| ANTONIETTA | EU |
| Família O seu ambiente doméstico foi um ambiente de trabalho, ajuda mútua, de fé, de moralidade, reinava uma atmosfera de paz em que as crianças cresceram juntas numa afeição tenaz. (art.2 – Libbello). Na casa foi tão atenciosa e sempre disposta e obediente. (Art. 3). Sacrificou-se pela família ajudadando a sua mãe fazendo os trabalhos domésticos sempre com um sorriso nos lábios e com uma dedicação que ultrapassou o ambiente familiar. (Art. 8) Sacrificou os melhores anos de sua juventude para ajudar ao próximo, o seu irmão, as familias de duas irmãs casadas, ... os sobrinhos ... | Como era ou é o ambiente da minha família? Semelhante ao de Antonietta ou muito diferente? Que tipo de relações estão presentes na minha família? Particularmente o que de precioso aprendi no meu ambiente familiar? Doar a vida no ambiente da minha família hoje para mim consiste em:... |
| Trabalho No ambiente de trabalho levou o mesmo sorriso e a mesma boa vontade que havia difundido na família. As companheiras a queriam bem e todas recorriam a ela em suas necessidades e a todos atendia de boa vontade, como se não tivesse outra coisa a fazer. (art. 11) Não havia trabalho, encargo, serviço, comissão que Antonietta não aceitasse e não executasse com toda a serenidade de espírito... Desempenhava todos os trabalhos com o mesmo entusiasmo e fervor. (art. 67) | Que relação tenho com o meu trabalho? Deixo-me tomar e absorver pelo trabalho? Qual é a minha atitude com os companheiros de trabalho? Quando começo qualquer trabalho ou encargo, sei ser perseverante, entusiasta, serena e profissional? |
| Desejos Mantendo vivo o desejo de conhecer e aprender, teve que suspender o estudo pela enfermidade da mãe (art. 9) Mesmo desistindo do estudo, soube encontrar algumas horas todos os domingos para frequentar curso de francês e algumas horas de música. | Quais são os meus desejos? O que devo renunciar para dar assistêcia a minha família, para seguir na vocação ou para um bem maior? Estou disposta a oferecer estes sacrifícios a Deus e vivê-los como momentos de crescimento? Deixo-me “sufocar” pela frustração das coisas que não se realizaram a contento ou aproveito para acolher as pequenas oportunidades que se me apresentam? |
| Provações 1922 a morte imprevista do Pai 1940 perdeu a mamãe a quem cuidava 1942 Antonietta perdeu a casa e tudo tinha... Vai a Pe. Ireneo e diz: “Padre, estou toda aqui. Perdi minha mãe, a minha casa se queimou: não tenho mais nada. Agora sou uma verdadeira filha de São Francisco” (art. 20) Em 1943 entrou no Mosteiro das Clarissas e finalmente se realizaram os seus sonhos,... mas não por muito tempo: acometida por uma estranha doença teve que deixar o convento. Através das provações, contrariedades e atrasos o Senhor provava a fidelidde de sua eleita e a conduzia a meta que Ele lhe havia fixado: um “forasteiro” misterioso lhe revela: “Tu mudarás de caminho, deixarás este hábito e abrirás uma nova casa”... | Que tipo de provações experimentei na minha vida? Procuro evitar as provações e fugir delas ou supero o medo e tomo atitude diante do problema? Peço a Deus de estar e permanecer comigo nas minhas provações? As provações me tem tornado mais disposta a Deus e aos outros, ou me tem fechado em mim mesma? |
| Discernir e fazer a vontade de Deus “Sentia sempre mais vivo o desejo de consagrar-me completamente ao Senhor... mas não podia vestir o hábito religioso, porque, devendo cuidas da minha caríssima mamãe enferma não podia realizar o meu desejo”. (art. 13) | Consigo perceber o que é minha vontade e o que é que Deus quer de mim? Como faço o meu discernimento? Espero a resposta diretamente e somente de Deus, ou me ajudo neste caminho? Sou capaz de respeitar o tempo de Deus? |
| Obediência a Direção Espiritual Já desde os onze anos tem seu confessor e diretor espiritual e frequenta um curso especial de catequese pelos rapazes de seus superiores. O seu diretor “nutria as nossas almas com a verdade e eu saboreava com grande alegria as palavras que depois levava para os meus pais e minhas irmãs quando retrnava a minha casa. Sempre quis que todos sentissem o desejo de instruir-se mais e mais na fé”. “Como me sentia fraca, longe do meu confessor, que era o meu guia... Pedia tanto a ti, ó Coração de Jesus e a tua divina Mãe, porque me iluminaste o caminho ao novo Confessor”. (art. 62) | Sinto necessidade de direção espiritual? O que faço para encontrar a orientação no meu caminho espiritual? Sou perseverante e obediente aos conselhos do diretor espiritual/confessor, ou procuro resposta de outros até encontrar a resposta que me agrada? |
| Votos Desde a sua consagração baseou sua vida inteira na obediência à vontade de Deus e sobre a caridade fraterna. (art. 18) “Jesus era ricco e se fez pobre por nós, para nos dar a riqueza de sua pobreza. Se a pobreza não fosse um grande bem não a teria escolhido para mim... Pobreza voluntária, soma das virtudes. Se não caminhamos verso à perfeição estamos perdidas; Desprendimento afetivo e efetivo... desprender-se de tudo com alegria por Ele. Retirado o obstáculo do apego à riqueza, devemos renunciar a tudo por amor de Deus” (art. 44) Pobreza e castidade libertam a carne para sermos obedientes. Se merece a castidade através de uma delicada atenção à voz da consciência. Obediencia total e alegre. “Preferir não ser preferida”. “Fazer extraordinariamente as coisas ordinárias”. | Entreguei a minha vida a Deus pelas mãos da minha Irmã Responsável. Como vivo a minha vocação? Como vivo o voto de castidade, pobreza e obediência? Tenho algumas dificuldades? Sou sincera e transparente na avaliação com a minha Chefe de Grupo? Que perguntas me dá o exemplo de Antonietta? Quais os porpósitos que eu faço no que se refere aos votos de castidade, pobreza e obediência? |
| Vida Espiritual Colaborava generosamente com a graça Divina. Antonietta nutria verdadeiro amor ao Senhor. Procurou agradá-Lo com um contínuo esforço de observar a lei, de conhecer a Sua santa vontade e de fugir a toda ocasião de pecado. (art. 48) Docilidade incondicional a Jesus Cristo a quem não rejeitou nunca. Oração assídua e fervorosa. “O Santo tabernaculo era o grande íma de sua alma. Junto ao seu Divino Esposo se refugiava na oração cada vez que dispunha de um minuto livre. Quando eu precisava dela, tinha certeza de encontrá-la aos pés do Tabernaculo e a um pedido meu se se punha em pé imediatamente e seu rosto luminoso e sorridente, voava para onde era esperada, feliz de deixar Jesus por Jesus”. (art. 36) Agradecia ao Senhor pelos dons recebidos: “Louvava e agradecia o Senhor por tê-la escolhido como sua esposa” (art. 49) “Que eu sinta muito amor e muita dor para unirme a Jesus” (art. 49) Propósito: ‘aumentarei meu amor para com Ele”. Muitas vezes lembrava a si mesma a observância ao quanto havia prometido, e que devia ter “lealdade e confiança filial no Senhor” (art. 50) Propósito: “Olhe para Jesus, una-te a Jesus, espera em Jesus”. (art. 46) “Tudo com Maria, Mãe e Mestra”. (art. 40) | Sou agradecida ao Senhor pela vocação que recebi? Quais os dons particulares que eu recebi? Vivo mais no espírito de gratidão, ou na ânsia daquilo que me falta ou aquilo que ainda não realizei? Que propósitos tenho feito para aumentar o meu amor para com o Senhor? Como me esforço para progredir na vida espiritual? Tenho uma fidelidade filial e de confiança no Senhor? Espero no Senhor em tudo? |
| Apostolado Sabia unir ao seu trabalho cotidiano a uma fervorosa vida interior da qual recebia a força para cumprir bem os seus deveres e doações, na alegria, a todos, em todas as fases de sua vida. Sabia esquecer suas penas, escondê-las, para consolar o próximo. (art. 47) Animava os doentes a terem coragem, a rezar, e a estarem sempre com o Senhor. “Coragem, que Jesus e a Mãe do céu olham amorosamente por ti e por todos os teus queridos”. (art. 47) Fez um curso de enfermagem nos Camilianos e recebeu o certificado. Abriu-se assim um vasto campo à sua sede de dedicar-se e de fazer o bem aos muitos enfermos que puderam receber seus cuidados, seu sorriso, sua contínua generosidade, que escondia bem os seu cansaço e sacrifícios conhecidos apenas por Deus. (art. 19) ... | meu apostolado nasce e se nutre da união íntima com o meu Senhor? Qual é o meu apostolado real? Como ajudo as outras pessoas? Com que atitude? Como posso consolá-los? Concretamente em que consiste o meu apostolado? O que faço para que a minha ajuda seja mais eficaz ao próximo? Procuro instruir-me nas coisas espirituais e humanas para oferecer o necessário àqueles que o Senhor me envia? |
| Serviço às Irmãs e ao Instituto Dedica toda sua atenção à PFF e multiplica seus cuidados e delicadeza fraterna as suas irmãs de eleição. (art. 18) Para todas tinha um trato gentil, uma boa palavra, um doce sorriso que atraía os corações o que levava a todas a querer-lhe bem. (art. 59) Sempre humilde com todos, doce e serena. Sem palavras alteradas. Inimiga da murmuração. Não criticava nem fazia comentários aos Superiores, sobre as Irmãs da PFF, sobre suas vidas. Fiel a quanto escreveu: “A paz: farei sempre o meu dever e calar, sempre feliz de imitar Jesus”, soube convervar-se em paz com todos, continuando a fazer os seus deveres e suportando em silêncio, sem nunca pedir desculpas, de quaiquer reprimendas e percalços que pudessem ter vindo do caráter dos outros”. (art. 56) Quando as Irmãs chegavam ao Cenáculo Antonietta: Era a primeira a ir ao encontro Se interessava pelo estado de saúde de cada uma. Obtinha o alimento especialmente desejado. Emprestava suas roupas, a sua bolsa d’água,... (art. 59) Pelas irmãs doentes e por todos os outros doentes nutria uma atenção, um amor que beirava a veneração: era uma espécie de bondade sem limites, como uma mãe terna, sempre paciênte e cheia de uma sensibilidade particular. (art. 57) Fazia tudo pela maior glória de Deus: “Posso praticar o meu amor fraterno entre os tachos e as panelas, pensando em preparar o alimento para os personagens da Sagrada Família” (art. 63) Quando caiu no chão inconsciente, Antonietta sempre preocupada apenas com os outros, dice à Irmã que corria para ajudá-la: “Vá, porque há alguém que necessita de mais ajuda do que eu!” (art. 74) ... | Como é o meu relacionamento com as minhas irmãs da Fraternidade/Grupo? Como vivo o testamento de Pe. Ireneo de “querei-vos bem, tanto bem, sempre bem” e de ser “uma por todas e todas por uma”? Sou disponível a prestar ajuda às irmãs, de ir ao encontro delas em suas necessidades, ou sou eu quem sempre busco a ajuda dos outros? O que eu faço pelas irmãs doentes? Pelas irmãs isoladas e distantes? Pelas irmãs que eventualmente estão em crise Qual é a minha reação quando sofro alguma incompreensão com uma irmã ou com a Responsável? Exercito-me a aceitar eventuais reprimendas ou não vejo a hora de justificar-me? Sou aberta ao diálogo, sincera e serena? Aceito com serenidade os trabalhos que a irmãs me têm confiado? Como os desenvolvo? Que coisa Antonietta diz especialmente a mim no que se refere ao amor fraterno neste momento da minha vida? |
| Atitudes: - Simples/humilde - Obediente - Tranquila - Amo o silêncio - Fervorosa vida interior - Confiante na Providência divina - Fiel - Caritativa - Generosa - Feliz - Alegre; Sempre com sorriso nos lábios - Perseverante - Equilibrada - Extraordinária bondade - Nunca se lamentava - Reta e delicada em tudo - …. | Em quais virtudes sinto necessidade de crescer? |
sexta-feira, 20 de abril de 2012
DOAR A VIDA
segunda-feira, 26 de março de 2012
PRIMEIRA PARTE OS VOTOS EM GERAL
CAPÍTULO I
Votos religiosos em geral
9 – Que é voto?
Resposta – O Voto é uma promessa deliberada e livre a Deus só – de alguma cousa possível e melhor que o seu contrário.
10 – Por que se chama um promessa?
Resposta – Chama-se uma promessa para distinguir do propósito. O Voto é um compromisso, uma obrigação que nos impomos; é a clara e expressa intenção de obrigar-se sob pena de pecado.
11 – Por que chama: promessa deliberativa e livre;
Resposta – Chama-se promessa deliberativa e livre porque quem faz votos deve ter consciência das obrigações que assumem espontaneamente; livre, isto é, de todo constrangimento ou grave temor injusto.
Exemplo: mesmo os votos que por devoção se faz a Nossa Senhora e aos Santos são sempre votos que se fazem a Deus, porque o voto é um ato de adoração devida unicamente a Deus.
12- Por que se chama: uma promessa feita em Deus só?
Resposta - chama-se uma promessa feita em Deus só, porque o Voto é um ato de culto de latria. EXEMPLO: Mesmo os votos que por devoção se fazem a Nossa Senhora e aos Santos, são, sempre se fazem a Deus; porque o voto é um ato de adoração devida unicamente a Deus.
13 – Por que se chama: alguma coisa melhor que o seu contrário?
Resposta – chama-se: alguma coisa melhor que o seu contrário porque o fim do voto é render a Deus um culto especial.
EXEMPLO: Casar-se é bom; voltar-se a divindade é melhor. Por isto disse são Paulo que o matrimônio divide o coração entre Deus e o esposo, enquanto que a virgem só pensa nas coisas de Deus, antificando-se assim no corpo e no espírito.
14 – Como obrigam os Votos emitidos na PFF?
Resposta - Os Votos emitidos na PFF obrigam sob pena de pecado são: obediência, pobreza e castidade
Resposta - Os Votos emitidos na PFF obrigam sob pena de pecado são: obediência, pobreza e castidade
15 – Quais são os efeitos do voto?
Resposta – O voto cumprido é um ato da virtude da religião, a mais excelente entre as virtudes morais. O voto não cumprido voluntariamente é um ato culpável contra a mesma virtude da Religião.
16 – O que é virtude da Religião?
Resposta - virtude da Religião é aquela que dispõe o homem a render o culto devido a Deus como supremo princípio de todas as coisas
17 – O que acrescenta a virtude da Religião?
Resposta – A virtude da Religião acrescenta a boa obra prometida com voto - uma nova bondade moral – uma intrínseca da mesma obra, outra dada pela virtude da Religião. Duplo, portanto, será também o seu merecimento.
Exemplo: Quem assiste á Santa Missa nos dias de semana sem estar obrigado por força de um voto. Faz certamente uma boa obra, logo, digna de prêmio da parte de Deus; se a mesma pessoa se obrigasse por um voto a assistir á Santa Missa nos dias de semana, cumpriria uma obra duplamente meritória.
INTRODUÇÃO - Continualção do Catecismo da PFF
1 – Pergunta – O que é a P F F
Resposta – A PFF é um Instituto Secular para a aquisição da perfeição cristã
2 – Que são os Institutos Seculares?
Resposta – os Institutos Seculares são formas de vida religiosa – reconhecida juridicamente pela igreja – para almas que, embora vivendo no mundo, se comprometem a seguir fielmente os conselhos Evangélicos, a praticar os votos da caridade e do apostolado.
3 – qual é o seu fim?
Resposta – É a intensa renovação cristã da família, das profissões e da sociedade civil, pelo contato intrínseco e cotidiano com a vida perfeitamente consagrada à santidade.
4 – Em que consiste a perfeição cristã?
Resposta – A perfeição Cristã Consiste em amar a Deus e ao próximo, seguido os Conselhos Evangélicos.
5 – As irmãs da PFF têm obrigação de adquirir a perfeição cristã?
Resposta – Sim, as irmãs da PFF têm a obrigação de tender à perfeição cristã, a menos que faltem nos deveres do próprio estado.
6 – Quais os meios para a aquisição da perfeição cristã?
Resposta – Os meios para a aquisição da perfeição cristã são:
- A observância perfeita da lei de Deus;
- O cumprimento fiel dos votos religiosos livremente emitidos;
- A observância fiel das regras voluntariamente abraçadas;
- A observância exata dos deveres do próprio estado.
7 – que obrigação assumem as noviças da PFF?
Resposta - As noviças da PFF se obrigam:
- A cultivar a vocação no espírito franciscano;
- Ao estudo do Regulamento e á aquisição das virtudes, especialmente da obediência, pobreza e castidade.
- A obediência aos superiores;
- A manter prudência e segredo
7 – por que as noviças têm a obrigação de estudar o regulamento de adquirir as virtudes?
Resposta - As noviças têm a obrigação de estudar o regulamento de adquirir as virtudes porque a PFF é uma forma estável de vida. Quem a abraça deve conhecer os direitos e os deveres e estar moralmente certa de poder observar as obrigações.
sexta-feira, 23 de março de 2012
CATECISMO DOS VOTOS - INSTITUTO SECULAR PEQUENA FAMÍLIA FRANCISCANA
Prefácio
Filhas minhas em Cristo
Primeiramente, seja reconhecida a quem, não obstante sua múltipla ocupação encontrou tempo para vos dar um “catecismo dos votos”, o qual por todas vós era reclamado: um catecismo no qual, alem de fazer conhecer, de modo preciso e claro, a natureza e as obrigações principais do vosso estado, fossem evitados igualmente os extremos, mostrando as obrigações que se assumem diante de Deus, mediante os santos votos, mas ao mesmo tempo, não agravar a consciência com obrigações maiores que as que vos são impostas pelo espírito e pela a letra do vosso Regulamento.
Outro mérito deste livrinho, pelo que agradará muito especialmente ás noviço que o deveram gravar na memória, é a brevidade e a clareza com que se quis distinguir o. Que é obrigação imposta pelo voto daquilo que exige a mais a pratica da virtude; de maneira que cada uma de voz pode, com Clareza, distinguir o estrito dever de consciência daquilo que a mais se procura para alcançar a perfeição. (E quanta ignorância deplorável em torno desta matéria! Quantas incertezas e dúvidas atormentam as almas, levando-as muitas vezes a falsear a consciência!).
Não é necessário, portanto, que eu dispenda palavras para exorta-vos a estudá-lo com a plena convicção de aprender quanto mais importa á vossa vocação, por quanto vos prepara ao exame que devereis fazer antes de serdes admitidas á Consagração.
Desejaria, filhas minhas em Cristo, que este livrinho se tornasse para todas um manual, com o vosso Regulamento, do qual e a confirmação, o complemento e o meio seguro para merecerdes sempre mais as graças divinas e as celestes recompensas.
Frei Ireneu Mazzotti OFM - Cividino. Festa de Anunciação.1952
sexta-feira, 9 de março de 2012
1ª Parte- Estudo do Triênio
1. “DEUS CHAMA À VIDA AS COISAS QUE AINDA NÃO EXISTEM” (Rom. 4,17).
O termo vocação tem uma história no contexto do pensamento bíblico e cristão. O Antigo Testamento fala tanto de vocação pessoal como coletiva no sentido de um chamado a existir e a encontrar-se com o único e verdadeiro Deus, para ser enviado a manter viva a memória entre os povos e a desenvolver um dever específico na transformação do mundo em uma digna morada ao homem, com a certeza de poder contar com a ajuda divina. Para o Novo Testamento, vocação é o chamado a seguir Cristo e a agir como membro ativo do Corpo místico, que é a Igreja, para levar aos homens o anúncio da sua mensagem de salvação e testemunhá-lo com a vida.
Entre os séculos IV e V, o discurso vocacional começou a registrar um deslocamento da atenção. Esta foi dirigida, preferencialmente, à vida monástica e religiosa em primeiro lugar e ao sacerdócio ministerial depois, privando pouco a pouco essas mesmas “escolhas de vida” de sua justificação de fundo, que é a vocação cristã na qual essas se inserem e a partir da qual se desenvolvem.
O enquadramento do tema vocacional nessa ótica restrita levou, por sua vez, a selecionarem-se, no texto bíblico, apenas os trechos que se referiam ou que se presumia que dissessem respeito às assim chamadas “vocações de consagração especial”, resultando assim numa apresentação redutiva de toda a temática vocacional.
Nos últimos anos, graças também à contribuição das ciências humanas, o termo vocação recuperou a conotação do seu originário significado bíblico. Esse diz respeito à própria concepção da pessoa como algo que a faz ser o que é e a diferencia das outras coisas. Por isso a pessoa humana não é mais considerada como uma realidade que tem uma vocação, mas, ela mesma, no mais íntimo de seu ser, uma vocação. Desse modo, o conceito de vocação estende-se a todo homem.
Cada vida humana, portanto, é vocação. Isto é, um chamado a existir, a coordenar e a fazer frutificar com a ajuda de Deus, na condição de filhos adotivos, aquele conjunto de atitudes e de inclinações, que os homens possuem, em vista do cumprimento de um projeto e de uma missão no mundo.
1.1. A criação
Um acontecimento fundamental domina a história da salvação: Deus falou. O primeiro grande chamado de Deus consiste em chamar à existência as coisas que não são: “Ele fala e tudo se faz, ordena e tudo existe” (Sal. 33,9).
A criação da realidade cósmica a partir do nada parece representar o aspecto preliminar e geral de um chamado coletivo que precede e, portanto, funda a existência de todo ser. Deus se compraz no seu bem infinito e, em virtude dessa aprovação, decide livremente expandir sua bondade para fora de si, chamando aquilo que não é à existência. Ele faz isso não para aumentar o próprio bem ou para ter a posse de um bem que lhe fosse extrínseco, mas apenas para dilatar a circulação de vida e de amor que perpassa as Pessoas divinas.
O fato primordial do chamado dos seres à existência revela o mistério de um querer, de um desígnio, de uma iniciativa divina, que implica o voltar-se de Deus para as suas criaturas para enriquecê-las com o dom da existência, manifestação do seu amor benevolente. Mas isso também esclarece que cada ser criado não é absoluto nem autosuficiente, não estando pois em condições de dar a existência a si próprio.
1.2. O homem feito “à imagem de Deus”
Entre as criaturas existentes neste mundo, emerge o homem, expressão singular do ato criador divino. Ainda que retirado da terra, o homem não é um ser puramente material. Com uma intervenção especial, Deus o torna um “ser vivo” (Gen. 2, 7), formando-o à “sua imagem e semelhança” (Gen. 1,26).
Lê-se no livro do Gênesis: “E Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança... Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou (Gen. 1,26-27).
Então o Senhor plasmou o homem com pó do solo e soprou mas suas narinas um hálito de vida e o homem tornou-se um ser vivo” (Gen. 2-7).
Desde os primeiros capítulos, a Bíblia descreve o homem numa perpectiva teológica, ou melhor ainda, teocêntrica. Cada homem a seu modo, participa da “imagem de Deus”, único e incomparável exemplar de inesgotável perfeição. Ele não a possui em plenitude, mas um germe que tende a crescer em proporção ao dom recebido e à resposta ao dinamismo de desenvolvimento do mesmo dom, que atingirá sua máxima perfeição na glória final. Por essa sua participação na “imagem de Deus”, o homem constitui-se como pessoa inteligente e responsável de suas ações, diferente de todos os outros seres e capaz de construir-se num horizonte de liberdade e de abertura a Deus, aos seus semelhantes e ao mundo material.
1.2.1. Criatura de Deus
A categoria bíblica da “imagem de Deus”, aplicada ao homem e a ele apenas, focaliza, antes de tudo, a origem divina da vocação humana e a radical dependência que a pessoa humana tem de Deus. Em outras palavras, essa evidencia sua condição de criatura.
A idéia de “imagem”não diz apenas que o homem, não tendo em si mesmo a origem da própria existência e não bastando a si mesmo, é finito, limitado e que, portanto, deve reconhecer sua dependência de Deus. Essa evidencia também que o homem goza de uma privilegiada relação com Deus, porque a sua realidade de “imagem” põe-no em condições de ser sinal e reflexo, ainda que imperfeito, da grandeza, potência e bondade divinas.
A expressão “imagem de Deus” explicita que a dependência do homem de Deus não é momentânea, isto é, ligada apenas ao ato criador, mas reveste toda a existência. De fato, a imagem é relativa àquele do qual é reflexo de modo contínuo. Sem exemplar, não existe a imagem e essa sua relação e dependência não é algo de extrínseco ao ser humano, mas representa a realidade mais profunda e a própria perfeição. Como a figura projetada sobre um espelho depende do original, assim o homem recebe consistência e significado da sua permanente relação de dependência de Deus, de quem é “imagem”.
Segundo a narrativa do Gênesis, o homem foi idealizado, desejado e chamado à existência para cumprir o papel de “imagem de Deus”.
Tal papel não é uma forma acidental que se acrescente ou seja imposta de maneira externa à substância humana, mas é o modo de ser e de comportar-se próprio da pessoa que tem Deus como ponto de referência e destino final.
Além de seu peculiar relacionamento de criatura com Deus, o homem tem uma posição no universo, uma dignidade e funções que o caracterizam e o distinguem de todos os outros seres. O homem participa, ao mesmo tempo, da natureza dos seres inferiores (= “pó da terra”) e da natureza de Deus (= “hálito da vida”: Gen. 2,7).
Por ser feito à “imagem de Deus”, o homem possui bens e cultiva aspirações que os outros seres não possuem e não cultivam. Quem desrespeita o homem, desrespeita a Deus, de quem o homem é imagem.
Como “imagem de Deus”, a criatura tem a obrigação de comportar-se em harmonia com essa sua dignidade. (Até aqui está no blog)
1.2.2. Interlocutor de Deus
No concerto da criação, o homem é o único ser que tem a capacidade de manter um relacionamento dialogal com Deus. No mesmo momento em que Deus com seu “sopro vital” constitui o homem em seu próprio ser, infunde-lhe o desejo ardente do diálogo e do encontro com Ele. Depois de tê-lo criado “à sua imagem”, Deus não abandona o homem como se não estivesse mais interessado em seu futuro. Pelo contrário, Deus fala com ele, dá-lhe a possibilidade e a capacidade de conhecê-lo, entretém-se familiarmente com ele, manifesta-lhe a sua vontade. O diálogo de Deus com o homem inicia-se no primeiro instante da criação de Adão, no jardim do Éden. E não terá mais fim. Enquanto Deus comanda as outras criaturas de modo impessoal, ao homem Ele se dirige como pessoa livre e espera uma resposta (cf. Gen. 2, 16-17; Sir. 17, 1-11).
Portanto, o homem não é uma realidade casual.
É um ser chamado a cultivar a “imagem de Deus”que é ele. Deus, após tê-lo criado, manifesta-lhe suas propostas de diversas maneiras e o estimula a acolher os seus dons.
Instaura-se assim um diálogo em que Deus chama e o homem é solicitado a responder. A vocação evoca esse diálogo não isento de dificuldades e incertezas, de adesões e resistências, porque o homem pode condicionar ou também opor-se às iniciativas gratuitas com as quais empenha-se em colaborar com ele, para ajudá-lo a tornar-se o que ainda não é. Apesar dos obstáculos e das resistências do homem, Deus persiste em envolvê-lo no seu desígnio de amor.
O homem deve convencer-se de que valoriza sua existência à medida em que vive sua relação com Deus, numa atitude igual à da relação entre um pai e um filho.
1.2.3. Aberto aos seus semelhantes
Um outro dado que brota da descrição simbólica dos primeiros capítulos do Gênesis é que o homem é, por natureza, um ser social. Isso o leva a descobrir em si mesmo uma inegável aspiração de comunicar-se com os outros homens. A complementariedade e a interdependência especificam seu modo de ser e de viver. O caminho da sociabilidade é aquele que o homem deve percorrer, se quer se realizar.
Isso se deduz do fato de que Deus não criou o homem como indivíduo independente, mas como pessoa, isto é, como sujeito que é, ao mesmo tempo, princípio, centro e fim de relações. Desde sua criação, não quer que o homem permaneça só. Ao seu lado, pôs uma ajuda que lhe fosse semelhante (cf. Gen. 2,18), para que através da mútua colaboração o homem e a mulher, cada um a seu modo, contribuíssem para a própria complementação e o próprio amadurecimento.
A união do homem e da mulher representa a primeira forma terrena de comunhão de pessoas. Dessa deriva e nela se inspira, dentro de certos limites, toda forma de vida em sociedade, atenta a salvaguardar uma livre e fecunda troca de relações entre as pessoas, baseada não na prepotência e na força, mas no amor. Para exprimir a aliança estabelecida com o povo de Israel, e o próprio Deus evoca o simbolismo das núpcias (cf. Os. 2,16s. 21s.; Jer. 2,2.20; 31,3; Ez. 16, 1-43. 59-63).
Relativo por constituição, o homem percebe que sua progressiva realização depende de um contínuo dar e receber. Seu crescimento não pode estar separado daquele dos outros homens. Portanto, os homens devem empenhar-se, juntos, em colaborar, para que todas as pessoas e as comunidades cresçam em humanidade, visto que toda vocação, mesmo sendo pessoal, guarda em si mesma uma exigência comunitária.
1.2.4. Artífice do seu destino
O homem é uma criatura sociável a quem Deus faz suas propostas e de quem espera uma resposta. Nesse contexto de chamado e de resposta, está o discurso das livres opções do homem, das responsabilidade que dela brotam e da sua vocação para construir o próprio destino.
O dom da existência, que Deus deu ao homem, não é uma realidade pronta e acabada que deve ser acolhida e conservada passivamente. É um projeto que o homem é convidado a receber, potencializar e completar com a contribuição de seu empenho e de suas firmes decisões para que se realize como homem, cultivando seus dotes e partilhá-los com os outros, em espírito de autêntica fraternidade.
Junto com o dever de encaminhar-se em direção a sua plenitude, o homem tem também a obrigação de procurar por si mesmo os caminhos para conseguí-los. Não se trata de inventá-los, mas de descobrí-los através da leitura dos impulsos internos e dos acontecimentos com os quais Deus acompanha o homem na integração da própria iniciativa com a divina.
O tempo que o homem tem à sua disposição sobre a terra é um tempo de empenho e de responsabilidade. Um tempo em que ele prepara o que quer ser, com escolhas que respeitem sua dignidade de homem e as finalidades para as quais foi criado, sem esconder ou estragar os dons que Deus lhe concedeu.
Infelizmente, não é sempre assim. Criado para viver unido a Deus e a dialogar com Ele, o homem pode eximir-se de aceitar esse destino. Não por acaso, as primeiras palavras que Deus dirige ao homem assumem a forma de uma proibição que põe à prova o exercício da liberdade humana: “Tu poderás comer de todas as árvores do jardim, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves, comer, porque, quando dela comeres, certamente morrerás”(Gen. 2,16-17).
A proibição e as sanções contidas nesse texto das Escrituras mostram que Deus considera o homem capaz de responder “sim” ou “não” aos seus mandamentos e que suas respostas trazem conseqüências positivas ou negativas para o presente e o futuro de sua existência.
É verdade, porém, que mesmo quando o homem se mostra surdo às ordens e aos convites de Deus e se afasta d’Ele, recusando-se a escutá-Lo, Deus continua a oferecer-lhe sua amizade, confirmando sua disponibilidade em retomar o diálogo interrompido pela criatura, para que esta se encontre e dê o melhor de si mesma na atuação do desígnio divino, do qual depende a construção do próprio destino temporal e eterno.
1.2.5. Colaborador de Deus
Logo que são criados, homem e mulher recebem a missão de comunicar a vida com o objetivo de povoar a terra, dominá-la (cf. Gen. 1, 26-28) e transformá-la em uma casa para seus filhos. Todas as outras criaturas a eles estão sujeitas (cf. Gen. 1,28; 9,7). Isso leva o salmista a perguntar-se “que é o homem para que dele Tu te lembres? Contudo Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos e o coroaste de honra: a ele deste poder sobre as obras de tuas mãos, tudo colocaste sob seus pés” (Salmo 8, 5-7).
O homem existe para desenvolver uma função específica no mundo. Sua vocação é uma vocação histórica. Ele é chamado à existência para que tome a direção do mundo, colocando-o a serviço das exigências da vida humana e conduzindo-o à plenitude de sua evolução, consciente de agir como colaborador e como executor das intenções divinas sobre a criação. E da criação o homem pode dispor como verdadeiro senhor (cf. Gen. 1,28; Sab. 2,23), contando que respeite o fim último da mesma criação e que não diz respeito à sua própria exaltação, mas à glorificação de Deus.
1.2.6.Coroamento da criação
Por causa de sua semelhança com Deus, o homem aparece como o “contro e o vértice”(GS. 14) do mundo material. Ele é chamado à existência depois das outras coisas. Em sua criação, há uma ação direta e especial de Deus. Se antes de seu aparecimento o mundo era apenas “bom” (Gen. 1, 25), após ele, o mundo torna-se “muito bom” (Gen. 1,31).
A “imagem de Deus” esculpida no homem faz dele, verdadeiramente, o coroamento de toda a obra criadora, o ponto mais alto em que brilha mais viva a presença e o poder de Deus. É verdade que a “imagem de Deus” foi deturpada pelo pecado e, portanto, também a criação “foi subemetida à vaidade” ( Rom. 8,20). Todavia, em sua condição de espírito encarnado, inserido no mundo, o homem, se não se fecha no próprio egoísmo mas se se deixa penetrar pelo dinamismo do amor divino, readquire a capacidade de “prolongar a obra do Criador”e de dar “uma contribuição pessoal” à realização do plano providencial de Deus na história (GS. 34). Ele colabora assim “com a própria ação para completar a divina criação”(GS. 67), transformando-a numa habitação do homem que corresponda ao desígnio que Deus tenha quando lhe imprimiu seu impulso criador.
2. “TEVE ASSÍDUO CUIDADO COM O GÊNERO HUMANO” (D.V. 3)
No A.T. se delineiam dois tipos de vocações: uma coletiva e outra individual. A vocação coletiva se identifica com o chamado a formar um povo santo e sacerdotal que vive em aliança com Deus (cf. Ex. 19,3-6); as vocações individuais são ordenadas a desenvolver um ministério particular no meio do povo de Deus; tendem por si mesmas à formação e ao crescimento do povo Deus; são muitas as respostas concretas de Deus aos “gemidos” do povo (cf. Ex. 2, 23-4,9). Pondo-se ao serviço da comunidade, os chamados, com suas missões, promovem a fidelidade do povo à aliança. Veremos a seguir, algumas vocações individuais do A.T. De cada vocação será ilustrada a origem, a missão e a resposta, a realização do chamado no plano pessoal.
2.1. CHAMOU ABRAÃO PARA FAZER DELE UM GRANDE POVO
A vocação de Abraão (Gên. 12,1-3) é assim fundamental na economia do livro de Gênesis, por constituir uma virada decisiva para a história da humanidade. Com a humilde submissão de Abraão e dos Patriarcas a Deus, a história da desobediência e das maldições, iniciadas no jardim do Éden (cf. Gên. 3,17), se transforma em história da obediência e da bênção.
O relato da vocação de Abraão é inserido num contexto mais amplo constituído de cinco trechos assim articulados: apresentação do país de Abraão e da descendência de Taré (Gên. 11,27-32); vocação de Abrão com relativo convite a deixar a sua terra para ir ao país que o Senhor lhe havia mostrado (Gên. 12,1-9); tentação de abandonar a terra prometida pelo rico país do Egito (Gên. 12,10-13,1); retorno à terra prometida (Gên. 13,2-18) e luta contra os inimigos para não perder o dom divino (Gên. 14,1-24).
2.1.1. Chamado Divino
Com a diferença das outras vocações bíblicas, aquela de Abraão é introduzida secamente com estas palavras: “O Senhor disse a Abrão” (Gên. 12,1).
É Deus que com a sua palavra criadora irrompe na vida deste arameu errante (cf. Dt. 26,5) e o transforma de politeista em monoteista, para fazer dele o pai de todos os crentes (cf. Rom. 4,11-12). A intervenção de Deus imprime uma nova orientação a toda a sua vida.
O chamado vem seguido de uma ordem precisa: “Deixa a tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar” (Gên. 12,1). Isto supõe uma progressiva e real manifestação de Deus a Abraão, que culmina no chamado do qual a Escritura não conservou recordação. A existência de um fato místico, pelo qual Abraão foi feito objeto em Harã e que assinala o início de uma nova humanidade e de uma nova terra, não se pode colocar em discussão.
A palavra de Deus que chama tem a força de arrancar Abraão do seu ambiente sócio cultural e de conduzí-lo a uma terra por ele desconhecida lançando-o num caminho de fé, cujo sentido excede a sua existência, investe toda a humanidade e se manifesta plenamente somente no século futuro (cf. Gál. 3,16). Como se pode ler na carta aos Hebreus, chamando Abraão, Deus lhe fez o pedido com a fé, numa obediência heróica: “pela fé Abraão, chamado por Deus, obedeceu partindo para um lugar sem saber por onde andava” (Heb. 11,8). Todavia Abraão sabia, que podia contar totalmente com a ajuda de Deus, que manifestou-se a ele como seu protetor: “Nada temas, Abraão! Eu sou o teu protetor” (Gên. 15,1).
2.1.2. Missão de Abraão
Convidado a deixar seu país, pátria, casa paterna para receber como sorte a bênção, Deus confia a Abraão a missão de ser um mediador e transmissor de bênção: “Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti” (Gên. 12,2-3).
A sua missão de mediador e de abençoador para a humanidade inteira se entende não somente no contexto da história primitiva (Gên. 1-11): como pela desobediência de Adão a maldição recai sobre toda a humanidade (cf. Gên. 3,14-17; 4,11; 5,29; 9,25), assim pela obediência de Abraão a bênção de Deus passando por Isaac (Gên. 25,11) e Jacó (Gên. 27,30; 28,14), alcança Israel e em Cristo, o herdeiro da promessa (cf. Mt. 1,1; Gál. 3,16), verifica-se a participação da humanidade inteira.
Com Abraão a bênção de Deus retorna sobre a terra.
Ser bênção: esta é a vocação-missão de Abraão. Obterá a bênção, que flui de Abraão, a quem, como ele, crê e obedece ao Senhor. De Abraão se diz: “Crê no Senhor, como Abraão teve fé” (Gál. 3,9; Rom. 4,18).
2.1.3. Resposta ao chamado de Deus.
A Abraão Deus pede uma ruptura radical com todas as ligações naturais e a partida imediata de sua terra. O imperativo “vattene” exprime de fato uma dúplice exigência da vocação: ruptura com o seu passado pagão, representado pela separação de tudo isto que tinha de mais caro, e imigração a um país escolhido por Deus e por ele desconhecido. As promessas de Deus são ligadas à execução de uma ordem “Então Abraão partiu como o Senhor lhe havia dito” (Gên. 12,4). Do “êxodo” de Abraão de sua região são lembradas as etapas de partida e de chegada (Harã e Canaã), das quais algumas paradas são significativas em sua demorada peregrinação à terra prometida: Siquëm e as montanhas do Oriente de Betel. Abraão atravessou a terra de Siquém, até o carvalho de Moré, Deus se manifesta a Abraão e renova a promessa (Gên. 12,7a); em Siquém Abraão constrói o primeiro altar e oferece o culto ao Senhor que o havia chamado (Gên. 12,7b). A segunda parada foi num lugar sobre a montanha ao oriente de Betel (Gên. 12,8). Estes dois lugares passaram para a história como santuários patriarcais. De Betel Abraão se transfere à Negeb, onde se acampa até que sobreveio uma fome na Região e sendo grande a miséria Abraão desceu ao Egito para aí viver algum tempo (Gên. 12,9-19).
2.1.4. Pai ao preço de uma vida
A resposta à vocação-missão de ser mediador e transmissor de bênçãos para todas as gentes deixa Abraão em momentos dramáticos. Deus de fato lhe pede o sacrifício de uma tríplice separação da sua Região, do seu país de origem e da casa de seu pai. Em seguida àquela mesma palavra lhe pedirá para imolar o filho pela promessa: “Toma teu filho, o teu único filho que amas, Isaac, vá ao território de Moriá e oferece-o em holocausto sobre um monte que eu te indicarei” (Gên. 22,2).
A ordem do Senhor é determinante: Abraão deve deixar a sua segurança em troca de uma terra que lhe será indicada e de uma promessa tendo em vista a descendência, também esta projetada no futuro. A promessa da descendência pesa por demais contra a evidência: Abraão é velho de 75 anos (Gên. 12,4) e Sara sua mulher, é estéril (Gên. 11,30). Com o passar dos anos, Abraão vê se esvair a esperança na promessa, tanto que dirá ao Senhor: “Eu me vou sem filhos e o herdeiro de minha casa é Eliezer de Damasco” (Gên. 15,2-3). Será a palavra de Deus a assegurar a Abraão, mas a promessa é ainda outra vez projetada no futuro: “Não é ele que vai ser teu herdeiro mas aquele que vai sair de tuas entranhas” (Gên. 15,4). É crendo na Esperança (divina) contra a esperança (humana), que Abraão se torna pai de uma multidão de pessoas (Rom. 4,18). A sua fé não vacilou nem mesmo quando, do nascimento de Isaac, Deus lhe pediu para oferecer em sacrifício o filho da promessa que tanto amava.
É a fé em Deus a sustentar Abraão pela via da obediência e a dar-lhe a força para deixar um destino seguro para receber a sorte na esperança de uma terra nova e um povo numeroso, e ser uma bênção para todas as famílias da terra. No seu caminho de fé, Abraão é sustentado pela promessa divina, que sempre o acompanha, e a fidelidade de Deus à palavra dada; uma palavra que pouco a pouco se manifesta em toda a sua caminhada e faz com que o futuro se torne presente.
2.1.5. Realizações pessoais de Abraão.
A realização da nova personalidade de Abraão passa pelo caminho do sacrifício de alguns valores terrenos (país, pátria, casa paterna) e comporta a adesão plena à promessa de Deus. Ao subtrair Abraão de um destino seguro, Deus lhe traça um outro plano de muito superior: “Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. (Gên. 12,2). A fé heróica e a obediência pronta não comprometem a personalidade de Abraão; ao contrário contribuem para realizar nele um projeto de Deus que quer fazer dele o “grande pai de uma multidão de pessoas” (cf. eclo. 44,19). É de fato a bênção divina a tornar Abraão muito fecundo e a fazer dele “nações” (Gên. 17,6).
O fato é notado pela própria troca do nome: “Não te chamarás mais Abrão, mas te chamarás Abraão, porque pai de uma multidão de povos” (Gên. 17,5). Não obstante a sua formulação ao futuro, Abraão antegoza em “germe” as promessas de Deus. No nascimento de seu filho Isaac de Sara, com noventa anos e estéril, Abraão, centenário, vê realizarem-se os seus desejos e adquire a certeza que todas as palavras do Senhor, mesmo que projetadas no futuro, terão pleno cumprimento.
“Ajudar a todos, dar alegria a todos, servir a todos, grandes e pequenos, familiares e estranhos: esta foi a verdadeira missão de Antonieta” durante toda a sua existência.
(Vida de Família 1/1998)
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