trevas.
1Jo 1,6-7: Comunhão, o descobrir-se ao lado dos irmãos.
1Jo 1.8-2.2: O conhecimento de Jesus como Aquele é: 

¡  Perdoa (1Jo 1,9)
¡  Purifica (1Jo 1,9)
¡  Consola (1Jo 2.1)

1Jo 2,3-6: critério para conhecer Jesus: as escrituras e seus mandamentos, onde os sentimentos de Cristo são revelados (2,6). Estudo atento que ilumina o discípulo, até que sua luz divina brilhe não só para irradiar seu rosto mas também o irmão.

a)   Se caminhamos na luz estamos em comunhão uns com os outros 1Jo 1,6-7
“Se dissermos que estamos em comunhão com Ele mas caminhamos nas trevas, estamos mentindo e não praticamos a verdade. Mas se caminhamos na luz, como ele está na luz, então estamos em comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado”. través de um caminho de sinceridade e pureza, descobre-se em comunhão um com o outro, mas acima de tudo a caminho  para o outro (1,6) e esta comunhão torna-se um sacramento. Querendo parafrasear o texto com as palavras do Papa Francisco, diríamos: "Quando vivemos a mística de aproximar-nos dos outros com intenção de buscar o bem dele, alargamos a nossa interioridade para receber os mais belos presentes do Senhor. Toda vez que nos encontramos com um ser humano no amor, nos colocamos na condição de descobrir algo novo sobre Deus. Cada vez que abrimos os olhos para reconhecer o outro a fé é mais iluminada para reconhecer a Deus”(EG 282).
 Para o autor da Carta, o anuncio da luz se transforma imediatamente no mistério de comunhão, mistério eucarístico no qual se torna eficaz o Sacramento do altar.

b)   Temos um Paráclito junto do Pai: Jesus Cristo, o Justo ( 1Jo 2,1)
Raiz e fundamento desta caminhada juntos, parece ser para João o enraizamento em Cristo e em sua cruz, que é descoberta da verdade sobre nós mesmos: descobrir-se amados e procurados por Deus. Jesus Cristo justo e consolador, revela-se como a luz que nos conduz para o outro, para o rosto transfigurado do irmão, rosto que um dia conheceremos em plenitude, em suas transparências angélicas, mas que nos é revelado apenas em figuras.

c)    Quem permanece em Deus, deve viver como Jesus viveu (1Jo 2,6)
Como aprender a viver nesta luz? “Observando seus mandamentos” diz a Carta de João 2,3.”Com alegria tirareis água nas fontes da salvação”(Is 12,3). Tomando o ensinamento rabínico da “Palavra como luz e lâmpada para o caminho”(Sl 118,105), o autor da Carta propõe aos seus leitores que se deixem guiar por Cristo para entrar no conhecimento amoroso dos mandamentos divinos”(2,5) que estará longe do pecado e será guia para os outros.
Para continuar a reflexão:
Como a verdade e a sinceridade me tornam mais sensível ao andar com os outros?
Qual é a minha experiência de Jesus, Paraclito junto do Pai?
Como a Escritura iluminou meu comportamento ou me ensinou os sentimentos de Cristo?

“Retorno ao coração”, aquele lugar de escuta interior onde jorram as águas prometidas por Jesus no último dia da festa das cabanas (Jo 7,39). Águas interiores (vivas) que fluirão do Espírito, águas que correm lentamente como as "águas de Siloé":  pacientemente (ver Is 8,6).