sexta-feira, 9 de março de 2012

Estudo - Sexênio - Texto 4

  4 - A POBREZA
“Cada um fique satisfeito com o que tem, pois Deus disse: “Eu nunca te deixarei, nunca te abandonarei”. Não vos esqueçais de ser generosos, e reparti com os outros, porque são esses os sacrifícios que agradam a Deus”.
Caríssimas,
Somos fascinados pelo chamado para uma vida de pobreza, que desejaríamos sempre mais radical. Por que? A resposta é para procurar naquela liberdade que a verdadeira pobreza, doa ao nosso coração e que nos permite ver Deus, de permanecer n’Ele, de amar e servir os irmãos. Experimentamos também quanta angústia provém do possuir-se e do possuir, quanta cobiça se pode tomar conta dos nossos corações, quanta procura de apoios e de segurança, quanto empenho para defender aquilo que possuímos.
Sofremos uma profunda luta interior entre as seduções das múltiplas riquezas, que aparentemente nos satisfazem, nos dão poder e domínio e aquela necessidade de esvaziamento para dar espaço ao Amor. A conquista do dom da pobreza é uma luta árdua. Inicialmente somos muito generosos, depois terminamos com o falar dela tanto e diante das dificuldades temos sempre a disposição múltiplas justificativas e pouco a pouco empreendemos a estrada dos compromissos. Deveria ser familiar para quem se professa cristão, viver alegremente, a pobreza na contínua descoberta da própria condição de criatura que se sente chamada por amor à existência pelo Pai celeste, que é por Ele mantida em vida e que está no caminho para Ele. A sincera e pacífica descoberta do próprio nada e da própria pequena realidade de criatura, levará a abrir-se todos a si mesmos ao acolhimento do Senhor até repetir e viver: “tu és Senhor o único e verdadeiro Bem!”     
O Pai não só nos criou, mas, também nos tornou todos irmãos em Jesus que nos salvou pela graça, nos quis parte de um universo infinito e nos chama á existência neste precioso momento histórico. O nosso caminho sobre a terra é n’Ele e com Ele e para Ele, não somente, mas é também junto aos outros irmãos e é dentro deste universo. Quando compreendemos tudo isto, o exercício da pobreza torna-se um empenho verdadeiramente sério porque se compreende que é necessário relacionar-se com tudo e com todos com coração livre, na dimensão da fraternidade que exige um amor de serviço recíproco, de ajuda, de comunhão e não uma atitude de domínio, de egoísmo e de exploração. Eis porque nos fazemos pobres: é a condição indispensável para amar Deus e os irmãos. Muitas de nossas tristezas e preocupações nascem do possuir: pouco ou muito, bens materiais ou espirituais...
Certamente a condição do pobre é envolvida também pelo escuro, pelo temor e incertezas. Fazer de Deus o único bem, por n’Ele toda confiança e amar os irmãos como Jesus nos ensina, esvaziar-se verdadeiramente o coração. Devemos passar pelo caminho do sofrimento e da cruz também sempre sustentada pela serenidade e pela força do amor.
A secularidade consagrada põe por sua natureza, nas condições comuns de vida, sem nenhum sinal de distinção e sem proteção. Viver a consagração na secularidade já exige uma anterior forma de pobreza, que é a partilha, sem separação das condições de vida dos nossos irmãos, para viver e testemunhar hoje, Jesus pobre e crucificado, único e verdadeiro Bem. Com sabedoria e simplicidade caminhamos, junto aos irmãos que o Senhor nos da, para construir o seu Reino de amor, partilhando presença, tempo, trabalho, fadiga. Nos empenhamos a testemunhar que se pode ter uma justa relação com os bens terrenos. Ela doa liberdade e conduz ao amor verdadeiro e é a relação mesma que Jesus nos testemunhou e ensinou. É uma pobreza que nos dá alegria mesmo se exige de nós tanto empenho, porque é plenitude da presença de Deus. È um aspecto específico da nossa pobreza de seculares consagradas, aquele andar cada  naqueles lugares nos quais a Providência nos coloca, para viver a nossa missão de presença evangélica; é a pobreza aquele contínuo silêncio que acompanha a nossa existência. É a pobreza de fermento que sabe desaparecer, do sal que sabe diluir e sabe dar sabor as pequeníssimas coisas da cada dia, instante por instante, sabendo permanecer só debaixo do luminoso e quente sol do amor de Deus.
Que coisa se interpõe a esta nossa pobreza de seculares consagradas?
Revisemos os nossos sentimentos, as motivações dos nossos comportamentos e reflitamos que a pobreza não é um conjunto de sim ou de não, não é só a distinção entre o necessário, ordinário e extraordinário, mas é o caminho da liberdade que conduz ao Amor e faz acolher o Amor. O Senhor nos dê muita generosidade para percorrê-lo.
(Vida de Família n. 01/93-94)
Porque ser pobres
É bom perguntar uma vez: porque viver na pobreza? Quando percebemos no profundo do coração o chamado do Senhor para segui-lo na vida consagrada secular, não pensamos logo e explicitamente nos conselhos evangélicos, mas estávamos fascinadas pela descoberta do chamado que estava tomando forma dentro da nossa existência.
O olhar do Senhor Jesus, que cada uma sentiu de um modo exclusivo e pessoal, moveu os nossos primeiros passos em direção d’Ele, fazendo-nos encaminhar ao seu mistério de amor.
Nós encontramos, assim, pouco a pouco, com o Cristo pobre; Ele, por nós, de rico se fez pobre, quis assumir a nossa condição humana e experimentar a nossa vida no completo abandono ao Pai.
Este é o mistério íntimo e pessoal de Jesus que ainda hoje vem re-propor aos seus amigos.
A nossa resposta para tanto amor passa através de um projeto de vida que vê no voto de pobreza um aspecto fundamental, porque é a condição indispensável de quem quer se colocar no seguimento de Cristo pobre. O nosso ser pobre, parte para esta sede de adesões a Ele pobre.
Se as reflexões sobre a pobreza não partem deste fundamento, nós avançamos em mil raciocínios áridos, feitos de quantidade, de números, limites, de ordinário ou extraordinário que podem ir para o infinito.
Certamente uma vida vivida na pobreza, pode ter tantas motivações também sociológicas e humanitárias, mas para nós é a expressão visível do encontro com uma pessoa: o Cristo pobre.
A confirmação, o artigo 11 da Regra afirma: “Cristo pondo toda sua confiança no Pai, embora apreciasse atenta e amorosamente as realidades criadas, escolheu para si e para sua Mãe uma vida pobre e humilde”. Ainda o art. 13 das Constituições diz: “Com o voto de pobreza a Irmã se empenha a conformar-se com Cristo no amor à pobreza”...
O Caminho     
Seguindo sempre o art. 11 da Regra, encontramos firmes pontos de referência aos quais retorno para uma confirmação:
  1. “...embora apreciasse as realidades criadas...” Cada realidade criada, todo bem verdadeiro, tem a sua origem no Criador, portanto é coisa boa. As realidades criadas devem sempre enviar-nos para o louvor de Deus e devem fazer-nos colocar a pergunta: porque estes bens são doados aos homens? Viemos exortar para um olhar atento e amoroso, dirigido para apreciar e para a descoberta do verdadeiro significado que têm em si e ao respeito a eles.
Isto é o contrário do uso exagerado, do consumo pelo consumo, da subversão e do egoísmo.
Nós somos convidados a escolha de uma vida pobre e humilde como fez Jesus, trazendo no coração uma apreciação atenta e amorosa para todas as realidades criadas. Isto tornará mais alegre a nossa escolha, exprimindo mais sensibilidade no diálogo com os irmãos em torno do valor e do respeito dos dons de Deus.
  1. Devemos procurar um “justo relacionamento com os bens temporais” na distância e no uso desses, e a regra para percorrer este caminho que as próprias matérias exigem devem ser simplificadas justamente para aprender a compreender e viver do essencial e a não fazer do que é verdadeiramente secundário tornar-se, ao contrário, central e essencial na nossa vida.
  2. A atitude prática para conquistar é a de tornar-se administradoras dos bens recebidos em favor dos irmãos. O administrador não possui nem aproveita dos bens para si mesmo, mas si sente responsável, sabe que deve prestar contas a Deus de quanto lhe foi confiado para o bem de todos.
Sejamos administradores dos bens materiais e dos talentos que nos foram doados, transformando toda a nossa vida, em serviço.
O caminho que devemos percorrer nos vê empenhadas na apreciação atenta e amorosa das realidades criadas; tal atitude produz ainda mais alegria a nossa escolha livre, de viver uma vida pobre e humilde, como Jesus e Maria e porque tudo isto não ultrapassa no vazio e no impreciso, procuramos uma justa relação com os bens terrenos, tendo como regra ou norma de ouro, o simplificar as nossas necessidades materiais e administração dos bens que nos são doados em favor dos irmãos, eliminando todo interesse pessoal.
No espírito das bem-aventuranças
O art 11 da Regra nos pede de descer ainda mais em profundidade “para purificar o coração de toda inclinação e avidez de posse e de dominação”. São inatos na nossa condição humana o possuir e o domínio, seja das coisas, que das pessoas, no trabalho e no serviço que o Senhor nos chama a desenvolver. São os múltiplos vínculos que produzem a nossa pessoa, privada de liberdade e incapaz de ver os verdadeiros valores, porque se está bastante empenhados no defender aqueles pequenos pontos que dão segurança e poder, sucesso e afirmação. É difícil descobrir estas tendências na posse e no domínio sem um confronto verdadeiro com a Palavra de Deus e sem a correção fraterna. Nos ajudam, também, os acontecimentos da vida pessoal e o que acontece a nossa volta, porque nos obrigam a refletir e a modificar os nossos comportamentos. Sobretudo somos obrigados a interrogar-nos a cerca das nossas relações. Descobrimos freqüentemente que temos esquecido de estar no caminho visando a casa do Pai como “peregrinos e forasteiros” neste mundo, porque nós estávamos muito ocupados em cuidar do sucesso de nós mesmos.
Na condição secular
Para nós é pedido viver no próprio cotidiano o mistério de Jesus pobre. O nosso testemunho se exprime nas comuns condições de vida, caminhando junto, aos irmãos que o Senhor nos dá e partilhando com eles todos os aspectos da vida.
O estilo de vida na simplicidade é essencialmente da secular consagrada, se faz silencioso mas, eficaz, chamando para os valores sobrenaturais, testemunho precioso acerca do limite que toda forma de classe e de consumo devem apenas ter, forte chamado de que a vida não é fim em si mesma e de que os bens que nos são dados não devem ser esbanjados ou possuídos mas valorizados e compartilhados.
Este caminho nasce do amor de Deus que se faz conhecer, para cada uma de nós, e ter sempre diante de si Jesus pobre, porta para a descoberta que todos os aspectos da vida podem ser vistos em uma luz nova e faça crescer em nós a exigência de uma vida essencial, simples, verdadeira, que se exprime com atitudes concretas no mundo.  
Reforcemos o nosso empenho, meditemos Regra e Constituições, verifiquemo-nos com as Responsáveis para que verdadeiramente possamos redescobrir as exigências da pobreza hoje.
Como irmãs, da P.F.F. fizemos votos de pobreza seguindo as nossas Constituições. Em particular são os artigos 13 e 14 que devem servir-nos de pontos de referência para uma constatação.
Ser chamadas para viver em uma mesma família significa empenhar-se em um projeto comum, contido na Regra e nas Constituições, que cada uma assume e exprime de um modo pessoal.
Isto vale também para a pobreza: partindo de uma base comum, cada uma concretiza de modo original e irrepetível, para segundo as condições nas quais se encontra para viver dos dons da graça, da generosidade da resposta.
Motivações de fundo
Olhando mais de perto o art. 13; encontramos indicados 3 (três) motivos fundamentais para abraçar a pobreza. Tais motivos devem ser meditados freqüentemente:
-          conformar-se com Cristo no amor à pobreza;
-          a repor as suas esperanças nos bens celestes;
-          tornar-se mais livre e disponível para o serviço aos irmãos.
Ajustar-se a Jesus Cristo
Se não vem de Jesus, de outro modo, nem a pobreza, nem mesmo a nossa vocação, teria motivo de ser.
È o encontro com Ele e a sua proposta para segui-lo na consagração secular, que nos faz descobrir o caminho da pobreza qual percurso necessário se si quer responder à vocação.
Isto no plano prático da vida de cada dia significa: o acolhimento do cotidiano, reconhecimento nele da presença de Deus, abandono dos nossos planos pessoais para cumprir à sua vontade, alegria de viver na nossa condição de seculares consagradas, onde sentimos o doce “peso” do abandono porque encontramos o Senhor da vida.
Pois, o quanto compreendido, se realiza através de um caminho contínuo de conversão que encontra alimento na Palavra de Deus, nos ensinamentos de Francisco e Clara, do fundador, das primeiras Irmãs e na sincera realização fraterna.
Ainda faz parte plena da conversão o exercício repetido para realizar o bem empreendido na humilde aceitação e superamento dos nossos tantos não cumprimentos, até quando Jesus se encarnar verdadeiramente em nós.
A pobreza é necessária em cada fase deste caminho, seja para acolher o chamado, seja para percorrer o caminho da conversão no humilde reconhecimento da nossa debilidade que cotidianamente deve abrir-se para a graça de Deus.
As esperanças nos bens celestes
As Constituições nos dizem para repor as nossas esperanças nos bens celestes. Isto é, nos vem recordar que estamos a caminho e que os muitos bens que nos acompanham, devem servir pra alcançar a Pátria definitiva e não devem, ser motivo de acúmulo, de ansiedade, de falsa segurança nem tão pouco de constituir deles ídolos.
O exercício da pobreza no reto uso de quanto nos foi dado, na distância necessária e na partilha, é muito importante para aprender a por a nossa confiança em Deus. São necessários sinais visíveis que digam para nós mesmos e a quem vive mais diretamente em contacto conosco, que a escolha da pobreza é um fato real.
Somos pessoas, fraternidade, Instituto, que vivem a pobreza na condição secular e não daqueles que só fazem teoria. Adequado uso dos bens terrenos e toda a nossa existência devem exprimir a orientação definitiva visando o Sumo Bem através desta mesma vida terrena. A pobreza nos ajuda a ser testemunhas da vida eterna.
Liberdade e disponibilidade
Enfim, três motivos de fundo vêm lembrar que a pobreza torna livre a disponível para o serviço aos irmãos.  
Possuir-se e possuir são “atividades” que empenham energia e tempo e conduzem ao egoísmo. São caminhos que conduzem a dobrar-se sobre si mesmo, e pensar continuamente no próprio pequeno mundo. Quando se possui, depois, deve ser defendido e protegido e angústias e temores freqüentemente nos acompanham fazendo-nos esquecer que tudo nos foi dado em dom para que fosse administrado serenamente para o nosso bem e em generosa partilha. O art. 14 afirma: “pratique a economia nas despesas pessoais e generosidade em beneficiar o próximo, empregando os frutos dos seus sacrifícios em ajudar os necessitados”.
Na condição secular
É próprio da nossa forma de vida, conservar a propriedade dos bens, do dinheiro e administração desse. Isto significa fazer-se muito atentas no empenho da dependência e do limite que estão precisos nos parágrafos a, b, c, do art. 13.
Devemos estar muito atentas no empenho da dependência, no modo que aprendemos a viver em atitude de quem administra e não de quem possui, de quem voluntariamente abraçou um limite e não faz e desfaz a seu gosto. O limite e a dependência devem, pois, ser concretamente expressos e exercitados; não basta a atitude interior.
A este propósito nos foram dadas, aquelas normas que bem conhecemos: exposição da situação financeira; permissão para as despesas extraordinárias, prestação de contas.
Devemos sentir tanta alegria porque a Igreja nos dá estas modalidades para concretizar o voto de pobreza. Temos assumido livremente estas obrigações que são fontes, para nós, de alegria, não pelos gestos em si, mas pelas motivações que lhes sustentam.
São válidos meios, ajudas preciosas, que nos são doados no caminho do seguimento de Jesus.        (Vida de Família m. 4/93-94)
Interrogamo-nos
-          O Senhor Jesus é o inspirador e o fundamento do empenho para viver a pobreza?
-          Os bens celestes são já uma realidade hoje. As minhas esperanças onde são orientadas?
-          A minha atitude prática exprime o que?
-          Possuir-possuir-se; doar-doar-se; acumular-partilhar. O que faço na minha vida?
-          No viver concretamente a dependência e o limite, me acompanham atitudes de sinceridade, pontualidade, exatidão e alegria?

Estudo - Sexênio - Texto 3

3. A CARIDADE
“Irmãos, pela misericórdia de Deus, peço que ofereçais os vossos corpos com sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12,1).
   Caríssimas,
sentimos a urgência de uma reflexão contínua sobre a caridade fraterna, porque é a expressão máxima da nossa fé e aquele sinal visível, compreensível por tudo que caracteriza quem é chamado a seguir e servir Jesus Cristo.
Pelos nossos tantos limites e por tantas debilidades, pelo egoísmo, pelas angulosidades  dos nossos caracteres ou pela falta de educação para saber-nos querer bem, caminhando juntos como uma única família, nos descobrimos cotidianamente para constatar as tantas quedas, os desinteresses e as superficialidades.
O pensamento corre rápido, as nossas famílias, aquela natural e aquela espiritual, os irmãos que conhecemos e com os quais entrelaçamos múltiplas relações, a quantos encontramos cada dia e nos fazem tantas interrogações.
Se, entramos em discussão continuamente com nós mesmos e procuramos as motivações somente humanas para amar não sairemos de uma série de argumentos profundos aos quais permanece sempre o nosso eu pronto a justificar-se e a ter razão.
A Regra no art. 13 nos indica uma estrada luminosa, fascinante e liberal: “Como o Pai vê em cada homem as fisionomias de seu Filho, primogênito em uma multidão de irmãos, os franciscanos seculares acolhem todos os homens com ânimo humilde e cortês, como dom do Senhor e imagem de Cristo”.
O nosso modelo é o Pai que vê cada homem, sem nenhuma distinção, Jesus, seu Filho.
Ele encarnando-se no seio da Virgem Maria, partilhando a existência terrena dos homens, sofrendo por nós a paixão e morte de cruz, imprimiu as suas feições em cada pessoa e se fez Ele mesmo caminho e exemplo.
Na nossa vida de cada dia a vocação para a secularidade consagrada deve encontrar nestas verdades a força para manifestar-se; para compreender o verdadeiro amor, devemos viver em profunda concentração dentro destes mistérios.
A Regra nos oferece ainda, indicações para viver, este árduo projeto de vida, indicando-nos algumas modalidades: “com ânimo humilde e cortês” devemos acolher...
Cada irmão, então, é dom do Pai e imagem de Jesus e deve encontrar em nós sentimentos de humildade e cortesia, capacidade de atenção, de escuta, de compreensão ao mesmo tempo de transparência, clareza e verdade. O lugar onde a Providência nos chama para viver deve tornar-se ambiente privilegiado, onde estas questões de caridade devem fazer-se caminho através da nossa parte de uma busca atenta de atitudes corajosas, livres de equívocos e compromissos e simultaneamente, carregadas de amor humilde e cortês.        
É muito difícil seguir uma autêntica vida evangélica; não se isolar do ambiente no qual somos colocados pela vocação e conservar sempre no coração a humildade, a cortesia na acolhida de cada irmão como dom do Pai e imagem de Jesus.
Certamente não é fácil tudo isto no interior dos nossos grupos, onde a caridade, que sem dúvida nos move no referir-nos uma a outra, todavia nem sempre se exprime com atitudes concretas que tem o sabor da humildade e da cortesia. Com freqüência temos tarefa para anos de atitudes rígidas, incapazes de abrir-se para um amor mais generoso, que não dão á irmã a possibilidade de retornar-se sem dificuldade, ou de se re-inserir-se se vive um pouco “ás margens” da vida de família.
Então, irmãs, sintamo-nos “a postos!”
Todas temos necessidade de redescobrir novos modos de amar, todas podemos crescer na humildade e na gentileza dos relacionamentos fraternos em todas as direções e visando todos, todas temos necessidade de liberar-nos para qualquer coisa ainda...
A cada dia retornemos nosso caminho repetindo-nos: “Como o Pai...”. E também se nós descobrimos muitos defeitos, não desanimemo-nos. Os fracassos são freqüentemente o sinal que nós estamos nos empenhando a recomeçar novamente, quando se torna acessível aos irmãos que nos circundam, é o sinal vivo da nossa relação com a misericórdia de Deus, fonte infinita de amor, e pode ser de encorajamento a quem partilha, junto de nós, a mesma necessidade. O Senhor nos ensina a conhecer, amar, viver a nossa vocação.
Interrogamo-nos
Devemos responder de novo aquelas perguntas de base com as quais somos medidas tantas vezes:
-          Amamos verdadeiramente sem cálculos?
-          Os nossos relacionamentos fraternos são acompanhados de quais sentimentos?
-          Os nossos gestos e as expressões do nosso rosto, onde aprofundam suas raízes?
-          Que significado tem o chamado para a secularidade consagrada nesta dimensão de caridade fraterna?

Estudo - Sexênio - Texto 2

2.       SECULARIDADE E CONSELHO EVANGÉLICO NO MAGISTÉRIO

V.C. 18 – “Os conselhos evangélicos, pelos quais, Cristo convida alguns a partilharem a sua experiência de pessoa virgem, pobre e obediente, requerem e manifestam, em quem acolhe o convite, o desejo explícito de conformação total com ele. Vivendo “na obediência, sem nada de seu e na castidade”, os consagrados professam que Jesus é o modelo no qual toda a virtude alcança a perfeição. Na verdade, a sua forma de vida casta, pobre e obediente apresenta-se como a maneira mais radical de viver o Evangelho sobre esta terra, um modo – pode-se dizer – divino, porque abraçado por ele, Homem-Deus, como expressão da sua relação de Filho Unigênito com o Pai e com o Espírito Santo. Este é o motivo por que, na tradição cristã, sempre se falou da objetiva excelência da vida consagrada”.
Paulo VI (02/02/72) – n.12 - “Os conselhos evangélicos geralmente nas outras formas de vida consagrada, adquirem um significado de especial atualidade no tempo presente: a castidade se converte em exercício e em exemplo vivo de domínio de si e de vida no espírito, tesa ás realidades celestes, em um mundo que se dobra sob si mesmo e libera sem controle os próprios instintos; a pobreza torna-se modelo de relação que se deve ter com os bens criados e com o seu reto uso, com uma atitude que é válida, seja nos países desenvolvidos, onde a ânsia de possuir ameaça seriamente os valores evangélicos, seja nos países menos dotados, onde a vossa pobreza é sinal de solidariedade e de presença com os irmãos carentes; a obediência torna-se testemunha da humilde aceitação da mediação da Igreja e mais em geral, da sabedoria de Deus que governa o mundo através das causas secundárias; e neste momento de crise de autoridade, a vossa obediência se converte em testemunho daquilo que é a ordem cristã do universo”.
Paulo VI 20/09/72 – “Viveis uma verdadeira e própria consagração, segundo os conselhos evangélicos, mas sem a plenitude de “visibilidade” própria da consagração religiosa; visibilidade esta que é constituída não só pelos votos públicos, mas também por uma vida comunitária mais íntima e pelo “sinal” do hábito religioso. A vossa é uma forma de consagração nova e original, sugerida pelo Espírito Santo, para ser vivida no âmbito das realidades temporais, e para imprimir a força dos conselhos evangélicos – ou seja, dos valores divinos e eternos – aos valores humanos e temporais.
14 “... a vossa pobreza diz ao mundo que se pode viver entre os bens temporais e se podem usar os meios da civilização e progresso sem ser escravo de nenhum deles; a vossa castidade diz ao mundo que se pode amar com o desinteresse e a inesgotabilidade que chegam ao coração de Deus, e que é possível dedicar-se alegremente a todos, sem se ficar ligado a ninguém, dedicando-se, sobretudo, aos mais abandonados; a vossa obediência diz ao mundo que se pode ser feliz mesmo sem fazer uma cômoda escolha pessoal, mas ficando plenamente disponível à vontade de Deus, como se apresenta na vida quotidiana, pelos sinais dos tempos e pelas exigências de salvação do mundo de hoje”.
Dos discursos de João Paulo II (1980) - “As pessoas consagradas que abraçam os conselhos evangélicos, recebem uma nova e especial consagração que, sem ser sacramental, as obriga a criar propriamente no celibato, na pobreza e na obediência, a forma de vida praticada pessoalmente por Jesus, e por Ele proposta aos discípulos. Assim sendo, estas diversas categorias, manifestações do único mistério de Cristo, os leigos têm como característica peculiar, também senão exclusiva, a secularidade, os pastores, a ministeriabilidade, os consagrados, a especial conformação a Cristo, virgem, pobre, obediente.
Enquanto membros de um Instituto Secular, vós quereis ser alguém pelo radicalismo do vosso empenho em seguir os conselhos evangélicos de uma maneira tal que, não somente ela não muda a vossa condição – vós sois e permanecem leigos – mas que a reforça, no sentido que o vosso estado secular seja consagrado, seja mais exigente, e que o empenho no mundo e pelo mundo, exigido para este estado secular, seja permanente e fiel.”
João Paulo II (26/08/88) – “...mas tendes também acolhido a mensagem conexa com tal dignidade: aquele empenho pela santidade, pela perfeição da caridade; aquela de corresponder à vocação dos conselhos evangélicos, nos quais se efetua uma doação de si para Deus e para Cristo, com coração indiviso e com pleno abandono à vontade e a guia do Espírito. Tal empenho vós o efetua não vos separando do mundo, mas de dentro das complexas realidades do trabalho, da cultura, das profissões, dos serviços sociais da toda espécie. Isto significa que as vossas atividades profissionais e as condições de partilhas com os outros leigos e dos cuidados terrenos serão o campo de prova, de desafio, a cruz, mas também o apelo, a missão e o momento de graça e de comunhão com Cristo, no qual se constrói e se desenvolve a vossa espiritualidade.”
“a vida cotidiana dos consagrados e das consagradas diz o Santo padre (02/02/02) na jornada pela vida consagrada torna-se luminosa pelo assíduo contato com o Senhor no silêncio e na oração, pela gratuidade de amor e de serviço especialmente pelos mais pobres, testemunha que a liberdade é fruto de ter encontrado a pérola preciosa (Mt 13,45-46), Cristo, pelo qual se está disposto a abandonar tudo, afetos e seguranças terrenas, dizendo com alegria: “Mestre te seguirei onde quer que vás (Lc 9, 57). Eis o percurso de tantos consagrados e consagradas em muitas partes da terra, que alcançaram também até o dom supremo da vida, com o martírio. Em tal profunda relação de amor por Cristo e do caminho espiritual sob as suas pegadas está contida toda esperança de futuro pela vida consagrada que requer um empenho pessoal, consciente, voluntário, livre, amoroso visando a santidade”.
Repartir de Cristo n.13 – “Os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, vividos por Cristo na plenitude da sua humanidade de Filho de Deus e abraçados por seu amor, aparecem como uma via para a realização plena da pessoa em oposição á desumanização, um poderoso antídoto para a corrupção do espírito, da vida e da cultura; proclamam a liberdade dos filhos de Deus e a alegria de viver segundo as bem-aventuranças evangélicas.”
R.C. n. 20 – “O chamado a reencontrar as próprias raízes na espiritualidade abre caminho ao futuro. Trata-se, em primeiro lugar, de viver em plenitude a teologia dos conselhos evangélicos a partir do modelo de vida trinitário, de acordo com os ensinamentos de Vita Consecrata, com uma nova oportunidade de confrontar-se com as fontes dos próprios carismas e dos próprios textos constitucionais, sempre abertos a novas e mais comprometedoras interpretações.”
Interrogamo-nos:
- Que coisa podemos dizer sobre os conselhos evangélicos no mundo de hoje?
- Como devemos relatar a respeito dos desafios do novo milênio?
- Posso dizer, de verdade, conhecer o documento “Vita Consecrata”?
“Antes de formar-te no seio materno, te conhecia, antes que tu nascesses, eu te consagrei; te constitui profeta das nações” (Jr 11,5). A nossa resposta se traduz concretamente...

Estudo - Sexênio - Texto 1

Tema: Vivamos um seguimento radical de JESUS

1.       Consagração Secular
Como toda vocação, em especial a consagração secular “tem as suas mais profundas raízes na consagração batismal e dele constitui uma expressão mais perfeita” (PC. 5)
Batismo e vocação de especial consagração a Deus
A fonte batismal é o seio divino no qual se é gerado para a vida de Cristo e na qual se é chamado a permanecer se quer estar em condições de responder ao seu convite. O batismo é para a vida consagrada aquilo que a nascente é para o rio. Sugestivo e a propósito, um célebre texto de Tertuliano: “Nós somos os pequenos peixes segundo o nosso Peixe (Iktús), Jesus Cristo: nascemos na água. Não existe existência cristã que não brote desta nascente de água viva”.
Vida consagrada: identidade e conteúdo
Cada forma de vida consagrada, portanto, não é senão a realização plena da vocação batismal. É dentro deste contexto que se compreende a sua identidade e vão situados os seus conteúdos. Podemos referir-nos e considerar o parágrafo 44 da Lúmen Gentium, retomado também em termos diversos pelo Código.
Pelo C.D.C. Can 573 – parágrafo 1 – A vida consagrada pela profissão dos conselhos evangélicos é uma forma estável de viver, pela qual os fiéis, seguindo a Cristo mais de perto sob a ação do Espírito Santo, consagram-se, totalmente a Deus sumamente amado, para assim, dedicados por um título novo e especial á sua honra, á construção da Igreja e a salvação do mundo, alcançarem a perfeição da caridade no serviço do Reino de Deus e, transformados em sinal preclaro na Igreja, preanunciarem a glória celeste.
Parágrafo 2 – Assumem livremente esta forma de vida nos institutos de vida consagrada, canonicamente erigidos pela Igreja, (recordamos que a PFF, é um Instituto Secular de Direito Pontifício), os fiéis que, por meio dos votos ou de outros vínculos sagrados, conforme as leis próprias dos institutos, professam os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência e, pela castidade à qual, esses conduzem, unem-se de modo especial á Igreja e a seu ministério.
Se o convite para a santidade é dirigido aos batizados, o chamado para a perfeição da caridade, em uma relação mais estreita com a Divindade, não é para todos. Exatamente por isso, é necessário se por na ESCUTA para perceber, como os Apóstolos, a voz de Jesus que convida: segue-me, e imediatamente, deixam as redes e o seguiram (Mt 1,18). Não existem dúvidas ou hesitações nos discípulos, existe a certeza que dá a força de abandonar tudo.
“Pelos votos ou outros sagrados laços de natureza semelhante ao voto, o fiel se obriga aos três mencionados conselhos evangélicos. Entrega-se todo ele a Deus sumamente amado, de tal modo que por um novo e peculiar título é ordenado ao serviço de Deus e à sua honra. Pelo Batismo ele está morto para o pecado e consagrado a Deus. Mas para que possa colher frutos mais abundantes da graça batismal, procura pela profissão dos conselhos evangélicos na Igreja, livrar-se dos impedimentos que o possam afastar do fervor da caridade e da perfeição do culto divino e consagrar-se mais intimamente ao serviço divino. Esta consagração será tanto mais perfeita, quando melhor Cristo, unido à sua esposa, a Igreja, por vínculo indissolúvel, for representado através de vínculos mais sólidos” (L.G. 44).
O texto não se propõe em definir a vida consagrada em termos abstratos, mas de por á luz os elementos concretos em relação:
-          á natureza da consagração,
-          o batismo como primeira consagração sobre o qual se enraíza a profissão dos conselhos evangélicos,
-          e em ordem ao seu caráter esponsal definitivo.
A vida consagrada é constituída pelos votos (ou vínculos por sua natureza semelhante aos votos); é este o elemento de base que define a vocação em especial consagração a Deus.
“Com os votos o fiel se obriga à observância dos três conselhos evangélicos”. É notório como contra esta escolha foi lançada a, seu tempo, a mudança; ela via nela um retorno à escravidão da lei. O problema é compreender o sentido destes vínculos. Eles vão concordar não com a anulação da liberdade do cristão, mas, como de libertação/liberdade. Quando dois esposos se empenham um ao outro sem reservas, excluindo também a idéia de uma possível infidelidade, nem por isso tornam-se escravos; exprimem ao contrário a verdade do seu amor e se previnem contra a sua morte a qual aconteceria se eles não se empenhassem lealmente um ao outro, em todos os sentidos.
A vida consagrada é um dedicar-se “totalmente” a Deus “sumamente amado”: é esta totalidade de dedicação a Deus, em autêntica plenitude de amor (“sumamente amado”), a motivação decisiva da vocação de especial consagração a Deus. Não só a Deus em primeiro lugar, mas Deus como razão de ser da vida consagrada; é nele que o consagrado encontra em  si mesmo, a relação com o mundo e com os outros.
A consagração implica em conseqüência, a totalidade do dom de si: não é só uma adesão do intelecto ou da vontade, mas uma resposta de toda pessoa humana, com a sua espiritualidade e a sal corporeidade, a sua afetividade e as suas emoções, a sua história, a relação de sua existência, vivenciada como “oferta/sacrifical” a Deus, á sua glória e ao serviço do seu Reino.
Os votos têm um caráter de meio, não de fim: o seu significado é da e conduzir a “liberar os impedimentos que poderiam distorcer o batizado do fervor da caridade e da perfeição do culto divino”. O coração, o centro e o sentido da vida consagrada, é portanto, a procura da perfeição da caridade, carisma dos carismas, sem o qual todo resto é inútil. (cf. Cor 13). A profissão dos conselhos evangélicos tem o propósito de fazer crescer na caridade, para conduzir o consagrado a fazer de toda a sua existência um sinal vivo de Deus caridade. Antes dos votos, existe um único voto, o entregar-se a caridade de Deus, raiz e razão de tudo.
Consagrar-se quer dizer, deixar-se transformar pela caridade de Deus (caridade no sentido teologal), em uma caridade que se faz pobreza, castidade e obediência, ou melhor, em uma caridade na pobreza, em uma caridade na castidade, em uma caridade na obediência: amor pobre, amor casto, amor obediente. Reside neste núcleo a razão da profissão dos conselhos evangélicos. Pôr-se na estrada ou no caminho da consagração, significa situar-se em um caminho endereçado aquela perfeição da caridade na qual todos os batizados são chamados. O consagrado se faz, por dom de Deus, sinal vivo desta vocação comum.
A consagração secular como verdadeira e completa profissão dos conselhos evangélicos
A consagração secular é uma vida consagrada no sentido do chamado imediato e, portanto, uma forma de consagração em sentido pleno e total. Não é de algum modo uma via no meio entre a consagração religiosa e a consagração batismal; não é uma escolha pela metade do caminho. Tudo aquilo, que a consagração é na vida da Igreja, isto o é na consagração secular, seja também de modo particular.
No fim dos documentos da fundação, esta consciência aparece claríssima. Os membros dos Institutos Seculares se dedicam totalmente a Deus (PM a. 3), “professando a plena consagração a Deus” e “nada se deve impedir a plena profissão da perfeição cristã” (PFV). “Os Institutos Seculares – tem afirmado o Concílio na Perfectae caritatis 11 – implicam uma verdadeira e completa profissão dos conselhos evangélicos no mundo, reconhecida pela Igreja”. A consagração, para usar a linguagem de Paulo VI em 1972 “indica a íntima e secreta estrutura,  do vosso ser e do vosso agir. É aqui que se encontra a vossa riqueza profunda e velada, que os homens em cujo meio viveis não sabem explicar e, muitas vezes, nem sequer podem suspeitar. A consagração batismal foi ulteriormente radicalizada, após uma aumentada exigência de amor, suscitada em vós pelo Espírito Santo”.
O fato que esta forma de consagração seja para viver “no mundo e para o mundo” não comporta nenhuma redução das exigências de vida consagrada; pelo contrário, os faz assumir de modo próprio. É ainda Paulo VI “A vossa é uma forma de consagração nova e original, sugerida pelo Espírito Santo para ser vivida no âmbito das realidades temporais, e para imprimir a força dos conselhos evangélicos – ou seja, dos valores divinos e eternos - aos valores humanos e temporais”
Interrogamo-nos:
-          Recordar a história da salvação é narrar a obra de Deus para o seu povo. Nós imaginamos de quanto Deus operou na nossa vida?
-          “... estamos em condições de aspirar à perfeição da caridade...” estamos conscientes  desta riqueza?
-          Nos esforçamos para compreender, amar e cultivar os verdadeiros valores do mundo com uma participação cordial e responsável, fiel e paciente? (cfr Fil 4,8)     

quarta-feira, 7 de março de 2012

Parábola do Grão de Mostarda

Estudo sobre a parábola da Mostarda e do fermento
Duas parábolas que falam do extraordinário crescimento do reino dos céus:
         Duas faces de uma mesma moeda:
         Mostarda: crescimento do reino em extensão;
         Fermento: intensidade do crescimento do reino.
         A parábola do grão de mostarda
         Denominador comum com parábolas anteriores:
         (O semeador, A semente germinando secretamente, O joio e o trigo)
         Um homem: Jesus
         O campo: O mundo
         A semente: A palavra de Cristo

A semente da mostarda:
Extremamente pequena, é referida como a menor de todas as sementes que os ouvintes de Jesus poderiam conhecer (na verdade, maior que a semente da orquídea). No entorno do Mar da Galiléia, a mostarda, que era um arbusto normalmente de 1,25 m., podia chegar a ser uma grande árvore de até 5 m. de altura. Quando quis se referir a algo muito pequeno, Jesus mais de uma vez usou a semente da mostarda como tipo:

Mt 17.20 –
E ele lhes respondeu: Por causa da pequenes da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.
Há um contraste marcante: Pequenez da semente, grandiosidade da árvore em que se transforma quando madura! Assim também, o reino dos céus: o pequenino grão, semeado por Jesus há dois mil anos, cresceu e continuará crescendo até tornar-se árvore madura. Quando for pregado o Evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho de todas as nações, a árvore terá atingido o seu máximo tamanho, e então virá o fim. (Mt 24.14).
A idéia essencial, nessa parábola: O Reino de Deus estava começando na obscuridade, mas terminará em Glória! A grande árvore serve de abrigo e conforto para as aves de todo o  mundo!
Conotação positiva: Árvore que dá abrigo a gente de todas as nações. Conotação negativa:   As aves mencionadas podem ser agentes do mal; abrigam-se na árvore e trazem dissolução.
O crescimento positivo O Reino dos Céus cresce e dá abrigo a todos os que Deus chama. E nada há que possa obstacular o crescimento do Reino de Deus.
O crescimento positivo pode acontecer também na igreja, enquanto ela for a fogueira que mantém as brasas acesas que levam o Evangelho a toda criatura. Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho! Entenda-se aqui a “organização igreja” enquanto lugar de crescimento espiritual, aio para o caminho da Salvação; lugar de gozo, vestíbulo do Reino de Deus, de amor, de graça e de comunhão santa entre os crentes.
Alguns exegetas entenderam que o grão de mostarda bem poderia ser a Igreja, que começou humilde e perseguida, e hoje é uma grande árvore, na qual se abrigam as aves de todas as nações. Mas ...
REINO DOS CÉUS é diferente da Igreja
Conotação negativa
Mt 13.4 - E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram.
Mt 13.19 - A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
Jr 5.25,27 – 26 Porque entre o meu povo se acham perversos; cada um anda espiando, como espreitam os passarinheiros; como eles, dispõem armadilhas e prendem os homens. 27 Como a gaiola cheia de pássaros, são as suas casas cheias de fraude; por isso, se tornaram poderosos e enriqueceram.
Essa conotação negativa
não pode ocorrer em relação ao Reino dos Céus, pois nada poderá obstacular o Plano de Deus.
Logo a conotação negativa só pode ocorrer no âmbito da “organização Igreja”:
A igreja, sim,  pode sofrer um crescimento maligno: A igreja cresceu e hoje serve de abrigo a muitos que se usam dela para interesses e benefícios pessoais. Até chegam a ser grandes negócios! Aves más!
Ap 18.2, 3 – 2 Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável, 3 pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição.
Jesus advertiu os discípulos que a aparente grandiosidade da igreja pode ser extremamente negativa: Os verdadeiros crentes são na verdade um pequeno rebanho cercado de lobos!  Lc 12.32; Mt 10.16
Essa parábola guarda estreita vinculação com os ensinamentos de Jesus acerca dos pseudo-crentes (aves más) que podem estar no seio da igreja:
O pseudo-crente
Não tem grande fé em doutrinas e nem acredita que as Escrituras devam ser compreendidas; prefere desfrutar de um “cristianismo light”, sem esforçar-se muito;
Se impacienta diante da instrução, da experiência e da orientação;
O seu “EU” acha-se no centro de sua vida. Faz todas as coisas girarem em torno de si mesmo e seu verdadeiro propósito é agradar a si mesmo!
Quer lazer, conforto, segurança, e por isso pode ser encontrado dentro da própria igreja.
Pensa em termos de quem indaga: Que posso conseguir disso? O que isso me dará? Que benefícios terei se disso participar?
Sendo essa a sua atitude, não se dispõe a enfrentar o pleno ensino do Evangelho e nem deseja aprender todo o Conselho de Deus. Ele não enfrenta toda a Palavra de Deus!
Não se dá ao trabalho de estudar a Palavra do Senhor e nem é um autêntico estudioso da Bíblia.
É seletivo: lê e cita o que aprecia. Aprecia a doutrina do amor de Deus, mas não a doutrina da justiça de Deus.
A palavra de Deus foi semeada...
Mas as sementes caíram à beira do caminho, as aves as comeram, e elas não germinaram no coração desses “crentes”, que vivem a vida da igreja, mas não têm o verdadeiro compromisso cristão!
Aves más...
O verdadeiro crente está alerta: Ele trabalha pelo crescimento do reino, porém sabe que tem, perto de si, tanto lobos como aves malignas e ... até serpentes!
“O problema inquietantemente confrontado pelos discípulos de Jesus foi explicar como o Reino de Deus poderia de fato estar presente em um ensinamento tão insignificante como o que foi levado a efeito no ministério de Jesus. Os judeus esperavam que o reino fosse como uma grande árvore, sob cujos ramos as nações encontrassem abrigo. De que modo o esperado Reino glorioso poderia ter qualquer relação com aquele pequeno e pobre grupo de discípulos ? Rejeitado pelos líderes religiosos, bem recebido por publicanos e pecadores, Jesus parecia-se mais com um indivíduo desiludido do que aquele que deveria ser o portador do Reino de Deus.”
As aves más... Provavelmente laboram no mesmo erro em que laboraram aqueles que esperavam um Reino de poder, terreno, carnal, corrupto pela essência do ser humano. Pois examine-se o homem a si mesmo e aninhe-se como pomba simples nos ramos da verdadeira árvore que é o Reino dos Céus, e que pode estar em qualquer lugar!
A parábola do fermento
Incorpora a mesma verdade básica: O Reino de Deus um dia dominará sobre a toda a Terra, mas entrou no mundo de um modo que é de difícil percepção. Como o fermento, que não vemos que parece ser engolido pela massa, mas que age e leveda toda a massa.
A verdade central da parábola reside no contraste entre a absurdamente pequena quantidade de fermento e a grande massa de um bushel de pão que ele leveda e produz. O Reino de Deus um dia irá prevalecer ao ponto de não existir reino soberano que rivalize com ele. Toda a massa da “farinha humana” será fermentada!
A expectativa dos judeus:
A vinda do Messias, e do Reino do Messias, significaria uma mudança total na ordem das coisas: A presente ordem má do mundo e da sociedade humana seria completamente deposta pela presença do Reino de Deus! Mas Jesus pregou a presença do Reino de Deus, e tudo continuou como dantes. Nada mudou essencialmente. Como então crer em sua mensagem?
A resposta de Jesus:
Quando uma pequena quantidade de fermento é colocada na massa, nada parece acontecer. Mas algo acontece, de fato, e transforma completamente aquela massa! Transformação total! A ênfase da parábola reside no contraste entre a vitória final e completa do Reino, quando a nova ordem de coisas for inaugurada, e a forma presente e oculta do Reino pela qual se manifestou no mundo.   1 Co 13.11. Ninguém poderia imaginar que Jesus e seu pequeno grupo de discípulos pudesse ter qualquer relação com o Reino de Deus, futuro e glorioso. No entanto, aquilo que se encontra presente no mundo, desde então, é de fato o próprio Reino!
Parábola do Fermento
  Texto: Mt 13:33 ( parábola do fermento)
Introdução: A grande dificuldade que a igreja hodierna ou contemporânea enfrenta é uma crise de visão e isso deve ao fato de não conseguir compreender sua natureza e finalidade como Corpo de Cristo na transformação da sociedade. O propósito desta mensagem é lançar novas luzes, por meio de uma teologia bíblica. Então falaremos de três aspectos que identifica a igreja fermento segundo a perspectiva do reino de Deus:
A primeira á ser identificada é a igreja invisível:
1-    Ela é invisível: porque ela não tem intenção de tomar o lugar de Cristo. João disse; o que importa é que eu diminua e tu cresça o Pai.
Jesus poderia ter realizado a maioria do seu ministério em uma grande capital como Jerusalém, mas Ele foi para a Galiléia. E o que era a Galiléia naqueles dias? Lugar marginalizado pela região judaica, pois ali se concentrava grande número de gentios, de analfabetos, de pobres e mendigos.
   Sofremos uma tentação de tornar as nossas igrejas visíveis ao ponto de Cristo ficar fora dela. (rádio, faixas, programas de televisão, cartazes) dizendo: “vem aí o grande Homem de Deus”. Se tornando estrelas, verdadeiros animadores de auditório que atraem os holofotes para si mesmo. Esta tentação pode ser chamada de “síndrome de Lúcifer” É o convite para que tomemos o lugar do próprio Cristo. Na união Soviética onde estava á igreja? Escondida mais atuante. Jesus prioriza o estar com ás pessoas dia á dia.
 Outro aspecto desta igreja é o fato de ser:
 2-    Ela é silenciosa: por não tocar trombeta
 O fermento quando atua na massa ninguém ouve barulho, ela não dá alarme como o caso dos fariseus que queriam ser reconhecidos por aquilo que faziam. O fato de não ouvir muito barulho não significa que ela está morta. Jesus quando realizava um milagre dizia para os discípulos não saírem comentando.
   3-    Ela é penetrante
   Um pouco de fermento tem a capacidade de influenciar o poder do evangelho. Um pouquinho é capaz de transformar á sociedade.
A pergunta é, quando é quanto nós temos investido na sociedade. É triste de dizer que 90% têm sido na igreja umbilical.
3.1      Nós preocupamos com ás estruturas, graus eclesiásticos, posições.
·        Vivemos em um pragmatismo religioso, ou seja, estamos mais preocupados em questões abstratas do que o essencial que é amar a Deus acima de todas ás coisas e o seu próximo como a ti mesmo. Estamos preocupados em mudar o estilo de vida das pessoas ao nosso padrão. Deixe que elas se acheguem á Deus. A bíblia diz: conhecereis á verdade e ela vos libertará.
3.2       Com formas, que jeito será o culto, quem será q vai pregar,
·        Experiências: aquém diz: que não ter experiência, não tem intimidade com Deus. (a verdadeira experiência é quando a massa que é o mundo reconhece á formula, ou seja, uma formula sem adulteração como acontece com os combustíveis, sem falsificação como acontece com o dinheiro).
3.3     Com o nosso bem estar e comodidade.
Nós como fermento temos que penetrar na farinha. Este é o poder penetrante da igreja. Deus quer que você exerça o seu papel de ser igreja. Dietrich Bonhoffer afirma: “a igreja só é igreja quando existe para outros”.
 Conclusão: qual tem sido a igreja que tem representado a imagem do Reino de Cristo?
Quando Cristo olha para a Igreja o que ele vê?
O que é a Igreja? A grande estrutura?