segunda-feira, 27 de abril de 2020

4º TEMA: -A ORIGEM, A NATUREZA, OS EFEITOS DA SABEDORIA


Ler: Sabedoria, capítulo 6

                Os cinco primeiros capítulos do livro têm a forma do discurso elogioso, agradável. Em vez de se voltar a um personagem, ou a uma cidade ou a uma população, o autor do discurso, judeu e condicionado ao ambiente de língua grega, se volta à Sabedoria, Sabedoria de Deus: Nela é individualizado o personagem que merece um adequado e consciente elogio. Ele se dirige à Sabedoria, para compreender como o Mistério de Deus que se revela, a iniciativa de Deus que avança, se explica, se expressa; é esta uma fase terminal de uma longa tradição, na qual se recupera todo o itinerário precedente, e no qual reemergem significados da Sabedoria que são próprios da fase mais antiga. Estamos certamente à volta com um texto que fala da Sabedoria, compreendendo o revelar–se de Deus na plenitude de um desígnio que agora se exprime com tal intensidade para conservar junto, o momento para dedicar à Sabedoria de Deus o louvor que ela merece.

                A primeira parte do discurso é aquela que lemos nos primeiros cinco capítulos e o nosso mestre volta a considerar a sabedoria enquanto revelação daquela vocação à vida que contém toda a iniciativa de Deus, no contexto da criação, através da história da humanidade. Ele falou em contraste da vocação à vida, da impiedade que é uma escolha da morte. E quando introduziu o seu discurso com um convite para acolher a Sabedoria, imediatamente especificou que se trata de aceitar a nossa vocação à vida, aquela que é dom de Deus para a criatura humana, sem nunca esquecer o contexto: o mundo na sua variedade, na sua complexidade, na totalidade das criaturas envolvidas, no desenvolvimento da história humana.

                Ele faz de tudo para nos convidar a acolher esta vocação à vida, que não é nossa fantasia ou nossa hipótese de trabalho, mas qualifica-se como uma imediata concretude operativa: essa coincide com o fato inequívoco de Deus que se revelou. Aqui está a Sabedoria!

                Agora, trata-se de encarar nossa responsabilidade de homens chamados à vida, porque a Sabedoria de Deus se apresentou a nós. E é o motivo pelo qual o nosso Mestre escreve esse discurso, que é apresentado como elogio à Sabedoria, mas é expressão do sincero entusiasmo de quem constata por si mesmo e deseja compartilhar com todos, a consciência inequívoca de uma vocação à vida que é dom de Deus para todos os homens.

Os poderosos aprendem: o poder é serviço

A segunda parte do discurso que vai do Cap. 6 ao cap. 9 é o central e, por si só, é o verdadeiro elogio da Sabedoria; Os capítulos de 1 a 5, que constituem a primeira parte do discurso, criaram o clima, demonstrando como o tema é sério, importante, decisivo, vital. Aqui, reaparece, de modo declarado, na primeira pessoa, a figura de Salomão, que assume o papel de Sábio por excelência, do patrono de toda a tradição Sapiencial. Salomão dirigindo-se aos outros "reis": "Escutai, ó reis". Na realidade, na primeira parte, o último versículo já continha uma referência aos "poderosos" e aqui envolve a retomada, no início da segunda parte: "Escuta, ó rei". Seus interlocutores não são exclusivamente os soberanos que regem os povos, que exercem as responsabilidades do governo, que dominam as nações. A realeza aqui referida é a qualidade da vida, a qualidade dessa vocação para a vida que finalmente se realiza; quem acolhe a Sabedoria e entra neste itinerário de envolvimento sapiencial, no relacionamento com o mistério do Deus vivo, reina. A Sabedoria de Deus é uma demonstração que o Deus vivo, o Santo, é sério e quer realmente trazer os homens àquela plenitude da vida que lhes foi dada desde o início. A realeza é do sábio, assim como também é verdade que a Sabedoria é do rei, Salomão, não foi por acaso, fez de sua corte uma escola sapiencial.

Agora estamos no capítulo 6. Aprenda, procura compreender, dê ouvidos si se trata de soberanos, é no sentido de todos os homens que são chamados à vida e, para eles, o caminho se abre quando aprendem a escutar. vv. 3-4: Sua soberania vem do Senhor, seu poder do Altíssimo, o qual examinará as suas obras e sondará as suas intenções; visto que, sendo ministros de seu reino, não governou retamente: eis aqui apenas um radical redimensionamento daquilo que é o exercício da soberania, porque em tudo somos devedores nos confrontos com Deus.

                "Com terror e rapidamente ele se levantará contra vós, pois um julgamento severo se cumprirá contra aqueles que estão no alto: o " terror "do qual se fala, não é o terror no sentido de seu gosto em assustar, mas no sentido de como a iniciativa de Deus, a nosso respeito, é confirmada, que não é retirada, não está escondida, não é renunciada, mas demonstra como o Deus vivo é intransigente, sobre o valor daquela vocação à vida que Ele deu aos homens.

                O inferior é merecedor de piedade, mas os poderosos serão examinados com rigor: esta não é a escola na qual os poderosos aprendem a exercitar o poder; mas esta é a escola, na qual os poderosos são chamados a perceber como seu poder é esvaziado em relação aos fracos, necessitados de piedade, portanto serão examinados com rigor. Aprendera viver na escola da Sabedoria significa aprender a permanecer nas relações que envolvam todas as outras criaturas de Deus, a fim de assumir a responsabilidade por tudo e por todos.

                Mais um convite urgente, com uma referência muito acentuada ao desejo: Desejai, portanto, minhas palavras; amai-as e alcançareis a instrução, necessário reeducar o desejo, para levar a sério esse itinerário de conversão à vida, que é a mola que do interior sustenta, impulsiona, anima e arrasta todos aqueles relacionamentos que dão forma à nossa vocação à vida. E o nosso mestre, sob papel de Salomão, nos contará em primeira pessoa como ele experimentou essa reeducação do desejo.

A SABEDORIA SE DEIXA ENCONTRAR POR QUEM INTENSAMENTE A BUSCA

                A sabedoria se deixa encontrar por quem que a busca intensamente: do v. 12 ao v. 20 é adicionado um texto que nos orienta para a Sabedoria para contemplá-la, para reconhecê-la e para constatar como ela merece ser elogiada. A Sabedoria é radiante, infalível, incorruptível, brilhante, irradia uma luminosidade que se espalha sem impedimentos. A procura da Sabedoria é até facilitada pelo fato de que quanto mais a buscamos, mais constatamos que somos nós a ser procurados por ela; enquanto a procuramos, percebemos que a Sabedoria já nos espera, nos vem ao encontro, já se coloca a caminho para encontrar a nós que a estamos procurando. Maravilhoso os vv. 14-16: “Quem por ela madruga não se cansará, pois a encontrará sentada à sua porta”. “Meditar sobre ela é a perfeição da Sabedoria, quem ficar acordado por causa dela em breve estará sem preocupações. Ela mesma sai à procura dos que dela são dignos, cheia de bondade, mostra-se a eles nos caminhos e, em cada projeto, vai ao seu encontro”.

                Nosso mestre quer chamar a atenção mais uma vez para o desejo, que de dentro sustenta o caminho de uma vida, abre todo sujeito às relações com o mundo. Princípio da Sabedoria, na tradição sapiencial, é aquele refrão já mencionado outras vezes e que retorna como selo: Desejo da Sabedoria é o temor do Senhor, mas ele prefere falar de "desejo" que conduz ao Reino, à realeza, à vida.

                De um modo sempre mais preciso, falará na primeira pessoa do singular, falará de si mesmo no v. 21: Se, portanto, soberano dos povos, deleite-se em tronos e cetros, honre a Sabedoria, para que possa reinar sempre. O mestre interroga ao seu leitor: "Gostaria de viver seriamente, com consciência, com senso de responsabilidade? Honre a Sabedoria, para que possa reinar sempre». É exatamente o compromisso que ele assume pessoalmente: "Eu quero honrar a Sabedoria". v. 22: Explicarei o que é a Sabedoria e como ela nasceu, não esconderei seus segredos, seguirei seus rastros desde a origem, colocarei à luz seu conhecimento, não me afastarei da verdade. A Sabedoria da qual queremos falar é maximamente democratizada: "Não vos esconderei os seus segredos".

UMA PRÉ - CONDIÇÃO: DEIXAR A INVEJA.

                A sabedoria não é posse, não é propriedade exclusiva de ninguém, razão pela qual não há motivo pelo qual ser invejoso, daí o esclarecimento no v. 23: Não me acompanharei da inveja que consome, pois ela não tem nada em comum com a Sabedoria. A inveja é um aniquilamento radical que ofende, mortifica, brutaliza o desejo. No cap. 2, v. 24, diz-se que, pela "inveja" do diabo, a morte entrou no mundo.

                Somos todos verdadeiramente convocados, para ser introduzidos neste itinerário de aprendizagem, neste discipulado e aqui há um meio, a progressiva qualificação do desejo que abre a nossa vida desde a origem, a todas as relações que Deus mesmo quer nos dar. Isso significa não ser mais prisioneiros de nossa inveja, daquela inveja que freia, fecha, suga o nosso desejo para horizontes onde a nossa subjetividade se afirma como exclusiva, desdenhosa, mas, na realidade, como vontade de morte.

 Ler: Sabedoria, cap. 7

O Homem é frágil e mortal, em débito por tudo um homem que, gradualmente, tornou-se consciente de um fato primário: a gratuidade da vida. Diz-nos como a madureceu no aprendizado da oração, a conscientização da gratuidade, de como o mundo ao seu Salomão faz uma sincera confissão da fragilidade de sua condição humana, homem entre os homens, em nada superior, em nada distinto, que compartilha o destino comum dos homens. "Desde o nascimento até a morte, eu sou um homem como todos os outros e um homem necessitado de tudo, como a criança que vive enquanto há alguém que cuida dela. Nasci - esta é a marca determinante conferida à minha vocação à vida - como revelação de uma iniciativa que gratuitamente se manifestou a mim e que, através de mim, passou a se inserir no contexto de um ambiente que me acolheu, uma terra que me suportou, alguém que ouviu minhas lágrimas, alimentou-me as exigências biológicas da alimentação para sobreviver. Nasci assim e sou um homem assim: em dívida com todos, gratuitamente jogado no mundo; o próprio fato de eu estar lá, homem entre os homens, me constitui na experiência da gratuidade que vem antes, que é durante, que é conclusiva de tudo o que me preocupa na condição humana. E isso para todo rei que nasceu neste mundo».

Vv. 1-6: Eu também sou um homem mortal como todos, descendente do primeiro ser moldado em argila. Fui formado de carne no seio de uma mãe, por dez meses consolidado no seu sangue, fruto da semente de um homem e do prazer companheiro do sono. Também eu, apenas nasci, respirei o ar comum e caí em uma terra igual para todos, levantando no pranto igual a todos o meu primeiro grito... E fui criado com panos e cercado de cuidados; nenhum rei começou a vida de maneira diferente. A pessoa entra na vida e sai da mesma maneira.

Do v. 7 a v. 12: Por isso eu orei. Salomão reevocam que é seu itinerário no caminho da vida, fala de si como redor se configurou como transparência de uma extraordinária riqueza de dons. Todos os bens da terra, as criaturas do universo, tudo, sempre, em toda parte, tornou-se, para ele, razão para rezar, abençoar a Deus e experimentar a alegria que torna a vida saborosa.

A sabedoria é a mãe de todos os bens

O nosso Mestre entre todos os dons prefere a Sabedoria que nunca desaparece, o esplendor que dela emana nunca falha, até a noite está na luz, é luminosa, esplende; também a noite é uma criatura que deixa transparecer a inesgotável fecundidade daquele útero misericordioso de onde tudo provém, o ventre de Deus. A Sabedoria é geradora, mãe de todas as coisas boas, de tudo aquilo que no silêncio e na gratuidade, é constantemente dado a nós; e na ignorância, sem haver argumentado sobre isso, "eu rezo".

                O capítulo 7 nos versículos 7-12 declara: Por isso orei e me foi dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de Sabedoria. Eu a preferi a cetros e tronos e em comparação com ela, considerei um nada a riqueza; nem a comparei a uma joia inestimável, porque todo o ouro comparado a ela é um pouco de areia e como a lama será avaliada diante dela a prata. Eu a amei mais que saúde e a beleza, preferi sua posse à própria luz, porque seu esplendor não se ofusca. Junto com ela vieram-me todos os bens, em suas mãos há uma riqueza incalculável. Gostei, mas ignorava que de todos, ela é mãe » Um itinerário superior a qualquer outro Saber

                Sem falsidade aprendi e sem inveja eu dou. Porque ela é um tesouro inexaurível para os homens; aqueles que a procuram atraem a amizade de Deus, são recomendados a Ele pelos dons de seu ensinamento. Concede-me Deus de falar segundo o conhecimento e de pensar de modo digno nos dons recebidos, porque Ele é guia da Sabedoria e os sábios recebem Dele orientação. Em seu poder somos nós e nossas palavras, toda inteligência e toda nossa habilidade. Ele me deu o conhecimento infalível das coisas, para compreender a estrutura do mundo e a força dos elementos, o princípio, o fim e o meio dos tempos, o alternar-se dos solstícios e ao suceder-se das estações, o ciclo dos anos e a posição dos astros, a natureza dos animais e o instinto das feras, os poderes dos espíritos e o raciocínio dos homens, a variedade das plantas e as propriedades das raízes. Conheço tudo, o que está escondido e o que é visível, pois a Sabedoria me instruiu o Artífice de todas as coisas.

                Não é simplesmente a curiosidade do erudito; é precisamente o envolvimento afetivo de quem aprendeu a decifrar e elaborar a linguagem que nele é revelação da Sabedoria, do multerior que se adiciona a todos os dons. Essa capacidade de aprender e de transmitir, de estudar e de ensinar e de comunicar, que aumenta a consciência da qualidade dos múltiplos e fascinantes dons que chegam a nós através do universo, pode ser compartilhada com os outros. Em tudo o que Salomão estudou e gradualmente aprendeu a se expressar com uma linguagem adequada, portanto, também a se comunicar com os outros, há o reconhecimento de como a Sabedoria está presente, que constrói no interior as realidades do mundo, no aspecto do mundo visível, mas também do mundo invisível, na profundidade, nos segredos, nas situações mais impenetráveis. É a Sabedoria que aprendemos a acolher e que nos ensina a usar as coisas que estão no mundo, a nós mesmos no mundo, nas relações entre nós, de uma maneira positivamente eficaz para a vida: a sabedoria artesanal.

VINCENZA

                «O primeiro degrau da Sabedoria divina que faz compreender e provar o amor divino é: O temor de Deus. Não tanto o medo dos seus castigos, mas o temor de causar-lhe a menor ofensa. Ó almas queridas, a ofensa causada a nosso Deus é sempre grande, pois Ele nos ama muito. E quando, mesmo que apenas por um instante, tivermos desviado nossos olhos  Dele, devemos chorar amargamente. No céu, entenderemos o que significa não corresponder perfeitamente, com todas as nossas forças, ao seu amor! Compreenderemos as imensidões infinitas que nos perdoou! Devemos afastar de nós até a menor mancha, a menor coisa que possa desagradá-lo. E ainda que ao preço de vivo sofrimento! Remover de nós toda pequena falta: não tolerar que em nós haja a menor sombra que possa ofuscar a beleza que Deus quer para nossa alma "(I CdA, p. 40).

PADRE IRENEO

                Nem sempre o Senhor se aproxima de nós com as consolações, às vezes com as consolações, às vezes com a aridez, talvez com o chicote... e então a paciência quer que seja aceita assim como Ele se apresenta. Devemos deixar fazer a sua infinita Sabedoria que, mesmo quando não nos parece é sempre direcionada para o nosso bem. Finalmente, às vezes, precisamos exercitar a paciência na busca da vontade de Deus; bem, se formos humildes, dóceis e perseverantes, a nossa paciência será recompensada... Vamos, minhas filhas em Cristo, como norma que  toda a ascética cristã se reduz em fazer a vontade de Deus e que, precisamente por isso, Jesus Cristo colocou esta questão no centro do «Pater nos ter» (Pai Nosso) «Fiat Volutas!». Faça-se a tua vontade!

Refletir

* Somos convidadas a acolher a Sabedoria, a vocação à vida como dom de Deus para todos os homens. Sentimos a responsabilidade de mulheres chamadas à vida, para que a Sabedoria de Deus seja revelada a nós? Como a compartilhamos?

* Salomão se dirige aos outros "reis": "Escute, ó reis", aos soberanos que governam os povos, que exerçam as responsabilidades de governo, porque a Sabedoria é do rei, não é à toa, que ele fez da sua corte uma escola sapiencial. Não há poder que não seja conferido por Deus, tudo é dom Dele, em vista da piedade pelos fracos seus prediletos. Não somos merecedores de nada, Deus nutre toda vida e todo ser universal. Estamos cientes de que tudo que nos é dado deve ser frutificado e colocado a serviço de outros?

* Aprender a viver na escola da Sabedoria significa aprender a ter relacionamentos que envolvem todas as criaturas de Deus. O nosso Mestre nos diz que, para levar a sério um itinerário de conversão à vida, é preciso reeducar o desejo, isso implica um compromisso de discernir, purificar, saborear o que em nossa experiência humana é desejo, fonte de vida, quem não tem desejos é uma criatura morta. Nossos desejos nos levam à vida? Salomão assume o compromisso em primeira pessoa de honrar a Sabedoria. Como nós nos relacionamos com isso?

* A sabedoria que tem uma dimensão universal, da qual ninguém é excluído, se contrapõe a inveja que consome, uma espécie aniquilamento radical que ofende, mortifica e brutaliza o desejo. Precisamos requalificar o desejo que abre a nossa vida a todos os relacionamentos que o próprio Deus quer nos dar. Como nos libertar da escravidão da nossa inveja que freia, fecha e suga o nosso desejo para os horizontes de nossa subjetividade? Como fazer participantes os outros?

* Salomão se descobre homem como todos, necessitado de tudo, como a criancinha que vive porque há alguém que cuida dela. Veio ao mundo por iniciativa gratuita de Deus, inserido em um ambiente que o acolheu, confiado a pessoas que o alimentou para sobreviver. O mundo ao seu redor se configura como a transparência de uma extraordinária riqueza de dons: bens da terra, criaturas, tudo se torna motivo para orar, abençoar e agradecer. Nós agradecemos ao Autor da vida?

* Salomão prefere a Sabedoria, o esplendor que dela emana, a todos os bens da terra, na mesma luz, da qual é superada pelo advento da noite. Consciente deste imenso dom de Deus, como a procuramos? Como incentivamos as outras pessoas a fazê-lo? Estamos convencidas, como o nosso Mestre, que "contra a Sabedoria a maldade não pode prevalecer", porque essa governa com excelente bondade todas as coisas? Deus cria o mundo e tudo faz convergir para a luz.

domingo, 26 de abril de 2020

Planejamento do Retiro mensal e formação - Fraternidade Frei ireneo Mazotti - Bacabal MA

JANEIRO 4 e 5  

Dia 4 - Estudo –TEMA - "ser instrumento de luz, de amor, de vida divin; a para o mundo inteiro" (1 VdA, J.A. 79) Pg 106  

Dia 5 - Retiro Introdução ao livro da sabedoria -

Entre antigo e novo testamento - 1. O Livro do futuro (1,1-6,21):. 2. O Livro do presente (6,22-10,21): 3. O Livro do passado (11-19)


FEVEREIRO – 8 a 13 - Curso de Exer. Espirituais

Dia 09 – Estudo: O “silêncio perpétuo para ouvir e falar com Deus” (o Caminho do Amor volume 1)P 54

Dia 10 a 12 – Retiro – Pregador: Frei Gilberto

Tema: Ouse se apaixonar - Sendo instrumentos de LUZ para o mundo inteiro - texto básico: Figura bíblica de Salomão. 1º Livro dos Reis

Os exercícios espirituais são tempo forte para o silencio, a escuta da Palavra de Deus e o confronto com nossa vida, especialmente nosso ser de Consagradas Seculares

Dia 13Encerramento do CEE


MARÇO VF 03/2019-2020  Retiro mensal.:                              

Dia 7 - 1., Tema: No íntimo dos corações e na história Deus se revela e chama o homem a abrir-se ao seu mistério

Dia 8 – 1 Degrau Chamado à vida → Eu o Senhor, te chamei. Is 42,1; Heb 11, 1-40


ABRIL – 4 e 5 Frei Ireneo Mazotti – Bacabal  

Dia 4 – 2 tema: O Projeto dos Malvados  -  Ler: Sabedoria cap. 2 - Por que, Senhor estás longe?  Vincenza -  (II CdA de março de 1972).

Dia 5- Ret – 2    Degrau Chamado à fé → Vem e segue-me. Mt 19,21; Heb 11, 1- 40 


MAIO – 2 e 3 Frei Ireneo Mazotti

Dia 2 -3 Tema: Os Justos e es Ímpios: Além das Aparências - Ler: Sabedoria, cap. 3
A morte dos justos é uma manifestação da vida (Sab 3, 1-9) -  Verdadeira e falsa fecundidade (Sab. 4, 1-6) (Sab. 4, 7-20) - Ler: - Sab. cap, 5
Os iníquos também agem diante do seu fracasso (Sab 5, 1-14) (Sab 5, 15-23)
Dia 3 - Retiro: 3 Degrau -Chamado ao Absoluto de Deus → Só Deus é Bom

1.    Textos Iluminativos : FIL 3,1-16

2O. Momento: Lc 12,22-34


JUNHO 6 e 7 – Frei Ireneo Mazotti Bacabal

Dia 64 - Tema - A Sabedoria se opõe à idolatra -Sabedoria, cap. 11,15-12,2.

Dia 7 - Retiro 3 Degrau -Chamado ao Absoluto de Deus → Só Deus é Bom

3O. Momento: SL 8.

4º Momento: Palavras de Francisco-Clara.

Segunda carta aos fiéis n. 46-60; 2ctin21.


JULHO – Frei Ireneo Mazotti Bacabal

1. Dias 4 – 5 Tema - Sabedoria: fonte do saber, da virtude e de experiência Sabedoria, cap. 7,22-8,21.

Dias 5  - Retiro: 4 Degrau - Deus na minha história → O Senhor está realmente neste lugar e eu não sabia! Gn 28,16 - Textos iluminativos 1o. Momento: ex 3,1-12 - 2 o.Momento: Gn 28,10-22 (Gn 32,23-33; Gn 35,1-15)


AGOSTO – 1 e 2 - Frei Ireneo Mazotti Bacabal

Dia 01  - 6.Tema - A ação da Sabedoria na história - Sabedoria, cap. 10

Dia 2 - Retiro- 4 Degrau Linha Temática:  Deus na minha história → O senhor está realmente neste lugar e eu não sabia (Gn 28,16)! 3o. Momento: Sab 9,1-18 momento: palavras de Francisco e clara. Testamento 1-13; PC 3,20; cf. LegCl 46


SETEMBRO –Frei Ireneo Mazotti Bacabal

Dia 5 - Estudo-   7 Tema -  A Sabedoria se opõe à idolatria - Sabedoria, cap. 11,15-12,2. - A Sabedoria se opõe à idolatria - Sabedoria, cap. 11,15-12,2.

Dia 6 - Retiro – 5 Degrau Linha temática: Recriar a história - Comecemos de novo... Deixar Deus conduzir..Textos iluminativos - 1o Momento: Jo 3,1-21

 2o. Momento: Ap 3,14-22


OUTUBRO –- 3 e 4  - Frei Ireneo Mazotti

Dia 3 – 8 Tema A história entrelaçada dos justos e dos ímpios - Sabedoria, 
cap. 16,1-29.  81 - Boas notícias sobre o maná     
                        
Dia 4 - Retiro – 5 Degrau Linha temática: Recriar a história - Comecemos de novo... Deixar Deus conduzir... Textos iluminativos 3O. Momento: Heb 3,7-15 4º Momento: Palavras de Francisco-Clara. Primeira Celano n. 6:103; TestCl 12-14 Senhor que queres que eu faça? Atos 22,10


NOVEMBRO – 7 e 8 Fraternidade Frei Ireneo Mazotti

Dia 07 – 9 Tama – A Sabedoria distingue trevas e luz, morte e vida -  Sabedoria, cap. 17-19

Dia 08 - 6 Degrau - Linha Temática: Deixar Deus conduzir - Senhor, que queres que eu faça?

Textos Iluminativos - 1o Momento: Ef 6,10-20 - 2o Momento: Retome estes dias de retiro e reescreva os elementos mais significativos. 3º Momento: Assuma, internamente, seus compromissos possíveis, re-orientando seu plano de vida pessoal. 4º Momento: Palavras de Francisco-Clara. Segunda Celano 6; TestCl 77-78


DEZEMBRO Fraternidade Frei Ireneo Mazotti

Dia 05 – 06  -  Planrjamento para 2021 e Confraternização


5º tema: Sabedoria: fonte do saber, da virtude e de experiência Ler: Sabedoria, Cap. 7,22-8,21.


Elogio e descrição da Sabedoria: Amada por Deus            Nestes capítulos a Sabedoria, apresentada com 21 qualidades que exprimem a gratuidade pela iniciativa de Deus, é contemplada como presença que se difunde em cada realidade. A Sabedoria, assim como o nosso mestre a contempla em relação a Deus é uma exalação do poder de Deus, umaemanação genuína da glória do Onipotente, por isto nada de contaminado nela se infiltra.

A sua linguagem é rica, variada, requintada. Manifesta a vontade de Deus de comunicar a sua inesgotável fecundidade em revelar-se. A Sabedoria é revelação para nós daquela intimidade de Deus que se abre, que comunica, que quer difundir-se.

Apaixonar-seporEla                                                                                           Amei a sabedoria e a busquei desde a minha juventude, e procurei tomá-la como esposa, me enamorei pela sua beleza:0 nosso mestre apresenta a Sabedoria como companheira da sua vida e, esposa procurada que ele tem amado com um amor que tem reservado e estruturado o caminho da sua vida: um amor precoce, fiel, duradouro.

Ela manifesta a sua nobreza, em comunhão de vida com Deus, porque o Senhor do universo a amou. Ela de fato é iniciada na ciência de Deus e prefere as suas obras: no amor pela Sabedoria o amor de Deus se faz encontrar e nos introduz na relação com a vontade do amor que Deus quer revelar-nos.

Se alguém ama a justiça, as virtudes são o fruto do seu trabalho. Pois ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza, que são na vida os bens mais úteis aos homens: para o autor o encanto pela Sabedoria tão amada é irresistível: a sua nobreza, a sua riqueza, a sua inteligência, são as virtudes das quais cada uma de nós tem necessidade para viver, organizar e valorizar positivamente a vida e nos ajudam no discernimento dos quais temos necessidade para desemaranharmos em meio às situações inacessíveis.

Companheira perfeita da vida                                                                 decidi, portanto, tomá-la por companheira da minha vida, sabendo que ela será boa conselheira e me trará conforto nas preocupações e no sofrimento. Por causa dela serei elogiado pelas assembléias e, ainda jovem, os anciãos me honrarão. No julgamento, terei agudeza e serei admirado pelos poderosos. Se eu me calar, ficarão na expectativa; se eu falar, me prestarão atenção; se eu prolongar o discurso, todos colocarão a mão na boca: Salomão diz de si mesmo que a sua experiência de homem apaixonado tem feito dele um homem satisfeito seja na dimensão pessoal como em relação com as responsabilidades públicas que têm caracterizado a sua vida.

Governarei os povos e dominarei as nações; ouvindo o meu nome soberanos terríveis me temerão, mas serei bom para o povo e corajoso no momento de guerra. Ao voltar para casa, repousarei ao lado dela, porque a sua companhia não provoca amargura, e a convivência com ela não traz nenhuma dor, mas contentamento e alegria: o mestre testemunha que se o ambiente público e o privado podem parecer mundos separados, na realidade, graças ao caminho feito com a Sabedoria, a atividade pública vem enfrentada com o inesgotável frescor de uma intimidade ocupada por uma paixão amorosa e o repouso doméstico é habitado pela relação com o mundo.

Inacessível ao homem, só Deus pode doá-la                                         Refletindo sobre tais coisas em mim mesmo e pensando no meu coração que na união com a sabedoria existe a imortalidade; e na sua amizade grande alegria; e no trabalho das suas mãos uma riqueza inesgotável, e na assiduidade do relacionamento com ela a prudência e na participação de suas palavras a fama, eu andava procurando como ter-la comigo.Salomão se apresenta como um homem posto diante do mistério da própria vida, do nascimento e da morte; o mistério da relação com o mundo e com a Sabedoria. Afirma que, crescendo, progredindo, avançando naquele discipulado, naquela busca, naquele caminho de discernimento, de aprendizado, cresce nele o conhecimento que o coração humano não está em grau de procurar para si mesmo e possuir a Sabedoria. Existe um mistério na nossa condição existencial: nenhum homem pode possuir, dirigir, em nome de si mesmo e da própria iniciativa, a Sabedoria (o revelar-se de Deus), atingível unicamente em força da gratuita iniciativa de Deus. Só confiando-se à revelação do Mistério, o coração humano pode tomar consciência de si e dar orientação ao caminho da vida; aquele caminho que exige um impulso que venha do íntimo. Mas nenhum homem está em grau de conhecer o próprio coração; é o revelar-se de Deus que o sonda e o torna instrumento dócil e positivamente fecundo para aquela vocação à vida que, reúne e protege, torna-se o fio condutor de todo o complexo de relações que à medida do possível, se vêm entrelaçando no contato com o mundo, com os outros, com os acontecimentos.

Uma invocação posta à maneira de uma súplica: o coração humano, na relação com a Sabedoria, é praticamente desprovido; não nos são títulos de mérito que autorizam o coração humano a possuir a Sabedoria. A Sabedoria é sempre, para nós, o dom que vem de Deus. De outra parte é aqui mesmo que o nosso mestre quer conduzir-nos: o coração humano – aquele coração do qual eu não tenho o controle, que é o meu coração e que é em mim um mistério indecifrável, foge a toda minha capacidade de controle, de gerência, de administração – não pode entrar à Sabedoria. Como é possível, então, avançar na possibilidade, no caminho, na vocação à vida? Junto ao término do percurso pode voltar atrás e afirmar: isto é possível porque é a Sabedoria de Deus que se apodera do coração humano; não é o coração humano que pode possuí-la, é a Sabedoria de Deus que se instala como soberana e mestra no coração de cada homem, de um pobre homem como que não saberia de outro modo onde ia chegar. E, portanto, aqui a grande súplica, no cap. 9, “manda a Sabedoria, envia a Sabedoria”. Se não fosse pela Sabedoria que vem de Deus nós não estaríamos em grau de viver.

Oração para obter a Sabedoria que guia a história

Ler: Sabedoria, cap. 9

Sabedoria, dom gratuito de Deus                                                                     A Sabedoria é sempre, para nós, o dom que vem de Deus. O coração humano – aquele coração do qual eu não tenho o controle, que é o meu coração e que é em mim um mistério indecifrável, um mistério indiscernível, fugaz a toda minha capacidade de controle, de gerência, de administração – não pode aceder à Sabedoria. Como é possível, então, avançar no caminho para a vida? Isto é possível porque é a Sabedoria que vem de Deus que se apodera do coração humano, se instala como soberana e mestra no coração de cada homem. Se não fosse pela Sabedoria que vem de Deus nós não estaríamos em grau de viver. O revelar-se de Deus coloca em claro esta profundidade misteriosa que está no coração humano; por este conhecimento, que à medida do possível, amadurece em um contexto de radical gratuidade e pobreza, se chega à linguagem da invocação, da súplica, da confiança na misteriosa iniciativa de Deus que gratuitamente se revela.

0 cap. 9 que traz a súplica para obter a Sabedoria, assume a maneira de um cântico e se desenvolve em três estrofes; a primeira estrofe do v.1 ao 6; a segunda do v. 7 ao 12, a terceira do v. 13 ao 18. A primeira estrofe gira em torno àquela invocação que remeteao v. 4: Dá-me a Sabedoria; a segunda gira em torno àquela que lemos no v. 10: Enviai-a dos santos céus; a terceira gira em torno ao v. 17: Se tu não lhes deres Sabedoria.

A súplica recolhe todas as tensões que são a medida configurada no íntimo do homem, tão oculto, misterioso, impenetrável, na relação com a Sabedoria. Quanto mais se pratica a relação com a Sabedoria tanto mais o coração humano descobre estar maduro na experiência da própria pobreza radical, e nasce a súplica.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

Para ser homem                                                                                       O homem, criatura colocada por Deus no mundo, é posto em uma situação de prioridade, de domínio sobre todas as outras criaturas. Este é o projeto originário de Deus criador do universo. De outra parte mesmo o homem com esta sua particular competência no contexto da criação, com toda a sua responsabilidade nos confrontos de todas as outras criaturas, é uma criatura servil e fraca, de vida breve: uma criatura doente, esmagada sob uma carga de misérias inevitáveis.

E então: dá-me a Sabedoria... Mesmo se alguém fosse o mais perfeito entre os homens, faltando-lhe a tua sabedoria, ele seria um nada:para que o homem seja homem é necessário que se entregue à Sabedoria; só a Sabedoria que vem de Deus, só aquela que Deus nos dá em virtude de uma gratuita iniciativa, derrama sobre nós uma corrente de vida. Dá-me a Sabedoria, não para me tornar particularmente esperto ou inteligente; não para ser dotado dos conhecimentos sobre as grandezas, as complexidades, as articulações do universo; mas dá-me a Sabedoria por que “não posso ser um homem”se não estou investido pela gratuita revelação daquilo que tu queres dar-me.

Para estar na altura das intenções de Deus                                                    Tu me escolheste como rei do teu povo: A segunda estrofe coloca a atenção sobre o povo da aliança, o povo de Deus, o povo de Israel.

Contigo está a sabedoria que conhece as tuas obras, que estava presente quando criavas o mundo; ela conhece o que é agradável aos teus olhos, e o que é conforme aos teus decretos: só a Sabedoria pode explicar a revelação que vem de Deus e nos consente decifrar o significado, os conteúdos, as passagens, os motivos pelos quais na história da salvação são realizadas aquelas obras que correspondem  à intenção guardada por Deus no seu segredo e que Deus quer realizar na história humana.  

Manda do teu trono glorioso, para que me assista e me ajude no meu trabalho e eu saiba o que te é agradável: como se pode estar no próprio lugar, assumindo as próprias responsabilidades se não se é assistido pela tua Sabedoria?

Como se pode apressar a correspondência entre aquele que se está definido, construído, consolidado no curso da história e as intenções de Deus, se não é a Sabedoria a explicá-lo?Ela de fato tudo conhece e tudo compreende, e me guiará prudentemente nas minhas ações e me protegerá com a sua glória.

Para conheceros Seus caminhos

Qual é o homem que pode conhecer a vontade de Deus? Quem pode imaginar o que o Senhor quer? Os raciocínios dos mortais são tímidos e incertos às nossas reflexões, porque um corpo corruptível torna pesada a alma e a tenda de argila sobrecarrega a mente com muitos pensamentos. Com muito custo, podemos conhecer o que está na terra, e com dificuldade encontramos o que está ao alcance da mão; mas quem poderá investigar o que está no céu?

O homem que se faz por si, que se esforça na tentativa de descobrir o caminho a percorrer e depois se areia, se cansa, se consume: mas quem poderá investigar o que está no céu?Mesmos trabalhos; o homem que na vida procura o caminho a percorrer empenhando-se a realizar os próprios ideais, se encontra exposto ao impacto com o mistério que o envolve, o surpreende, o desconcerta, o arrasta, lhe se impõe como expressão de uma outra vontade, a vontade de Deus.

Quem conheceu o teu pensamento se tu não lhe concedes a sabedoria e não lhe envias o teu santo espirito do alto?Na relação com o Mistério se referindo a uma outra vontade que não é a nossa e que nos precede, nos acompanha, nos vem ao encontro, nos abre o caminho, às vezes nos percebemos que é mesmo esta outra vontade a tomar-se gratuitamente cuidado de nós e nos educa a compreendê-la e a acolhê-la. Tudo isto no quadro de uma existência humana que se desenvolve na consciência de não ser proprietário de si mesmo: eu não sou meu, não me pertenço; não é a minha vontade que faz o mundo, a história, eu mesmo.

É no relacionamento com Deus, com a sua iniciativa gratuita, com a sua vontade de amor que os homens aprendem a viver.

Assim foram corrigidos os caminhos de quem está sobre a terra; os homens foram instruídos no que te agrada, eles foram salvos por meio da Sabedoria.Os caminhos, as estradas, os longos percursos aos quais os homens são conduzidos para corresponder à vontade de Deus, portanto, à plenitude da vida que lentamente amadurece e frutifica em nós. Deus se revela de modo a colocar-nos em grau de entender e acolher a sua vontade e a nos envolver em uma relação com ele. Deus se revela de modo tal a fazer de nós e da nossa liberdade de criaturas humanas a oferta e a resposta agradável a ele.

Vincenza

A Santidade colocada por Deus em todas as coisas, da mais natural à mais sobre natural, é um paraiso de sabedoria e amor. Eis a minha alma aberta, que goza este paraiso de sabedoria e amor (paraiso de sabedoria que dá amor e paraiso de amor que mergulha na sabedoria) e no esplendor de Deus se enriquece, como se encontra Deus em cada criatura, como nela existe e vive, e toda inundada parece que não existem limites para ela (JA 85).

Pararefletir:

- Como é possível, progredir no caminho e na vocação para a vida?

- O que Deus quer me dar?

- Como conhecer e fazer a vontade de Deus?

6º tema: A ação da Sabedoria na história Ler: Sabedoria, cap. 10


A Sabedoria é o revelar-se de Deus                                                                           A terceira divisão do discurso nos ajuda a refletir sobre a história dos homens de modo tal a decifrar quais são os constantes do agir de Deus nos acontecimentos humanos. O critério determinante é o que é acontecido na história da salvação, do qual o nosso mestre fala para nos fornecer instrumentos de análise e de discernimento, em base aos quais possamos conhecer como Deus se revela sempre e por toda a parte. Mesmo se os personagens dos quais se fala são reconhecíveis não se cita jamais um nome próprio, para dizer que aquele acontecimento é universal, é revelado para a obra da salvação do povo de Israel até a um acontecimento que já é ecumênica, quemacredita é aquele que vê a obra de Deus em toda parte, não só em si, mas no outro e crê que mesmo que não pertença ao povo de Deus é visitado pela Sabedoria.

Seis etapas para chegar à sétima cujo personagem nos envia a uma volta à história da salvação que, para o nosso mestre, adquire um acontecimento de muito valor recapitulador de tudo: este personagem é Moisés e o acontecimento recapitulador é a Páscoa, a travessia do mar, do deserto, tudo aquilo juntos, de acontecimentos que assinalam de modo indelével o nascimento do povo de Deus.

Adão                                                                                                                   Ela (a Sabedoria) protegeu o pai do mundo, o primeiro homem formado por Deus, quando foi criado sozinho; depois o libertou da sua queda e lhe deu a força para dominar sobre todas as coisas:Adão experimenta o pecado com todas as graves consequências, que são: o compromisso com o relacionamento com Deus, com a mulher que Deus lhe tinha colocado ao lado, com a criação. Neste sofrimento a Sabedoria reergue Adão oprimido pela fadiga.

Caim e Noè                                                                                               Mas um injusto, (Caim) distanciando-se dela (Sabedoria), na sua cólera pereceu na sua própria ira fratricida. Por causa dele, a terra foi inundada (pelo dilúvio), mas a Sabedoria de novo o salvou, conduzindo o justo (Noé) por meio de uma frágil embarcação.

A história humana é levada pelos efeitos desastrosos da violência dos quais Caim é o símbolo exemplar, mas nesta ruína catastrófica a Sabedoria gera um justo que, em escuta e em obediência à Palavra, com um simples lenho desproporcionado ao dilúvio, se torna instrumento de salvação. Mais uma vez os caminhos da Sabedoria são diferentes dos outros caminhos.

Abraão                                                                                                      Quando as nações aderiram à maldade e foram confundidas, (torre de Babel), ela reconheceu o Justo (Abrão) e o conservou sem mancha diante de Deus e o manteve forte, apesar da sua ternura pelo filho. Abraão é reconhecido justo pelo seu relacionamento e abertura ao mistério que guia a sua consciência a maturar escolhas segundo o coração de Deus. Colocado duramente à prova, pelo pedido em sacrifício do seu único filho, fica salvo na confiança à voz que guiou a sua vida.

                                                                                                                       E enquanto os ímpios pereciam, ela salvou um justo (Ló) que fugia diante do fogo que caía sobre cinco cidades (Sodoma, Gomorra e as outras cidades). Como testemunho dessa gente perversa, resta ainda uma terra deserta e fumegante, junto com árvores de frutos que não amadurecem, e a estátua de sal que se ergue como lembrança de uma alma incrédula (a mulher de Ló). Porque desprezando a Sabedoria, não só se prejudicaram ignorando o bem (as filhas de Ló; o incesto), mas deixaram para os insensatos uma lembrança de sua insensatez, para que suas faltas não ficassem escondidas.

A cena é trágica, uma falência clamorosa, uma impiedade monstruosa que foi atribuída às cidades nas quais Ló morava, com o envolvimento das suas próprias filhas; outra vez, um outro caminho se abre, no sentido que recordar a monstruosidade daqueles acontecimentos adquire um valor pedagógico.

Jacó                                                                                                Masa sabedoria libertou os seus fiéis dos seus sofrimentos: ela conduziu por caminhos planos o justo (Jacó) que fugia da ira do irmão (Esaú), lhe mostrou o reino de Deus e lhe dá o conhecimento das coisas santas; lhe dá sucesso nas suas fadigas e multiplicou os frutos do seu trabalho. O protegeu contra a avareza dos seus adversários e o fez rico; o guardou dos seus inimigos, o protegeu de quem o armava ciladas, deu-lhe a vitória numa luta dura, para lhe mostrar que a piedade é mais forte do que tudo.

Jacó envolvido em vicissitudes trágicas, aprendeu na escola da Sabedoria de Deus a humildade do retorno que lhe faz sentir o peso da sua história, o reconcilia com o irmão porque a piedade é mais forte do que tudo.

José                                                                                                                   Ela não abandonou o justo que tinha sido vendido (José), mas o preservou do pecado. Desceu com ele à cisterna, não o abandonou enquanto estava preso, até conseguir para ele o cetro real e o poder sobre seus próprios adversários, desmascarou os que o caluniavam e lhe deu fama perene.

José é exposto às situações mais desagradáveis, é maltratado, desprezado, feito escravo, jogado na prisão e a Sabedoria com ele.Dentro desta sua aventura tão amarga e dolorosa, veem desmascaradas as ciladas. José, educado na escola da Sabedoria, aprende a reconhecer como se abrem caminhos mesmolá onde os acontecimentos assumem uma fisionomia totalmente mortificante.

Moisés                                                                                                      A Sabedoria libertou um povo santo e uma estirpe sem mancha de uma nação de opressores. Ela entrou na alma de um servo do Senhor e se opôs com prodígios e com sinais ao terrível rei. Deu aos santos a recompensa das suas penas, e os guiou por um caminho maravilhoso, tornou-se para eles abrigo durante o dia e luz de estrelas durante a noite. Ela os fez atravessar o Mar Vermelhoe os guiou através de águas impetuosas; fez com que seus inimigosse afogassem e depoisjogou-os no fundo do mar (pelos quais os cadáveres dos egípcios, como se lê no cântico, foram jogados na beira do mar). Desse modo os justos despojaram os ímpios e celebraram o Senhor, o teu santo nome e louvaram unânimes a tua mão poderosa, porque a Sabedoria abriu a boca dos mudos e soltou a língua dos pequeninos.

A iniciativa de Deus é revelada de modo tal a formar um povo lá onde era uma massa de gente oprimida, esmagada, sem dignidade e sem identidade. Este povo conduzido para fora do Egito por longas estradas maravilhosas, amadurece na celebração de louvor, o grande canto de vitória.

O Êxodo, acontecimento exemplar: a vicissitude de um mundo pagão se torna história da salvação.

Introdução aos cinco paralelismos                                                         Nos cap. 11-19 segue um discurso elogiativoà Sabedoria através dos paralelismos que colocam em confronto a resposta dos justos e dos ímpios: a resposta do povo de Deus que teve o privilégio de conhecer e de experimentar a misericórdia divina, a opera na história do povo egípcio que, inclinado à idolatria e corrupção se opõe ao autêntico conhecimento de Deus. Nos próximos capítulos o autor coloca em paralelo  sete catástrofes que se abateram sobre os egípcios e sobre os homens do faraó no momento dasaída do Egito e sete benefícios que o Senhor combinou com os hebreus durante a sua saída do Egito e no deserto, ressaltando a sua capacidade escatológica: os acontecimentos que ocorreram nas origens de Israel manifestaram o julgamento de Deus e desde então prefiguram como o Senhor julgará, no fim da história os justos e os ímpios(cfr. Gilbert, A Sabedoria de Salomão).

Aquilo que aconteceu se torna uma chave para entender o sentido de todos os outros acontecimentos da história humana. Fornece para nós um critério interpretativo,ao qual sempre devemos recorrer, que são as situações originais que pouco a pouco, no curso da história humana, precisará enfrentar.

O primeiro paralelismo: - Água do Nilo e água na rocha.

Ler: Sabedoria, cap. 11, 1-14

Primeira estrofe:vv 1-5: Ela (a Sabedoria) levou a bom termo os empreendimentos do povo por meio de um santo profeta (Moisés): atravessaram um deserto desabitado, armaram as tendas em terrenos inacessíveis, resistiram aos adversários, repeliram os inimigos.

Quando tiveram sede, te invocaram e foi dada a eles água de uma rocha escarpada, uma pedra dura lhes matou a sede. Aquilo que tinha servido como castigo para seus inimigos, na necessidade foi para eles um benefício.

Nesta primeira estrofe vem enunciado o princípio geral que o nosso mestre quer colocar em evidência como critério interpretativo de tudo aquilo que acontece na história humana: existe um misterioso contrapasso pelo qual o elemento que pune pode se tornar elemento que salva: neste caso se trata da água que brota da rocha, para aqueles que estão em viagem através do deserto, e da água apodrecida do rio Nilo, para os egípcios. A água que é motivo de desolação terrível para os egípcios sedento, é a água que jorra da rocha para saciar a sede dos hebreus no deserto.

Segunda estrofevv 6-10. Em lugar da água corrente de um rio perene (o Nilo), assolado por sangue podre em punição de um decreto infanticida: o Nilo era servido para levar,arrastados pelas águas, todos os recém-nascidos machos dos hebreus; tu lhes deste inesperadamente água abundante, mostrando pela sede que estavam sentindo, como tinhas punido os seus adversários. De fato, colocados à prova, embora fossem punidos com misericórdia, compreenderam os tormentos que tinham sofrido os ímpios que eram julgados com cólera, porque tu os provaste como pai que corrige, e castigaste os outros como rei severo que condena.

Precedentemente o autor dizia, na exposição geral: “o elemento (água) que serve para punir, serve para salvar; então reforçando este princípio, diz: “aqueles que foram salvos pela água, estão em grau de compreender a pena sofrida por aqueles que foram punidos: se estabelece assim uma comunhão entre uns e outros”.

Terceira estrofe, do v. 11 ao v. 14: Longe ou perto, foram igualmente atribulados, porque uma dúplice aflição os oprimiu. E choraram, lembrando-se do que lhes acontecera. De fato, quando ficaram sabendo que o castigo era fonte de beneficio para os outros, sentiram a presença do Senhor. Pois aquele que outrora fora rejeitado, exposto e desprezado com zombarias (Moisés), no fim dos acontecimentos foi admirado por eles, quando estavam sofrendo uma sede diferente da sede dos justos.

A sede que os egípcios sofreram no curso da sua história se torna motivo para maravilhar-se quando se dão conta de que para os hebreus no deserto a água é motivo de benção. Os dois acontecimentos são interligados pelos quais a mesma água, com a qual se poderia atingir a mesma sede, para os egípcios é motivo de dor inconsolável, para os hebreus é motivo de saciedade benéfica.

Mas agora os hebreus, em virtude da sede que sofreram no deserto, entenderam os egípcios; e os egípcios, em virtude da sua sede e através da experiência de uma desgraça inconsolável, ficaram em grau de descobrir que existia uma novidade que protegia os hebreus. Tomou vida um processo de redenção dolorosa que os envolveu no íntimo mais profundo pelo qual o seu castigo apareceu inseparável daquilo que foi o benefício para os outros.

A dor se manifesta sempre como pesar por aquele que deveria vir e não veio, aquele que se anunciava e que ao contrário assumiu uma fisionomia desastrosa. É uma dor interna que, através da experiência negativa em curso, reelabora motivos profundos de compunção e de repensar sobretudo o que aconteceu no curso de uma vida e de uma história. Tudo aquilo que é experimentado como motivo de sofrimento, dificuldade, tribulação, é instrumento dócil que, na obra de Deus, em obediência à sua Sabedoria, se torna instrumento de salvação, de redenção, de vida nova.

Através da Sabedoria o nosso mestre nos quer ajudar a discernir quais são as constantes do agir de Deus na história humana, o seu modo de revelar-se e de estar presente e operante, deste modo a abrir aquelas estradas, as quais percorrendo, os homens são reconduzidos à plenitude da vida: o caminho de conversão à vida, para aqueles que perderam o contato com aquela origem; o caminho da reeducação à vida, para aqueles que entenderam mal a própria vocação.

Vincenza

“O Espírito de Deus gera no homem a sabedoria. A sabedoria dá ao homem o conhecimento que move o homem para Deus, sua vida. Bem-Aventurado o homem, diz Jesus, que tem fome e sede de justiça, porque será saciado. Deus é justiça. A fome e a sede de justiça é fome e sede de Deus. A razão humana não entende esta fome e esta sede. É lógico. A razão humana não é a sabedoria do Espírito de Deus e não pode ir além dos seus limites humanos. Mas Bem-Aventurado quem tem aquela fome, aquela sede de justiça produzida pela sabedoria do Espírito Santo” (CdA II, 84-85).

Da Primeira vida de Tomás de Celano

«O Senhor lhe tinha dado sabedoria e eloquência, e ele se o servia para combater e confundir os inimigos da verdade e da Cruz de Cristo, reconduzir os errantes para o caminho reto, recompor a contestação e consolidar o vínculo da caridade entre os irmãos” (FF 493).

Para refletir:

- Como leio a revelação de Deus na minha históriapessoal?

- Com quais contrapassos Deus se manifesta hoje na história humana?

- Oque a Sabedoria me convida neste momento da história do Instituto?

-As minhas escolhas se tornam uma benção para mim e para o mundo inteiro?