quarta-feira, 7 de março de 2012

Parábola do Grão de Mostarda

Estudo sobre a parábola da Mostarda e do fermento
Duas parábolas que falam do extraordinário crescimento do reino dos céus:
         Duas faces de uma mesma moeda:
         Mostarda: crescimento do reino em extensão;
         Fermento: intensidade do crescimento do reino.
         A parábola do grão de mostarda
         Denominador comum com parábolas anteriores:
         (O semeador, A semente germinando secretamente, O joio e o trigo)
         Um homem: Jesus
         O campo: O mundo
         A semente: A palavra de Cristo

A semente da mostarda:
Extremamente pequena, é referida como a menor de todas as sementes que os ouvintes de Jesus poderiam conhecer (na verdade, maior que a semente da orquídea). No entorno do Mar da Galiléia, a mostarda, que era um arbusto normalmente de 1,25 m., podia chegar a ser uma grande árvore de até 5 m. de altura. Quando quis se referir a algo muito pequeno, Jesus mais de uma vez usou a semente da mostarda como tipo:

Mt 17.20 –
E ele lhes respondeu: Por causa da pequenes da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.
Há um contraste marcante: Pequenez da semente, grandiosidade da árvore em que se transforma quando madura! Assim também, o reino dos céus: o pequenino grão, semeado por Jesus há dois mil anos, cresceu e continuará crescendo até tornar-se árvore madura. Quando for pregado o Evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho de todas as nações, a árvore terá atingido o seu máximo tamanho, e então virá o fim. (Mt 24.14).
A idéia essencial, nessa parábola: O Reino de Deus estava começando na obscuridade, mas terminará em Glória! A grande árvore serve de abrigo e conforto para as aves de todo o  mundo!
Conotação positiva: Árvore que dá abrigo a gente de todas as nações. Conotação negativa:   As aves mencionadas podem ser agentes do mal; abrigam-se na árvore e trazem dissolução.
O crescimento positivo O Reino dos Céus cresce e dá abrigo a todos os que Deus chama. E nada há que possa obstacular o crescimento do Reino de Deus.
O crescimento positivo pode acontecer também na igreja, enquanto ela for a fogueira que mantém as brasas acesas que levam o Evangelho a toda criatura. Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho! Entenda-se aqui a “organização igreja” enquanto lugar de crescimento espiritual, aio para o caminho da Salvação; lugar de gozo, vestíbulo do Reino de Deus, de amor, de graça e de comunhão santa entre os crentes.
Alguns exegetas entenderam que o grão de mostarda bem poderia ser a Igreja, que começou humilde e perseguida, e hoje é uma grande árvore, na qual se abrigam as aves de todas as nações. Mas ...
REINO DOS CÉUS é diferente da Igreja
Conotação negativa
Mt 13.4 - E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram.
Mt 13.19 - A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
Jr 5.25,27 – 26 Porque entre o meu povo se acham perversos; cada um anda espiando, como espreitam os passarinheiros; como eles, dispõem armadilhas e prendem os homens. 27 Como a gaiola cheia de pássaros, são as suas casas cheias de fraude; por isso, se tornaram poderosos e enriqueceram.
Essa conotação negativa
não pode ocorrer em relação ao Reino dos Céus, pois nada poderá obstacular o Plano de Deus.
Logo a conotação negativa só pode ocorrer no âmbito da “organização Igreja”:
A igreja, sim,  pode sofrer um crescimento maligno: A igreja cresceu e hoje serve de abrigo a muitos que se usam dela para interesses e benefícios pessoais. Até chegam a ser grandes negócios! Aves más!
Ap 18.2, 3 – 2 Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável, 3 pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição.
Jesus advertiu os discípulos que a aparente grandiosidade da igreja pode ser extremamente negativa: Os verdadeiros crentes são na verdade um pequeno rebanho cercado de lobos!  Lc 12.32; Mt 10.16
Essa parábola guarda estreita vinculação com os ensinamentos de Jesus acerca dos pseudo-crentes (aves más) que podem estar no seio da igreja:
O pseudo-crente
Não tem grande fé em doutrinas e nem acredita que as Escrituras devam ser compreendidas; prefere desfrutar de um “cristianismo light”, sem esforçar-se muito;
Se impacienta diante da instrução, da experiência e da orientação;
O seu “EU” acha-se no centro de sua vida. Faz todas as coisas girarem em torno de si mesmo e seu verdadeiro propósito é agradar a si mesmo!
Quer lazer, conforto, segurança, e por isso pode ser encontrado dentro da própria igreja.
Pensa em termos de quem indaga: Que posso conseguir disso? O que isso me dará? Que benefícios terei se disso participar?
Sendo essa a sua atitude, não se dispõe a enfrentar o pleno ensino do Evangelho e nem deseja aprender todo o Conselho de Deus. Ele não enfrenta toda a Palavra de Deus!
Não se dá ao trabalho de estudar a Palavra do Senhor e nem é um autêntico estudioso da Bíblia.
É seletivo: lê e cita o que aprecia. Aprecia a doutrina do amor de Deus, mas não a doutrina da justiça de Deus.
A palavra de Deus foi semeada...
Mas as sementes caíram à beira do caminho, as aves as comeram, e elas não germinaram no coração desses “crentes”, que vivem a vida da igreja, mas não têm o verdadeiro compromisso cristão!
Aves más...
O verdadeiro crente está alerta: Ele trabalha pelo crescimento do reino, porém sabe que tem, perto de si, tanto lobos como aves malignas e ... até serpentes!
“O problema inquietantemente confrontado pelos discípulos de Jesus foi explicar como o Reino de Deus poderia de fato estar presente em um ensinamento tão insignificante como o que foi levado a efeito no ministério de Jesus. Os judeus esperavam que o reino fosse como uma grande árvore, sob cujos ramos as nações encontrassem abrigo. De que modo o esperado Reino glorioso poderia ter qualquer relação com aquele pequeno e pobre grupo de discípulos ? Rejeitado pelos líderes religiosos, bem recebido por publicanos e pecadores, Jesus parecia-se mais com um indivíduo desiludido do que aquele que deveria ser o portador do Reino de Deus.”
As aves más... Provavelmente laboram no mesmo erro em que laboraram aqueles que esperavam um Reino de poder, terreno, carnal, corrupto pela essência do ser humano. Pois examine-se o homem a si mesmo e aninhe-se como pomba simples nos ramos da verdadeira árvore que é o Reino dos Céus, e que pode estar em qualquer lugar!
A parábola do fermento
Incorpora a mesma verdade básica: O Reino de Deus um dia dominará sobre a toda a Terra, mas entrou no mundo de um modo que é de difícil percepção. Como o fermento, que não vemos que parece ser engolido pela massa, mas que age e leveda toda a massa.
A verdade central da parábola reside no contraste entre a absurdamente pequena quantidade de fermento e a grande massa de um bushel de pão que ele leveda e produz. O Reino de Deus um dia irá prevalecer ao ponto de não existir reino soberano que rivalize com ele. Toda a massa da “farinha humana” será fermentada!
A expectativa dos judeus:
A vinda do Messias, e do Reino do Messias, significaria uma mudança total na ordem das coisas: A presente ordem má do mundo e da sociedade humana seria completamente deposta pela presença do Reino de Deus! Mas Jesus pregou a presença do Reino de Deus, e tudo continuou como dantes. Nada mudou essencialmente. Como então crer em sua mensagem?
A resposta de Jesus:
Quando uma pequena quantidade de fermento é colocada na massa, nada parece acontecer. Mas algo acontece, de fato, e transforma completamente aquela massa! Transformação total! A ênfase da parábola reside no contraste entre a vitória final e completa do Reino, quando a nova ordem de coisas for inaugurada, e a forma presente e oculta do Reino pela qual se manifestou no mundo.   1 Co 13.11. Ninguém poderia imaginar que Jesus e seu pequeno grupo de discípulos pudesse ter qualquer relação com o Reino de Deus, futuro e glorioso. No entanto, aquilo que se encontra presente no mundo, desde então, é de fato o próprio Reino!
Parábola do Fermento
  Texto: Mt 13:33 ( parábola do fermento)
Introdução: A grande dificuldade que a igreja hodierna ou contemporânea enfrenta é uma crise de visão e isso deve ao fato de não conseguir compreender sua natureza e finalidade como Corpo de Cristo na transformação da sociedade. O propósito desta mensagem é lançar novas luzes, por meio de uma teologia bíblica. Então falaremos de três aspectos que identifica a igreja fermento segundo a perspectiva do reino de Deus:
A primeira á ser identificada é a igreja invisível:
1-    Ela é invisível: porque ela não tem intenção de tomar o lugar de Cristo. João disse; o que importa é que eu diminua e tu cresça o Pai.
Jesus poderia ter realizado a maioria do seu ministério em uma grande capital como Jerusalém, mas Ele foi para a Galiléia. E o que era a Galiléia naqueles dias? Lugar marginalizado pela região judaica, pois ali se concentrava grande número de gentios, de analfabetos, de pobres e mendigos.
   Sofremos uma tentação de tornar as nossas igrejas visíveis ao ponto de Cristo ficar fora dela. (rádio, faixas, programas de televisão, cartazes) dizendo: “vem aí o grande Homem de Deus”. Se tornando estrelas, verdadeiros animadores de auditório que atraem os holofotes para si mesmo. Esta tentação pode ser chamada de “síndrome de Lúcifer” É o convite para que tomemos o lugar do próprio Cristo. Na união Soviética onde estava á igreja? Escondida mais atuante. Jesus prioriza o estar com ás pessoas dia á dia.
 Outro aspecto desta igreja é o fato de ser:
 2-    Ela é silenciosa: por não tocar trombeta
 O fermento quando atua na massa ninguém ouve barulho, ela não dá alarme como o caso dos fariseus que queriam ser reconhecidos por aquilo que faziam. O fato de não ouvir muito barulho não significa que ela está morta. Jesus quando realizava um milagre dizia para os discípulos não saírem comentando.
   3-    Ela é penetrante
   Um pouco de fermento tem a capacidade de influenciar o poder do evangelho. Um pouquinho é capaz de transformar á sociedade.
A pergunta é, quando é quanto nós temos investido na sociedade. É triste de dizer que 90% têm sido na igreja umbilical.
3.1      Nós preocupamos com ás estruturas, graus eclesiásticos, posições.
·        Vivemos em um pragmatismo religioso, ou seja, estamos mais preocupados em questões abstratas do que o essencial que é amar a Deus acima de todas ás coisas e o seu próximo como a ti mesmo. Estamos preocupados em mudar o estilo de vida das pessoas ao nosso padrão. Deixe que elas se acheguem á Deus. A bíblia diz: conhecereis á verdade e ela vos libertará.
3.2       Com formas, que jeito será o culto, quem será q vai pregar,
·        Experiências: aquém diz: que não ter experiência, não tem intimidade com Deus. (a verdadeira experiência é quando a massa que é o mundo reconhece á formula, ou seja, uma formula sem adulteração como acontece com os combustíveis, sem falsificação como acontece com o dinheiro).
3.3     Com o nosso bem estar e comodidade.
Nós como fermento temos que penetrar na farinha. Este é o poder penetrante da igreja. Deus quer que você exerça o seu papel de ser igreja. Dietrich Bonhoffer afirma: “a igreja só é igreja quando existe para outros”.
 Conclusão: qual tem sido a igreja que tem representado a imagem do Reino de Cristo?
Quando Cristo olha para a Igreja o que ele vê?
O que é a Igreja? A grande estrutura?

terça-feira, 6 de março de 2012

2ª Parte- Estudo do Triênio

2.2. CHAMOU MOISÉS DE UMA SARÇA ARDENTE

            Se a vocação de Abraão exprime o chamado de um homem da idolatria à fé (cf. Jos. 24,2-3.14) aquela de Moisés é um chamado de um indivíduo ao qual Deus confia uma missão superior de libertar os filhos de Israel, depositários da bênção (cf. Gên. 27; 48-49), no momento oprimidos na terra do Egito (cf. Ex. 1,8-14).
            Como Abraão é a resposta de Deus aos “gemidos” de uma humanidade oprimida pelo peso de sua própria “arrogância”, Moisés é a resposta concreta de Deus aos “gemidos” dos Israelitas, oprimidos pelo.faraó. “Os Israelitas gemeram por sua escravidão, fizeram subir gritos de lamento e do fundo de sua escravidão, subiu o seu clamor até Deus. Agora Deus ouviu os seus gemidos e lembrou-se de sua aliança com Abraão, Isaac e Jacó. Olhou para os Israelitas e os reconheceu” (Ex. 2,23-25). Deus responde ao grito dos Israelitas irrompendo na história e chamando Moisés, o salvo das águas, para mandá-lo a libertar o seu povo da escravidão dos egípcios.

2.2.1. Manifestação de Deus.

O salvo das águas é adotado pela filha de faraó (Ex. 2,10). Moisés permanece na corte do rei do Egito até a idade madura. O qual, como se lê no livro dos Atos, vem educado “em toda a sabedoria dos Egípcios” (At. 7,22). Quando chegou aos quarenta anos (cf. At. 7,22), veio-lhe à mente visitar seus irmãos, os filhos de Israel. Descoberto o seu estado de opressão toma a sua defesa (Ex. 2,12). Sentindo-se rejeitado pelos seus próprios irmãos na fé (Ex. 2,14) e perseguido de morte pelo faraó (Ex. 2,15), Moisés rompe com o seu passado e, fugindo encontra refúgio numa tribo de madianitas (Ex. 2,15-22), onde, como no tempo dos patriarcas, também se dedica a apascentar o rebanho (Ex. 3,1).
Na solidão do deserto Moisés encontra Deus, que se lhe revela como o Deus dos pais e lhe fala das promessas. O encontro tem lugar no deserto “ao monte de Deus”. O deserto, visto como ambiente natural da revelação e da salvação, é o lugar onde Deus se manifesta a Moisés. A atenção é atraída por uma “sarça” ardente que arde no fogo sem consumar-se (Ex. 3,2). Curioso pelo fato, Moisés decide dar uma volta ao seu redor para entender de que coisa se trata. (Ex. 3,3). É Deus que irrompe na vida de Moisés e se lhe revela em um dos tantos “sinais”, que, na Bíblia denotam a presença divina. Também na vocação de Moisés, a visita divina é repentina e imprevista. É Deus que se revela a Moisés, entrando em diálogo com ele, e não Moisés que vai à procura de Deus.

2.2.2. Chamado Divino

Ao aproximar-se de Moisés Deus faz ouvir a sua voz, chamando-o pelo nome e dirigindo-lhe a palavra. Moisés dá-se conta de encontrar-se na presença misteriosa de alguém que o conhece intimamente: chama-o de fato repetindo por duas vezes o seu nome (Ex. 3,4-6).
            Na descrição da vocação de Moisés encontramos o verbo “chamar”, um verbo vocacional por excelência. Interpelado por Deus, também Moisés, como a criação (Br. 3,35), Samuel (1 Sam. 3,1-10) e o profeta Isaias (cf. 6,8), responde prontamente “Eis-me aqui!”
            A palavra de Deus, que chama, exige de fato prontidão no acolher o convite e generosidade para colocar-se a disposição da missão pela qual alguém é chamado.
O Deus que chama Moisés e lhe confia a missão de libertar o povo da opressão egipciana, é o mesmo Deus que se revelou aos Pais (Ex. 3,6). Não é portanto um Deus desconhecido, mas o Deus que elegeu Abraão e que prometeu fazer dele uma grande nação, o Deus da aliança, o custódio dos Patriarcas que os acompanhou em todas as suas peregrinações e que neste momento veio visitar Israel para fazê-lo sair do Egito para o país que Ele havia prometido com o juramento de dar a Abraão, a Isaac e a Jacó. Moisés entra assim na dinâmica da história da salvação, e como ele foi salvo das águas, assim por seu meio Deus veio visitar e salvar o seu povo que geme sob a opressão dos egípcios.

2.2.3. Missão de Moisés

            Chamado Moisés, Deus lhe confia o dever de libertar Israel da opressão egipciana. “Eu vi, eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores, eu conheço de fato seus sofrimentos. E desci para o livrar das mãos do Egíto e para fazê-lo sair deste país para uma terra fértil e espaçosa, uma terra que mana leite e mel, lá onde habitam os cananeus, os hiteus, os amorreus, os ferrezeus, os heveus e os jabuseus. Agora eis que os clamores dos Israelitas chegaram até mim, e vi a opressão que lhes fazem os egípcios”. (Ex. 3,7-9).
            No plano de Deus a opressão tende a tornar cientes os Israelitas que são o povo da aliança e depositários da promessa feita por Deus aos Pais. Tomados e absorvidos por outras preocupações, os Israelitas não foram capazes de ter viva em si mesmos a “esperança” dos Pais. Se a promessa da posteridade tivesse se tornado realidade (cf. Ex. 1,7.9), aquela da “terra” deveria ainda cumprir-se.
            Sob o peso da opressão, os Israelitas levantaram gritos de lamento e seus gritos subiram até Deus que ouviu o seu lamento, se recordou da sua  aliança com Abraão e Jacó, enviou Moisés e libertou-os.
            A missão de Moisés, o libertador, se verifica em duas direções: nos confrontos com o faraó (Ex. 3,7-10) e nos confrontos com os Israelitas (Ex. 3,16-20).
            Moisés recebe a ordem de apresentar-se ao faraó em nome do Deus dos Hebreus para pedir-lhe que deixe livre o seu povo (Ex. 3,10).
            Aos Israelitas Moisés deve recordar as promessas feitas por Deus aos Pais (Ex. 3,16-17).
            Em nome do Deus dos Pais, Moisés liberta o povo da opressão egípcia e os cunduz a viverem a aliança e as promessas na terra de Canaã (cf. Ex. 6,6-8).

2.2.4. Objeções de Moisés

            Ao comando de Deus: “Vai, eu te envio para tirar do Egito os Israelitas, meu povo” (Ex. 3,10). Moisés contrapõe sua fraqueza de pastor de ovelhas, na vã tentativa de resistir ao chamado divino que sente superior às suas forças (Ex. 3,11).
            À objeção de Moisés, comum na Bíblia a outras vocações (cf. Jz. 6,15; Is. 6,5; Jer. 1,6; etc), segue a garantia da proteção de Deus, expressa na fórmula clássica: “Eu estarei contigo” (Ex. 3,12). O sucesso da missão não dependerá da sua capacidade humana, mas da ajuda de Deus.
            Moisés se rende. A nova obediência tem fundamento na sua própria pessoa: “Ah, Senhor! Eu não tenho o dom da palavra; nunca o tive, nem mesmo depois que falastes ao vosso servo; tenho a boca e a língua pesadas” (Ex. 4,10; cf. 6,12). Deus responde à nova objeção assegurando a sua ajuda: “Vai, pois eu estarei contigo quando falares e ensinar-te-ei o que terás a dizer”(Ex. 4,12).
            Moisés faz uma última tentativa para subtrair-se à difícil missão (Ex. 4,13) provocando assim a cólera de Deus (Ex. 4,14). Diante da reação do Senhor, cai nele todo o ulterior capricho de resistir-Lhe. Obtém todavia compreensão e, na sua real dificuldade de palavras, o Senhor consente que seja ajudado por seu irmão Aarão (Ex. 4,15).
            Para libertar o seu povo escolhe um homem balbuciante, já rejeitado por seus irmãos, fugindo para o país de Madiã, e o constitui “chefe e juiz” sobre seu povo. Sustentado pela força que vem do Senhor, Moisés volta ao Egito e reivindica para todos os seus irmãos oprimidos, a dignidade de filhos de Deus (Ex. 4,22-23).

2.2.5. Revelação do nome

            A objeção de Moisé: “Quem sou eu para ir ter com faraó”(Ex. 3,11), o Senhor responde assegurando-lhe a sua proteção: “Eu estarei contigo”. Moisés não se contenta; deseja conhecer o nome de Deus, isto é, a sua pessoa (Ex. 3,13). O conhecimento do nome de Deus, pedido por Moisés tem por fim fazer acreditar sua missão junto ao povo. A resposta de Deus a sua pergunta está contida em três colocações que exprimemo o conteúdo do nome do Senhor, capaz de fazer crer junto ao povo a missão de Moisés: “EU SOU AQUELE QUE SOU!” “EU SOU envia-me junto de vós”, “O Senhor, o Deus dos vossos Pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó é que me envia junto de vós”(Ex. 3,14-15).
            Ao pedido de Moisés, Deus responde revelando o seu nome, isto é, manifestando e fazendo conhecer a ele e a todos os Israelitas que Ele é “aquele que está presente” em meio ao seu povo para libertá-lo da opressão de faraó,  “aquele que está presente” com Moisés na história da salvação e pronto a agir por meio do seu eleito (Ex. 6,6-8).
            Não somente os Hebreus, mas os próprios egípcios, saberão que “EU SOU” não é um nome vazio. O faraó, na sua arrogância, não poderá opor-se ao longo à vontade salvífica e soberana do Deus dos Hebreus.
            “EU SOU” é portanto aquele cuja essência é existência; aquele que na sua existência não depende de ninguém; o Senhor do cosmo e da história, o salvador de Israel. Como tal quer ser reconhecido e invocado por todos, de geração em geração (Ex. 3,15).

2.2.6. Realizações Pessoais de Moisés

            A resposta ao chamado de Deus permite a Moisés de realizar-se não como “filho adotivo” da filha do faraó, não como “pastor de ovelhas” à dependência de Jetro, seu sogro, mas como enviado de Deus e por Ele mesmo constituído “chefe e juiz” de Israel (cf. Ex. 2,14; At. 7,27.35), isto é, como libertador e mediador da aliança, como profeta e legislador do povo de Deus, como intercessor.
            Os muitos “sinais e prodígios”, feitos por Moisés no Egito, são ordenados a fim de que creiam nele os Israelitas e o próprio faraó como autêntico enviado por Deus (cf. Ex. 10,1), e convencer o faraó a deixar partirem os Israelitas do seu país e a ceder a sua arrogância. A subordinação aos “sinais e prodígios” a palavra, permite distinguir os “prodígios” efetuados por Moisés, verdadeiro profeta, dos “mágicos” dos magos egípcios, falsos profetas.
            A nova personalidade de Moisés se realiza sobretudo como mediador da aliança. A aliança do Sinai de fato está toda relatada no livro do Êxodo. Aqui a aliança familiar de Abraão (cf. Gên. 17) transforma-se em aliança nacional, na qual vêm proclamadas as prerrogativas sacerdotais e reais do povo de Deus (cf. Ex. 19,3-6).
            Moisés não é somente o “chefe” do povo da aliança, mas também o “profeta”, cheio do Espírito do Senhor (cf. Nm. 11,25), pois fala em nome de Deus (cf. Ex. 19,6-8; 20,19; Dt. 5,1-5) é o legislador que transmite aos filhos de Israel a lei divina e ensina a eles o caminho a seguir para agradar o Senhor e obterem a vida (cf. Ex. 18,19-20; 20,1-17; Eclo. 45,1-6).
            A personalidade de Moisés se exprime sobretudo na sua grande sensibilidade para com o povo, com o qual condivide “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias”, na sua função de intercessor. Com suas orações Moisés assegura a Israel a vitória sobre os inimigos (cf. Ex. 17,9-13) e obtém de Deus o perdão dos pecados para um povo infiel e de dura cerviz.
            A verdadeira personalidade de Moisés é aquela de ser mediador entre Deus e o povo. Sobre esta linha ele se realiza plenamente, também quando a convivência entre as exigências de Deus de um lado e de outro um povo com “coração de escravos” se torna impossível. A sua vocação é viver todo o choque dramático “rezando” para que o perdão ligue estas duas difíceis alianças, ratificada pelo sangue (Ex. 24, 3-8; Dt. 9,25; Sal. 106,23).

2.3. GUIOU JOSUÉ NA TERRA PROMETIDA

Josué, que estava a serviço de Moisés desde a sua juventude (Nm. 11,28; cf. Ex. 24,13), é chamado a sucedê-lo no ministério. Depois que Moisés foi excluído para entrar na terra prometida, Deus confia a Josué o encargo de levar a cumprimento a obra da libertação iniciada no Egito.
            A vocação de Josué, descrita em Nm. 27, 18-20 e Dt. 31,1-8.23, apresenta novos elementos, em relação àqueles já examinados. Ele não é chamado diretamente  por Deus, mas por meio de uma terceira pessoa, isto é, na mediação de Moisés; além disso pela primeira vez testemunha o rito da imposição das mãos.

2.3.1. Chamado Divino

            A diferença de tantas outras vocações do A.T. e N.T., naquela de Josué falta um intervento direto de Deus (palavra, visão, manifestação); essa aparece através de um mediador, Moisés, a quem é dito: “Toma Josué filho de Num, no qual reside o espírito (Nm. 27,18a) e impõe-lhe a mão. O verbo “tomar” tem aqui o significado de “eleger”, “chamar”. Este modo de indicar a vocação é freqüente na Sagrada Escritura. Para cada chamado, individual ou nacional, que seja, se pode dizer que é um “eleito”, isto é, um tomado, possuído por Deus. Além do verbo “tomar”, com senso vocacional, a Escritura conhece também a expressão “tomar pela mão”.
            Com o verbo “tomar” o A.T. indica algumas das vocações mais significativas da Bíblia: Abraão, Davi (cf. 1Sam. 16, 11-13; 2Sam. 7,8), Amós (Am. 7,14-15), Isaias (8,11), o Servo do Senhor (Is. 42,6), Zorobabel (Ag. 2,23) e mesmo Jeroboão, primeiro rei do reino de Israel (1Re. 11,37).
O verbo “tomar” em Nm. 27,18a é portanto, um verbo vocacional o qual inclue e exprime o projeto de Deus sobre Josué. Projeto que não lhe será revelado diretamente por Deus, mas indiretamente pela mediação de Moisés (cf. Dt. 31,14) A presença do “Espírito”, do qual, Josué era possuído pelo tempo (cf. Nm. 11,24-30), denota que o candidato, eleito à sucessão de Moisés, possui a qualidade exigida para a Missão de guia do povo, que Deus estava por confiar-lhe, e que, ele haverá de introduzir na terra prometida.

2.3.2. Rito de investidura

            Chamado a suceder Moisés, Josué recebe a autoridade por meio da imposição das mãos. Com este rito de investidura, ele é preenchido pelo “Espírito de Sabedoria” (Dt. 34,9) e lhe é outorgada a capacidade de exercitar a função de chefe do povo de Deus, com relativos poderes.
            A imposição das mãos é um rito várias vezes testemunhado já no A.T. com diversos significados. Pode indicar: 1) a riqueza da bênção que os Patriarcas transmitiam aos seus filhos (cf. Gên. 48,13-20); 2) a união íntima existente entre a vítima e o oferente (cf. Núm. 8,10-16; Lv. 1,4; 3,2; 4,4; 16,21-22); 3) o tomar posse de um ofício, com relativo outorga de poder, como no nosso caso.
A imposição das mãos sobre Josué da parte de Moisés, se desenvolve na presença do sacerdote Eleazar e de todo o povo. De fato disse o Senhor a Moisés: “Toma Josué... impõe-lhe a mão. Apresentá-lo-ás ao sacerdote Eleazar e a toda a assembléia, e o empossarás sob os seus olhos”. (Num. 27,18b-19).
            Com este rito, Moisés transmite a Josué parte da sua autoridade de “chefe e juiz”. Naquele momento Josué é formalmente reconhecido chefe de Israel; a ele todo o povo deve obediência.

2.3.3. Missão

            Dúplice é a missão conferida a Josué mediante a imposição das mãos: uma carismática e a outra político-militar. Enquanto chefe carismático, Josué é um homem “cheio de sabedoria” (Dt. 34,9). Também se inferior a Moisés, os Israelitas reconhecem nele o novo guia do povo e lhe obedecem como já haviam obedecido a Moisés. Por ser guia espiritual do povo Josué não deverá mais se distanciar da lei do Senhor, mas meditá-la dia e noite, para ser capaz de operar segundo o que lhe é prescrito (Js. 1,8), transmitir ao povo a palavra de Deus (cf. Js. 20,1-6) e tornar a chamá-lo à fidelidade, à aliança concluída com Deus no deserto (Js. 22,1-8; 24,1-24), o qual lhe fará renovar na grande assembléia de Siquém.
            Enquanto chefe militar, Josué recebe o dever de introduzir Israel na Terra prometida. Na condução do seu papel de condutor, é ajudado e preparado pelo sacerdote Eleazar, o que ele é levado a consultar antes de agir, para saber se as operações militares que está para empreender valem a pena e se são agradáveis a Deus (Nm. 27,21).

2.3.4. Resposta ao chamado de Deus

            Não se conhece qual tenha sido a reação de Josué ao chamado de Deus, isto é, como Moisés, tinha oposto resistência, apresentando as suas objeções, ou se, como Abraão, havia aderido pronta e generosamente.
            Sabemos somente que, como em todas as vocações do A.T. e do N.T., Deus assegura a Josué a sua ajuda. Na presença de todo o povo, Moisés disse a Josué: “Mostra-te varonil e corajoso porque entrarás com este povo na terra que o Senhor jurou dar a seus pais, e a repartirás entre eles. O Senhor mesmo marchará diante de ti; e estará contigo, não te deixará, nem te abandonará. Nada temas, e nem te amedrontes”. (Dt. 31,7-8). Também para Josué a presença divina (eu estarei contigo... não temas) é a garantia da proteção divina no cumprimento da missão. As mesmas coisas são repetidas por Deus a Josué depois da morte de Moisés (Js. 1,5-7).
            A Moisés, mediador da vocação, Deus confia também o dever de torná-lo forte e infundir coragem a Josué (Dt. 3,28, cf. 1,38), isto é, assegurar a ele e ao povo que mais uma vez, como na saída do Egito, Deus os precederá e combaterá a favor deles.

2.3.5. Realizações Pessoais de Josué

            Feito partícipe da autoridade de Moisés, mediante o rito da imposição das mãos, Josué torna-se e é por todos reconhecido como “pastor”, isto é, chefe carismático e militar da comunidade dos Israelitas. Sustentado pela proteção divina “eu estarei contigo, não temas” e confiado ao sacerdote Eleazar, Josué guia com segurança Israel à conquista da terra de Canaã, conforme as promessas feitas por Deus a Abraão. O autor do livro de Josué nos informa que “de todas as belas promessas, que o Senhor havia feito à casa de Israel, não falhou nenhuma, todas se cumpriram” (Js. 21,45). É sob a guia de Josué, chefe militar, que Israel tomou posse da terra de Canaã e Deus concede ao seu povo “repouso” sobre todas as fronteiras.
            Como chefe carismático, Josué recebeu de Deus o dever de andar nos caminhos do Senhor. Como se pode deduzir através de um testemunho do próprio Josué, a sua função de “pastor” teve sucesso também sob este aspecto: De fato dirá aos Israelitas “Observastes o que vos ordenou Moisés, servo do Senhor; e obedecestes a todos os mandamentos que vos dei” (Js. 22,2). No seu discurso de despedida (Js. 23), após ter recordado as grandes maravilhas de Deus na história da salvação, Josué exorta os filhos de Israel a perseverarem na observância da lei de Moisés sem se desviarem nem a direita e nem à esquerda, e, como no passado, a permanecerem fiéis ao Senhor seu Deus (Js. 23,6-8).
            A vida de Josué termina em idade avançada, depois da grande assembléia de Siquém (Js. 24,29-30), com a satisfação de ver todas as tribos reunidas em Siquém para renovar a aliança na terra prometida.


2.4. CHAMOU PELO NOME O JOVEM SAMUEL

            Samuel aparece num momento crítico da história de Israel, isto é, na passagem da estrutura tribal do povo de Deus, típica do período dos Juízes, aquela da monarquia. Desta história Samuel é intérprete e árbitro.
            A péssima condição religiosa e política na qual se encontrava Israel, e da qual sofria no último período do serviço sacerdotal de Elias, por causa da perversão dos seus filhos (cf. 1 Sam. 2,27-36), Deus responde escolhendo Samuel para salvar o seu povo, reconduzindo-o à obediência a palavra de Deus e fazendo-o sair da anarquia tribal na qual se encontrava, dando-lhes um homem capaz de iniciar a história da unidade nacional.

2.4.1. O papel da mãe na vocação de Samuel

            A vocação de Samuel constitui um caso todo particular, que não é encontrado em outra vocação do A.T.. Pela primeira vez, vem o mensageiro de fato, ressaltar o papel próprio da mãe, tanto na origem, quanto na formação de uma vocação.
            Samuel é um “dom” de Deus para Anna, que lhe havia suplicado “no excesso de sua dor e de sua amargura” (1Sam. 1,16), e um “dom de Anna ao Senhor” (1Sam. 1,11), o qual se recordou dela. A sua vocação todavia não é atribuída à mãe, que o ofertou ao serviço do Tabernáculo, mas unicamente a Deus que o chama e o doa qual profeta e juiz ao seu povo num tempo em que “a palavra do Senhor era rara” (1Sam. 3,1).   Fiel ao voto feito em Silo (1Sam. 1,11), depois de haver desmamado seu filho, Anna o conduz ao templo de Silo para ofertá-lo ao Senhor. A sua formação, iniciada em Ramá pela mãe, é continuada com o cuidado do sacerdote Eli em Silo, onde Samuel prestava serviço ao Senhor, o quanto podia como uma criança (1Sam. 2,18). Aqui, sob a guia de Eli, que funcionava como pedagogo e confortado pela visita anual dos pais ((1Sam. 2,19), Samuel “crescia em estatura e bondade diante do Senhor e dos homens” (1Sam. 2,26).

2.4.2. Chamado divino

            Num tempo em que “a palavra do Senhor era rara e as visões não eram freqüentes” (1Sam. 3,1b), a palavra de Deus, inesperada por Eli e pos seus filhos, irrompe com forç na história e, como já no passado, chama pelo nome um jovem e o constitui profeta (1Sam. 3,4.6.8.10). A cenografia da vocação de Samuel é  por tudo, extraordinária. É noite. Samuel dorme nos arredores do templo onde estava a arca da aliança, com o encargo de vigiar a lâmpada no lugar do idoso Eli, que não podia mais vê-la. O jovenzinho ouve chamá-lo pelo nome (1Sam. 3,4). Acordado pela voz, Samuel responde: “Eis-me aqui”, e corre a Eli. O fato se repete por três vezes. Depois da segunda chamada, o autor do livro de Samuel repara o fato que até aquele momento o jovenzinho não havia ainda conhecido o Senhor, não lhe tinha sido ainda revelada a palavra do Senhor (1Sam. 3,7). O Senhor torna a chamar Samuel pela terceira vez. Ele se levantou e aproximou-se de Eli. Este não teve mais dúvidas. Compreendeu que é Deus a chamar Samuel pelo nome, por isso o ajuda a identificar a misteriosa “voz”, sugerindo-lhe também como responder ao Senhor: “Vai deitar-te e se te chamar de novo, dirás: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta” (1Sam. 3,9).
            Depois que Samuel foi deitar-se no seu lugar, veio o Senhor e ficou ali presente, e o chama, como das outras vezes pelo nome. Instruído por Eli a identificar-se, à palavra que o interpela, a voz do Senhor, Samuel responde: Fala Senhor, que o teu servo te escuta” (1Sam. 3,10). O Senhor se revela pela primeira vez a Samuel no santuário de Silo. Aqui, na mediação do velho Eli, sacerdote e juiz da tribo de Israel, Samuel toma consciência do projeto que Deus tem sobre ele, e, sem opor resistência alguma, se coloca a serviço da missão que o Senhor está por confiar-lhe.

2.4.3. Missão

Deus confia a Samuel uma dúplice missão: o de profeta (1Sam. 3,20) e a de juiz (1Sam. 7,16).
            Enquanto profeta, Samuel é porta-voz de Deus, o defensor de seus direitos e o executor dos seus desígnios. Tudo o que ele diz, acontece sempre (1Sam. 9,6); nenhuma palavra do Senhor caiu por terra (1Sam. 3,19).
            A este jovenzinho Deus confia um julgamento para transmitir ao sacerdote Eli, seu instrutor e mediador na vocação (1Sam. 3,11-14).
O autor do nosso livro, num breve sumário, reassume toda a atividade profética de Samuel, fazendo-o ver como o seu carisma profético é universalmente reconhecido (1Sam. 3,19-4,1).
Enquanto juiz, Samuel pronuncia as “decisões” de Deus. Ao povo que vem “consultar o Senhor” nos vários santuários e que o interroga não somente sobre os problemas relativos ao culto, mas também sobre aqueles concernentes à justiça, ele dá as respostas detalhadas da tradição, dos quais todo sacerdote deve ser períto, e do código da aliança (1Sam. 7,15-17).
            Por ser um “juiz” pacífico, Samuel não estranha a situação política: convida o povo a voltar ao Senhor, a eliminar todos os deuses estrangeiros, a direcionar ao Senhor os seus corações, e a servir somente a Ele, se querem ser libertos das mãos dos Filisteus. Seguros pela oração de Samuel e favorecidos pela ajuda do Senhor, os Israelitas derrotam os filisteus e se libertam da sua opressão por todo o tempo em que Samuel permaneceu como “juiz” de Israel (1Sam. 7,3-15).

2.4.4. Resposta ao chamado de Deus

            Na resposta de Samuel a vocação de profeta e de juiz falta uma objeção qualquer com relativa garantia da parte de Deus. Um aceno à proteção divina pelo eleito existe no sumário do livro de Samuel, onde se diz que “Samuel conquistou autoridade porque o Senhor estava com ele, e nenhuma das palavras que lhe dissera deixou cair em terra” (1Sam. 3,19).

2.4.5. Realização pessoal de Samuel

A realização pessoal de Samuel se concentra sobre duas linhas: como levita-nazireo, que presta serviço ao Tabernáculo no templo de Silo, e como profeta-juiz de Israel, que transmite ao povo a palavra de Deus e o liberta da opressão dos Filisteus. O segredo desta sua realização pessoal é encontrado na “consagração ao Senhor”e na “plena obediência à palavra de Deus”.
No primeiro período, o autor sacro nota o fato que o filho de Anna, em oposição ao filho de Eli, crescia não só como homem (em estatura), mas também espiritualmente (em bondade). Deste seu crescimento harmônico sobre o plano físico, psíquico e espiritual são testemunhas Deus e os seus contemporâneos (1Sam. 2,26).
Não é diferente o juízo sobre o segundo período da vida de Samuel.
Afirma-se dele como profeta que era grande e acreditato como tal, pelo Senhor junto ao povo (1Sam. 3,19-20).
De Samuel, enquanto juiz, se diz que exerceu este ofício por todo o tempo de sua vida e em diversas localidades (1Sam. 7,15-16). Convicto do vínculo estreitíssimo que ocorre entre a liberdade de reencontrar a fé e mantê-la, ele instrui o povo com o exemplo e com palavras a obedecerem ao Senhor e a retornarem a Ele com todo o coração. Deve-se a sua constante pregação, unida a uma oração não menos obstinada, através da qual, Israel readquire a independência dos Filisteus, condição indispensável pela própria fidelidade do povo à aliança (1Sam. 7,2-14).
Exemplo de fidelidade à própria vocação-missão, vista num contexto de profundas transformações, Samuel indica na fiel escuta à palavra de Deus e na obediência a mesma, o caminho para uma autêntica promoção da pessoa humana e para a plena realização de toda vocação.


LEITURA

A religião judaica

            Observando o mistério da Igreja, este Sacro Concílio recorda o vínculo com o qual o povo do N.T. é espiritualmente ligado com a estirpe de Abraão.
            A Igreja de Cristo de fato reconhece que o início da sua fé e da sua eleição se encontram já, segundo o mistério divino da salvação, nos patriarcas, em Moisés e nos profetas. Essa afirma que todos os fiéis de Cristo, filhos de Abraão, segundo a fé, são inclusos na vocação deste patriarca e que a salvação pela Igreja é misteriosamente prefigurada no êxodo do povo eleito da terra da escravidão. Por isto a Igreja não pode esquecer que recebeu a revelação do Antigo Testamento por meio daquele povo com o qual Deus, na sua inefável misericórdia, se dignou de estreitar na antiga aliança, e que essa se nutre da raiz da oliveira boa sobre os quais foram enxertados os ramos da oliveira selvática que são os povos pagãos. A Igreja crê de fato que Cristo, a nossa paz, reconciliou os hebreus e os povos pagãos por meio da sua cruz e dos dois fez um só em si próprio.
            A Igreja não obstante tem sempre diante dos seus olhos nas palavras do apóstolo Paulo, o cuidado com os homens de sua estirpe, “os quais participam da adoção filial, a glória, os pactos das alianças, a legislação, o culto, as promessas, aos quais pertencem os patriarcas e dos quais descende o Cristo, quanto à carne ele que é acima de tudo, Deus bendito pelos séculos!” (Rm. 9,4-5), filho de Maria virgem. Isso recorda também que do povo hebreu são nascidos os apóstolos, fundamento e colunas da Igreja, e muitíssimos dos primeiros discípulos os quais anunciaram ao mundo o Evangelho de Cristo.
            Como atesta a Sagrada Escritura, Jerusalém não reconheceu o tempo em que foi visitado; os hebreus, em grande parte, não aceitaram o Evangelho, e antes não poucos se opuseram à sua difusão. Todavia, segundo o apóstolo, os hebreus, pela graça dos patriarcas, continuam ainda amados por Deus, a cujos dons e chamados não se arrependeram.
            Com os profetas e com o próprio apóstolo a Igeja espera o dia que só Deus conhece, no qual todos os povos aclamarão o Senhor com uma só voz e “o servirão sob um mesmo jugo” (Sof. 3,9).
            Portanto, sendo grande o patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos hebreus, este Sacro Concílio quer promover e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, que se obtém sobretudo nos estudos bíblicos e teológicos e de um e de um diálogo fraterno (da declaração conciliar “Nostra Aetate” nº 4).

O Joio


1) Oração
Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo: redobrai de amor para convosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passa, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 13,36-43)
36 Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” 37Ele respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38 O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39 O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os que cortam o trigo são os anjos. 40 Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41 o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal; 42 depois, serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.
3) Reflexão Mateus 13, 36-43
* O evangelho de hoje traz a explicação que Jesus, a pedido dos discípulos, deu da parábola do joio e do trigo. Alguns estudiosos acham que esta explicação, dada por Jesus aos discípulos, não seja de Jesus, mas sim da comunidade. É possível e provável, pois uma parábola, por sua própria natureza, pede o envolvimento e a participação das pessoas na descoberta do sentido. Assim como a planta já está dentro da sua semente, assim, de certo modo, a explicação da comunidade já está dentro da parábola. É exatamente este o objetivo que Jesus queria e ainda quer alcançar com a parábola. O sentido que nós hoje vamos descobrindo na parábola que Jesus contou dois mil anos atrás já estava implicado na história que Jesus contou, como a flor já está dentro da sua semente.
  • Mateus 13,36: O pedido dos discípulos para explicar a parábola do joio e do trigo
Os discípulos, em casa conversam com Jesus e pedem uma explicação da parábola do joio e do triga (Mt 13,24-30). Várias vezes se informa que Jesus, em casa, continuava o seu ensinamento aos discípulos (Mc 7,17; 9,28.33; 10,10). Naquele tempo não havia televisão e nas longas horas das noites do inverno o povo reunia para conversar e tratar dos assuntos doa vida. Jesus fazia o mesmo. Era nestas ocasiões que ele completava o ensinamento e a formação dos discípulos.
* Mateus 13,38-39: O significado de cada um dos elementos da parábola
Jesus responde retomando cada um dos seis elementos da parábola e lhes dá um sentido: o campo é o mundo; a boa semente são os membros do Reino; o joio são os membros do adversário (maligno); o inimigo é o diabo; a colheita é o fim dos tempos; os ceifadores são os anjos. Experimente você agora ler de novo a parábola (Mt 13,24-30) colocando o sentido certo em cada um dos seis elementos: campo, boa semente, joio, inimigo, colheita e ceifadores. Aí, a história toma um sentido totalmente diferente e você alcança o objetivo que Jesus tinha em mente ao contar esta história do joio e do trigo ao povo. Alguns acham que esta parábola que deve ser entendida como uma alegoria e não como uma parábola propriamente dita.
* Mateus 13,40-43: A aplicação da parábola ou da alegoria
Com estas informações dadas por Jesus você entenderá a aplicação que ele dá: Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, o mesmo também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão todos os que levam os outros a pecar e os que praticam o mal, e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai”. O destino do joio é a fornalha, o destino do trigo bom é o brilho do sol no Reino do Pai. Por de trás destas duas imagens está a experiência das pessoas. Depois que elas escutaram Jesus e o aceitaram em suas vidas, tudo mudou para elas. O fim chegou. Ou seja, em Jesus chegou aquilo que, no fundo, todos esperavam: a realização das promessas. A vida agora se divide em antes e depois que escutaram e aceitaram Jesus em suas vidas. A nova vida começou como o brilho do sol. Se tivessem continuado a viver como antes, seriam como o joio jogado na fornalha, vida sem sentido e sem serventia para nada.
* Parábola e Alegoria.
Existe a parábola. Existe a alegoria. Existe a mistura das duas que é a forma mais comum. Geralmente tudo é chamado de parábola. No evangelho de hoje temos o exemplo de uma alegoria. Uma alegoria é uma história que a pessoa conta, mas enquanto conta, ela não pensa nos elementos da história, mas sim no assunto que deve ser esclarecido. Ao ler uma alegoria não é necessário olhar primeiro a história como um todo, pois numa alegoria a história não se constrói em torno de um ponto central que depois serve como meio de comparação. mas cada elementos tem a sua função independente a partir do sentido que recebe. Trata-se de descobrir o que cada elemento das duas histórias nos tem a dizer sobre o Reino como fez a explicação que Jesus deu da parábola: campo, boa semente, joio, inimigo, colheita e ceifadores. Geralmente, as parábolas são alegorizantes. Mistura das duas.
4) Para um confronto pessoal
1)No campo existe tudo misturado: joio e trigo. No campo da minha vida, o que prevalece: o joio ou o trigo?
2) Você já tentou conversar com outras pessoas para descobrir o sentido de alguma parábola?
5) Oração final
Feliz aquele que tem por protetor o Deus de Jacó,
que põe sua esperança no Senhor, seu Deus.
É esse o Deus que fez o céu e a terra,
o mar e tudo o que eles contêm;
que é eternamente fiel à sua palavra. (Sal 145, 5-6) 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm